REPISANDO A CANDELÁRIA
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REPISANDO A CANDELÁRIA
Armando Freitas Filho
Ao pé das portas
fechadas da igreja
na calçada dormente
corpos se estendem.
Na manhã de corpos
alguns acordam
dia sim, dia não
na vida da calçada.
Corpos, alguns
na calçada, acordam
mais dia, menos dia
na vida da manhã.
Na manhã, de dias iguais
alguns, não acordam
na vida de corpos
largados na calçada.
Dormem de dia
com a mesma aparência
dos mortos, os corpos
deitados na calçada.
Ou como, quando
ainda não nascidos -
fetais - na fatalidade
dos dias na calçada.
Delineados em diagrama
nos espaços que ocuparam
para sempre na calçada
brutos e delicados.
Chapados, colados
brotam na calçada:
jardim de carne
que cresceu de noite.
Rajada que não é
de vento, calçada
de corpos já derrubados
pelo sono, amortecidos.
Vida de um dia
de corpos, uns, nus
alguns, nenhuns, não
acordam cedo, na calçada.
Dormem, doentes
ou adolescentes
voltam à primeira idade
geminados na calçada.
Na ilha do asfalto
cercada pelo tráfego
marcada pela cruz
a isca dos corpos.
FREITAS FILHO, Armando. Poema inédito, 2 de fevereiro de 2010.
Sobre o TEXTO, não se pode afirmar que:
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