– Detesto a pureza, odeio a bondade. Não quero virtude em lugar nenhum. Quero que todo mundo seja devasso até os ossos.

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Enunciado

1984

– Detesto a pureza, odeio a bondade. Não quero virtude em lugar nenhum. Quero que todo mundo seja devasso até os ossos.

– Bom, então acho que você vai gostar de mim, querido. Sou devassa até os ossos.

– Você gosta de fazer isso? Não me refiro apenas a estar comigo; falo da coisa em si.

– Adoro.

Acima de tudo, era o que Winston queria ouvir. Não apenas o amor por uma pessoa, mas o instinto animal, o desejo simples e indiferenciado: essa era a força capaz de estraçalhar o Partido. Deitou-a sobre a relva, entre os jacintos caídos. Dessa vez não houve nenhuma dificuldade. Pouco depois, o movimento ascendente e descendente dos peitos dos dois se regularizou e, numa espécie de abandono prazeroso, separaram-se. O sol parecia ter ficado mais quente. Estavam ambos sonolentos. Winston estendeu o braço para apanhar os dois macacões jogados no chão e usou-os para cobrir parcialmente o corpo de Júlia. Pegaram no sono quase de imediato e dormiram por cerca de meia hora.

ORWELL, George. 1984 - edição especial. Trad. Heloisa Jahn e Alexandre Hubner. São Paulo: Companhia das Letras, 2019 (fragmento).


Considerando o trecho da obra 1984, de George Orwel, assinale a alternativa correta.

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Resposta EOs protagonistas do trecho, Júlia e Winston, iniciam, num passeio ao campo, um caso de amor erótico clandestino que será duramente reprimido pelo Partido autoritário do qual são…

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