Questões do ENEM: Ciências da Natureza e Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)

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91 questões encontradas. Mostrando a página 3 de 5.

  • C1A4ACB6-9A

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

          NA VIRADA DO SÉCULO, o biólogo Roosmarc conheceu o ápice da fama ao descobrir um novo gênero de primata: o sagui-anão-de-coroa-preta. Foi considerado pela revista Time o grande herói do planeta. Entre os mais de 500 primatas no mundo, Roosmarc descobrira o Callibella humilis, o macaquinho mais saltitante e alegre, anãozinho, com aquela coroa preta. Enquanto outros primatólogos matavam os animais para descrevê-los, dissecando-os em laboratórios, longe da Amazônia, ele criava macacos em sua casa. Esperava que morressem de forma natural e, aí sim, dissecava-os.

          O sagui-anão-de-coroa-preta foi a sensação mundial. Então, ele viveu o ápice da glória. As publicações científicas não se cansaram de elogiá-lo. Quase todos os dias, jornais e revistas estampavam: “Protetor dos animais”, “O bandeirantes da Amazônia”, “O último primatólogo”. De Manaus para o mundo. Os ribeirinhos o saudavam; os políticos o pajeavam; os estudantes de biologia o veneravam. Sim, Roosmarc era visto e considerado como herói do planeta.

          Vida simples, com suas vestes quase sempre largas cobrindo o corpo magro e alto, enfiado semanas na floresta, nunca quisera dinheiro, jamais almejara fortuna. O verdadeiro cientista, dizia, quer, antes de tudo, reconhecimento. Não havia prêmio maior do que isso. Sequer gastava o que ganhava. Aprendera com os bichos que, na vida, não se precisa de muitas coisas...

          Nascera no sul da Holanda e, aos 17 anos, mudou-se para Amsterdã. Queria estudar biologia. Nos fins do ano 60, a cidade fervilhava, era a capital da contestação. John Lennon e Yoko Ono haviam escolhido a cidade para protestar contra a Guerra do Vietnã. Os rebeldes desfilavam pelas ruas, enquanto John Lennon e Yoko Ono incitavam a quebra de valores deitados uma semana num hotel da cidade, consumindo droga e criando suas canções. O gosto pela contracultura crescia, agigantava-se. Rebelde, Roosmarc desfilava pelas ruas, gritando pela paz, também queimando maconha e outras ervas.

          Mas foi, nesta época, que ele se interessou pelos primatas. Depois que terminou a universidade, fez amizade com uma estudante, que também saboreava a contracultura, o desprezo a normas e procedimentos, e com ela, vivendo um romance apaixonado, deu volta ao mundo, como se fosse o famigerado navegante português Vasco da Gama. Estudante de artes plásticas, Marie tinha sede por aventuras: o novo lhe apetecia; o velho não era mais do que um mundo cinzento. A Europa, com seus prédios cinzentos e frios, uma população resignada, não lhe apetecia. Queria quebrar barreiras, outras fronteiras. Não queria apodrecer naquelas cidadezinhas holandesas, onde as mulheres envelheciam rapidamente e só cuidavam de casa. Não queria se transformar num símbolo de cama, fogão e igreja. Menosprezava o título “rainha do lar”, que os pastores tanto veneravam entre a população fiel. Tinha horror ao ver sua mãe de lenço na cabeça e avental cobrindo a gordura da barriga. Se ficasse numa daquelas cidadezinhas, em poucos anos estaria como a mãe – brigava constantemente com o seu pai, saía de casa aos domingos para assistir a mesmice do partor Simeão, e que, rapidamente, voltava para casa para preparar o almoço para os filhos. Que destino! A liberdade a chamava. Não era o que dizia a canção de John Lennon? Ao conhecer Roosmarc, o desejo por aventuras avivou como brasa viva. Quando convidada para segui-lo, e ela queria produzir desenhos e aquarelas jamais vistas no mundo, não titubeou, como se a oportunidade fosse um cavalo encilhado. E cavalo encilhado passa por nós somente uma vez ...

                         (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 200-201.Adaptado.)

    Analise a seguinte informação contida no Texto 5:

          “Entre os mais de 500 primatas no mundo, Roosmarc descobrira o Callibella humilis, o macaquinho mais saltitante e alegre".

          Esse trecho faz referência aos primatas, um grupo de mamíferos que compreende os popularmente chamados de macacos, símios, lêmures e os seres humanos. 

    Marque a alternativa correta sobre os primatas:


    Escolha uma alternativa para a questão c1a4acb6-9a
  • C174A21A-9A

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

          A dúvida, continuou Laura, maldita dúvida. Essa é minha companheira, a sombra inconveniente que me segura pelos calcanhares, que há de seguir comigo até o túmulo. A morte de Tomázia, será que ela me convinha? Talvez me conviesse. Essa hipótese, eu não tenho como descartar. Seu desaparecimento anularia a prova de meu crime? Teria poder para apaziguar a culpa que continuava latejando mesmo depois de meu rompimento definitivo com Vítor? A dúvida acabou se revelando muito superior à certeza. Mil, um milhão de vezes mais forte. Talvez se eu tivesse sido obrigada a confessar meu crime aos pés de um juiz, se tivesse sido enjaulada entre mulheres que me odiavam, que me submetessem ao horror do estupro, que atentassem contra minha pessoa, a sensação de culpa tivesse sido atenuada. Juro que cheguei a sentir inveja do destino reservado às muçulmanas que cometem o pecado do adultério. Desejei, sim, ser publicamente difamada, arrastada pelos cabelos, enterrada até o pescoço, e, finalmente, ter a cabeça esfacelada a pedradas. Qualquer coisa, qualquer situação limite teria sido menos penosa do que seguir carregando a culpa, enquanto simulava a mais absoluta indiferença. Não tenho vocação para o disfarce, a simulação. Ah, como eu lamentei a perda de meu direito de exibir minha fraqueza como outras mulheres faziam! Mas não, eu tinha a permanente obrigação de ser forte, de estar preparada para o momento em que meu mundo viesse abaixo, como veio.

          A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas, transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que é lado, arrepiou meu corpo dolorido. Sentindo um princípio de náusea, comecei a fungar uma emoçãozinha desconfiada. Essa bruxa tá me embromando, penso, daqui a pouco eu entro na dela, caio em prantos e, alagada de piedade, abraço a velha, aliso seus cabelos grisalhos, cubro-lhe a face enrugada com beijinhos consoladores. Calma, tia, calma! Cuidado com a pressão. Tem aí algum tranquilizante que eu possa lhe dar?

                                       (BARROS, Adelice da Silveira. A mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    Considere a informação retirada do Texto 4: “A visão de mulheres com as cabeças esfaceladas, transformadas em um bolo de carne sangrento e disforme, partículas de cérebro espatifadas pra tudo que é lado, arrepiou meu corpo dolorido."

           Esse trecho faz menção ao cérebro, órgão do sistema nervoso de notável configuração anatômica e funcional.

    Analise os itens que se seguem e que tratam do sistema nervoso:

    I-Além de neurônios, o cérebro apresenta as células da glia, mais numerosas, que desempenham funções diferentes das dos neurônios.

    II-Os neurônios apresentam alto grau de irritabilidade e condutibilidade.

    III-Os neurônios são considerados células lábeis por sua notável capacidade de reprodução.

    De acordo com os itens analisados, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão c174a21a-9a
  • C16B22E3-9A

    Biologia

    A química da vida
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                                  A dor do mundo

          Eu não queria sair do meu brinquedo. Eu escrevia versos na areia na clara areia sob a paineira frondosa ou pensava mundos com a mão enquanto mexia com a terra. Eram formas de nada que acabavam compondo seres estranhos, animais de outro mundo, fantasmas, tudo o que a areia podia fornecer às minhas mãos de oito anos. Mas mãos de oito anos já suportam a alça de um balde com água, ou um feixe de gravetos para ajudar a fazer fogo no fogão a lenha. Mãos de oito anos já podem fazer coisas concretas, como tirar água da cisterna se o balde não for muito grande. Elas não servem apenas para criar mundos com terra molhada ou escrever poemas na areia seca. Não se pode dizer que é feio ser pobre, mas não há como negar que a pobreza dói. E essa dor sentida pelo adulto é intuída pela criança das mais variadas formas. Todas elas repousam na intrincada natureza do não. Era tão simples o meu modo de brincar. Do que vivenciei na infância, ficaram os mais puros fios de tristeza. As alegrias ficaram nas intenções de ser. As mais puras veias de dor. As sensações de não compreensão por estar ali, fazendo o quê? O que fazia ali, um menino com dor de ter de ficar ali, no canto do mundo, mirando e mirando as coisas em si? Todas elas ali, do mesmo jeito do monte de lenha, ou das galinhas no terreiro que aprendi desde cedo a entender sua forma enigmática de olhar o mundo. Elas olhavam ao ar como se vissem algo que pudesse anunciar um estranhamento qualquer com que se devesse ter cuidado. O universo das galinhas é uma espécie de síntese crucial da humanidade. Uma de minhas obrigações era colher os ovos nos ninhos esparramados pelo quintal. Eu gostava e não gostava de fazer esse trabalho. De procurar eu gostava. Os ninhos ficavam bem escondidos e arquitetonicamente perfeitos. Eram construídos em espaços difíceis. Ao construírem seus ninhos, as galinhas optam pelo difícil, como os bons poetas. Suas escolhas se apresentam desde a topologia do lugar onde constroem até o detalhamento, a perfeição na elaboração do ninho. Havia ninhos que ficavam suspensos em filetes secos, ramos complexos, espaços abertos. Havia ninhos que ficavam suspensos e presos por poucos ramos. Mas ficavam muito bem protegidos. Encontrá-los era uma emoção, era uma quase de felicidade. Sempre era nova a sensação. Se acontecesse da galinha estar no ninho, eu me afastava rapidamente e da maneira mais delicada possível. Ela poderia se assustar e aquele era um momento mágico. Eu só me aproximava do ninho, na ausência da galinha. Daí, ao ver aquilo, como se fosse a primeira vez que eu via um ninho e ainda mais precioso, como se fosse a primeira vez que eu visse um ninho de galinha com ovos, então eu ficava a contemplar por um tempo, sem saber o que fazer a não ser olhar pro ninho e olhar pros ovos e olhar pro ninho com ovos e ficar olhando. A forma de composição era tão perfeita e tão bonita que minhas mãos não conseguiam tocar os ovos. Era a profunda sensação do proibido que me invadia. Na verdade, era uma espécie de crime o que a gente cometia. Imaginemos como a galinha se sentia ao ver o seu belo ninho quase completamente esvaziado. Eu deixava só um, o endez, para ela não abandonar o ninho. Era bom, por outro lado, encher de ovos o cestinho de vime e ir correndo mostrar pra minha mãe o meu grande feito. Algumas vezes, e isso era raro, surgia entre os ovos, uns dois ou três azuis. Era muito bonito e a gente mostrava pra todo o mundo. Esse universo de aves e ninhos é muito rico e muito próximo do processo de composição artístico. Guimarães Rosa mostrou isso de forma maravilhosa na sua narrativa Uns inhos engenheiros, criando uma analogia entre o processo de criação do ninho do pássaro e o poema lírico. Para mim, a relação era totalmente lúdica.

                                           (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 64-65.)

          Considere a informação retirada do Texto 3: “Uma de minhas obrigações era colher os ovos nos ninhos esparramados pelo quintal".

         O ovo de galinha é bem consumido na alimentação humana e apresenta proteínas, gordura, vitaminas A, D, E, K e B, cálcio, ferro e enxofre. O ovo de galinha pode ter pH superior a 7, chegando às vezes a 8 ou 9; tal valor de pH parece ter função antimicrobiana. A casca do ovo de galinha é rica em minerais, principalmente cálcio, importante para a saúde dos ossos.

    Com relação a essas informações, assinale a única alternativa correta:





    Escolha uma alternativa para a questão c16b22e3-9a
  • C15FA267-9A

    Física

    Cinemática
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                                  A dor do mundo

          Eu não queria sair do meu brinquedo. Eu escrevia versos na areia na clara areia sob a paineira frondosa ou pensava mundos com a mão enquanto mexia com a terra. Eram formas de nada que acabavam compondo seres estranhos, animais de outro mundo, fantasmas, tudo o que a areia podia fornecer às minhas mãos de oito anos. Mas mãos de oito anos já suportam a alça de um balde com água, ou um feixe de gravetos para ajudar a fazer fogo no fogão a lenha. Mãos de oito anos já podem fazer coisas concretas, como tirar água da cisterna se o balde não for muito grande. Elas não servem apenas para criar mundos com terra molhada ou escrever poemas na areia seca. Não se pode dizer que é feio ser pobre, mas não há como negar que a pobreza dói. E essa dor sentida pelo adulto é intuída pela criança das mais variadas formas. Todas elas repousam na intrincada natureza do não. Era tão simples o meu modo de brincar. Do que vivenciei na infância, ficaram os mais puros fios de tristeza. As alegrias ficaram nas intenções de ser. As mais puras veias de dor. As sensações de não compreensão por estar ali, fazendo o quê? O que fazia ali, um menino com dor de ter de ficar ali, no canto do mundo, mirando e mirando as coisas em si? Todas elas ali, do mesmo jeito do monte de lenha, ou das galinhas no terreiro que aprendi desde cedo a entender sua forma enigmática de olhar o mundo. Elas olhavam ao ar como se vissem algo que pudesse anunciar um estranhamento qualquer com que se devesse ter cuidado. O universo das galinhas é uma espécie de síntese crucial da humanidade. Uma de minhas obrigações era colher os ovos nos ninhos esparramados pelo quintal. Eu gostava e não gostava de fazer esse trabalho. De procurar eu gostava. Os ninhos ficavam bem escondidos e arquitetonicamente perfeitos. Eram construídos em espaços difíceis. Ao construírem seus ninhos, as galinhas optam pelo difícil, como os bons poetas. Suas escolhas se apresentam desde a topologia do lugar onde constroem até o detalhamento, a perfeição na elaboração do ninho. Havia ninhos que ficavam suspensos em filetes secos, ramos complexos, espaços abertos. Havia ninhos que ficavam suspensos e presos por poucos ramos. Mas ficavam muito bem protegidos. Encontrá-los era uma emoção, era uma quase de felicidade. Sempre era nova a sensação. Se acontecesse da galinha estar no ninho, eu me afastava rapidamente e da maneira mais delicada possível. Ela poderia se assustar e aquele era um momento mágico. Eu só me aproximava do ninho, na ausência da galinha. Daí, ao ver aquilo, como se fosse a primeira vez que eu via um ninho e ainda mais precioso, como se fosse a primeira vez que eu visse um ninho de galinha com ovos, então eu ficava a contemplar por um tempo, sem saber o que fazer a não ser olhar pro ninho e olhar pros ovos e olhar pro ninho com ovos e ficar olhando. A forma de composição era tão perfeita e tão bonita que minhas mãos não conseguiam tocar os ovos. Era a profunda sensação do proibido que me invadia. Na verdade, era uma espécie de crime o que a gente cometia. Imaginemos como a galinha se sentia ao ver o seu belo ninho quase completamente esvaziado. Eu deixava só um, o endez, para ela não abandonar o ninho. Era bom, por outro lado, encher de ovos o cestinho de vime e ir correndo mostrar pra minha mãe o meu grande feito. Algumas vezes, e isso era raro, surgia entre os ovos, uns dois ou três azuis. Era muito bonito e a gente mostrava pra todo o mundo. Esse universo de aves e ninhos é muito rico e muito próximo do processo de composição artístico. Guimarães Rosa mostrou isso de forma maravilhosa na sua narrativa Uns inhos engenheiros, criando uma analogia entre o processo de criação do ninho do pássaro e o poema lírico. Para mim, a relação era totalmente lúdica.

                                           (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 64-65.)

        O Texto 3 traz a passagem “Mãos de oito anos já suportam a alça de um balde com água". Suponha que um balde de massa desprezível, contendo 5 litros de água, seja puxado verticalmente por uma corda a partir da lâmina d'água de um poço a 18 metros da borda. Adotando-se a aceleração da gravidade e a densidade da água do poço como, respectivamente, 10 m/s2 e 1000 kg/m3 e desprezando-se todas as forças dissipativas, pode-se afirmar que (analise os itens que se seguem):

          dado: 1 m3 = 1000 litros.

    I- Se o balde subir com uma velocidade constante de 2 m/s, a força aplicada pela corda sobre ele será igual a 50 N.

    II- Se o balde subir com uma aceleração de 2 m/s2 , a força aplicada pela corda sobre ele será 55 N.

    III- Se o balde subir com uma aceleração de 1 m/s2 , o trabalho resultante realizado sobre ele ao ser puxado até a superfície será igual a 900 J.

    IV- Se o balde for puxado com uma aceleração de 1 m/s2 a partir do repouso e levar 6 segundos para percorrer os 18 metros, então a potência aplicada pela força resultante será de 15 W.

    Com base nas afirmações anteriores, marque a alternativa em que todos os itens estão corretos:

    Escolha uma alternativa para a questão c15fa267-9a
  • C14B0FED-9A

    Biologia

    Hereditariedade e diversidade da vida
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                                  A dor do mundo

          Eu não queria sair do meu brinquedo. Eu escrevia versos na areia na clara areia sob a paineira frondosa ou pensava mundos com a mão enquanto mexia com a terra. Eram formas de nada que acabavam compondo seres estranhos, animais de outro mundo, fantasmas, tudo o que a areia podia fornecer às minhas mãos de oito anos. Mas mãos de oito anos já suportam a alça de um balde com água, ou um feixe de gravetos para ajudar a fazer fogo no fogão a lenha. Mãos de oito anos já podem fazer coisas concretas, como tirar água da cisterna se o balde não for muito grande. Elas não servem apenas para criar mundos com terra molhada ou escrever poemas na areia seca. Não se pode dizer que é feio ser pobre, mas não há como negar que a pobreza dói. E essa dor sentida pelo adulto é intuída pela criança das mais variadas formas. Todas elas repousam na intrincada natureza do não. Era tão simples o meu modo de brincar. Do que vivenciei na infância, ficaram os mais puros fios de tristeza. As alegrias ficaram nas intenções de ser. As mais puras veias de dor. As sensações de não compreensão por estar ali, fazendo o quê? O que fazia ali, um menino com dor de ter de ficar ali, no canto do mundo, mirando e mirando as coisas em si? Todas elas ali, do mesmo jeito do monte de lenha, ou das galinhas no terreiro que aprendi desde cedo a entender sua forma enigmática de olhar o mundo. Elas olhavam ao ar como se vissem algo que pudesse anunciar um estranhamento qualquer com que se devesse ter cuidado. O universo das galinhas é uma espécie de síntese crucial da humanidade. Uma de minhas obrigações era colher os ovos nos ninhos esparramados pelo quintal. Eu gostava e não gostava de fazer esse trabalho. De procurar eu gostava. Os ninhos ficavam bem escondidos e arquitetonicamente perfeitos. Eram construídos em espaços difíceis. Ao construírem seus ninhos, as galinhas optam pelo difícil, como os bons poetas. Suas escolhas se apresentam desde a topologia do lugar onde constroem até o detalhamento, a perfeição na elaboração do ninho. Havia ninhos que ficavam suspensos em filetes secos, ramos complexos, espaços abertos. Havia ninhos que ficavam suspensos e presos por poucos ramos. Mas ficavam muito bem protegidos. Encontrá-los era uma emoção, era uma quase de felicidade. Sempre era nova a sensação. Se acontecesse da galinha estar no ninho, eu me afastava rapidamente e da maneira mais delicada possível. Ela poderia se assustar e aquele era um momento mágico. Eu só me aproximava do ninho, na ausência da galinha. Daí, ao ver aquilo, como se fosse a primeira vez que eu via um ninho e ainda mais precioso, como se fosse a primeira vez que eu visse um ninho de galinha com ovos, então eu ficava a contemplar por um tempo, sem saber o que fazer a não ser olhar pro ninho e olhar pros ovos e olhar pro ninho com ovos e ficar olhando. A forma de composição era tão perfeita e tão bonita que minhas mãos não conseguiam tocar os ovos. Era a profunda sensação do proibido que me invadia. Na verdade, era uma espécie de crime o que a gente cometia. Imaginemos como a galinha se sentia ao ver o seu belo ninho quase completamente esvaziado. Eu deixava só um, o endez, para ela não abandonar o ninho. Era bom, por outro lado, encher de ovos o cestinho de vime e ir correndo mostrar pra minha mãe o meu grande feito. Algumas vezes, e isso era raro, surgia entre os ovos, uns dois ou três azuis. Era muito bonito e a gente mostrava pra todo o mundo. Esse universo de aves e ninhos é muito rico e muito próximo do processo de composição artístico. Guimarães Rosa mostrou isso de forma maravilhosa na sua narrativa Uns inhos engenheiros, criando uma analogia entre o processo de criação do ninho do pássaro e o poema lírico. Para mim, a relação era totalmente lúdica.

                                           (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 64-65.)

    O Texto 3, “A dor do mundo" faz referência a galinhas, animal de grande importância alimentar no que diz respeito a fonte de proteínas. Nesses animais, o tipo de crista é um caso de interação gênica entre dois genes (“R" e “E") nas seguintes configurações:   

                     GENÓTIPO            FENÓTIPO

                          rrE-                       Ervilha

                          R-ee                     Rosa

                          R-E-                     Noz rree Simples

         Ao cruzar um galo de crista rosa com uma galinha de crista noz, se produz a seguinte geração: 3/8 noz, 3/8 rosa, 1/8 ervilha e 1/8 simples. Com base nessas informações, podemos afirmar que (marque a resposta correta):


    Escolha uma alternativa para a questão c14b0fed-9a
  • C12FCB01-9A

    Química

    Equilíbrio Químico
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    TEXTO 2

                                                       XX

                                            Os Homens

                                             nesta manhã de sangrenta primavera

                                             parecem não mais saber

                                             o que nunca souberam,

                                             que a Vida é para sempre

                                             sã ou demente

                                              tão de repente

                                              tão de repente! 


                            (VIEIRA, Delermando.  Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 108.)

    O segundo verso do Texto 2 faz lembrar o sangue,que é formado por diversos tipos de células, classificadas em três grandes grupos: glóbulos brancos, hemácias e plaquetas. O sangue é essencial à manutenção da vida animal. Isto porque ele é o responsável pelo transporte de oxigênio do pulmão até as células e pelo transporte do CO2 das células até os pulmões. Esse transporte é feito através da hemoglobina (Hb) presente no sangue conforme o seguinte equilíbrio:

                                 Hb + O2  HbO2

    Com base nessas informações, analise as afirmativas a seguir:

    I- O sangue, por ser uma solução tampão, não sofrerá alteração de pH, mesmo com a adição de grande quantidade de ácidos ou de bases.

    II- O sangue tem pH em torno de 7, e o suco gástrico,em torno de 2. Isso significa uma diferença de concentração de íons hidrônio na ordem de 105.

    III- Ao se subir a montanha Everest, a mudança na pressão atmosférica resulta no deslocamento da reação da hemoglobina com o oxigênio para a esquerda.

    IV-O CO2 proveniente da respiração celular pode reagir com a água antes de ser transportado pela hemoglobina e ser transformado em íons hidrônio e carbonato (CO32–). A geometria molecular desse ânion é piramidal.


    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:


    Escolha uma alternativa para a questão c12fcb01-9a
  • C1264066-9A

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                                       XX

                                            Os Homens

                                             nesta manhã de sangrenta primavera

                                             parecem não mais saber

                                             o que nunca souberam,

                                             que a Vida é para sempre

                                             sã ou demente

                                              tão de repente

                                              tão de repente! 


                            (VIEIRA, Delermando.  Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 108.)

    Em um trecho do Texto 2 é citada “uma manhã de sangrenta primavera", que remete a um importante componente do sistema circulatório, o sangue. Leia atentamente os itens a seguir que tratam do sistema circulatório e depois responda.     

     I-Os protistas apresentam sistema circulatório aberto;

    II-Os anelídeos possuem sistema circulatório fechado com cinco arcos (corações) que bombeiam o sangue;

    III-Os artrópodes, em sua maioria, apresentam sistema circulatório fechado.

    IV-O sistema circulatório dos répteis é semelhante ao dos anfíbios.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:


    Escolha uma alternativa para a questão c1264066-9a
  • C116C024-9A

    Química

    Radioatividade: Reações de Fissão e Fusão Nuclear, Desintegração Radioativa e Radioisótopos.
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

                                         O mundo do menino impossível

    Fim de tarde, boquinha da noite

    com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.

    Entre as estrelas e lá detrás da igreja,

    surge a lua cheia

    para chorar com os poetas.

    E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:

    o sol e os meninos.

    Mas ainda vela

    o menino impossível,

    aí do lado,

    enquanto todas as crianças mansas

    dormem

               acalentadas

    por Mãe-negra da Noite.

    O menino impossível

    que destruiu

    os brinquedos perfeitos

    que os vovós lhe deram:

    o urso de Nurnberg,

    o velho barbado jugoslavo,

    as poupées de Paris aux

    cheveux crêpés,

    o carrinho português

    feito de folha de flandres a

    caixa de música checoslovaca,

    o polichinelo italiano

    made in England,

    o trem de ferro de U. S. A.

    e o macaco brasileiro

    de Buenos Aires,

    moviendo la cola y la cabeza.

     O menino impossível

    que destruiu até

    os soldados de chumbo de Moscou

    e furou os olhos de um Papá Noel,

    brinca com sabugos de milho,

    caixas vazias,

    tacos de pau,

    pedrinhas brancas do rio...

    “Faz de conta que os sabugos

    são bois...”

    “Faz de conta...”

    “Faz de conta...”

    [...]

    O menino pousa a testa

    e sonha dentro da noite quieta

    da lâmpada apagada,

    com o mundo maravilhoso

    que ele tirou do nada...

    [...] 

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 27-30. Adaptado.)

        A porcentagem da massa do carbono 14 em relação à massa do carbono 12 é constante em plantas e animais vivos, pois, ele é absorvido constantemente.

        Ao morrer, esses seres param de “reciclar" o carbono e a quantidade de carbono 14 em relação ao 12 começa a decair. Quando essa relação for de 50% da original, chama-se meia-vida do carbono 14. No caso do chumbo, esse tempo de meia-vida é de 22 anos. A quantidade de carbono 14 existente em um determinado instante t é dada pela função exponencial Q(t)=Q(0) exp(-kt), em que Q(0) é a quantidade de carbono 14 no instante 0, e k é a constante, que depende do tipo de elemento radioativo. No caso do chumbo, o valor de k é (marque a alternativa correta):

    Escolha uma alternativa para a questão c116c024-9a
  • C10C48FB-9A

    Física

    Eletricidade
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

                                         O mundo do menino impossível

    Fim de tarde, boquinha da noite

    com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.

    Entre as estrelas e lá detrás da igreja,

    surge a lua cheia

    para chorar com os poetas.

    E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:

    o sol e os meninos.

    Mas ainda vela

    o menino impossível,

    aí do lado,

    enquanto todas as crianças mansas

    dormem

               acalentadas

    por Mãe-negra da Noite.

    O menino impossível

    que destruiu

    os brinquedos perfeitos

    que os vovós lhe deram:

    o urso de Nurnberg,

    o velho barbado jugoslavo,

    as poupées de Paris aux

    cheveux crêpés,

    o carrinho português

    feito de folha de flandres a

    caixa de música checoslovaca,

    o polichinelo italiano

    made in England,

    o trem de ferro de U. S. A.

    e o macaco brasileiro

    de Buenos Aires,

    moviendo la cola y la cabeza.

     O menino impossível

    que destruiu até

    os soldados de chumbo de Moscou

    e furou os olhos de um Papá Noel,

    brinca com sabugos de milho,

    caixas vazias,

    tacos de pau,

    pedrinhas brancas do rio...

    “Faz de conta que os sabugos

    são bois...”

    “Faz de conta...”

    “Faz de conta...”

    [...]

    O menino pousa a testa

    e sonha dentro da noite quieta

    da lâmpada apagada,

    com o mundo maravilhoso

    que ele tirou do nada...

    [...] 

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 27-30. Adaptado.)

    No Texto 1, temos referência à lâmpada apagada. O princípio de funcionamento de determinadas lâmpadas tem como base a transformação de energia elétrica em térmica, por meio de uma resistência elétrica. Considere quatro lâmpadas L1 , L2 , L3 e L4 de resistências R1 = 1210 Ω, R2 = 807 Ω, R3 = 484 Ω e R4 = 403 Ω ligadas em paralelo a uma fonte de tensão de 220 V. Analise os itens que se seguem:

     I-A resistência equivalente da associação das quatro lâmpadas em paralelo é de 2904 Ω.

    II- Sendo i1 , i2 , i3 e i4 as respectivas correntes elétricas nas lâmpadas L1 , L2 , L3 e L4 , temos que: i1 < i2 < i3 < i4 .

    III- Se uma das lâmpadas queimar ou for desligada, a corrente elétrica nas outras três lâmpadas aumentará de valor.

    IV-Para um mesmo tempo de funcionamento, a lâmpada L4 consome mais energia elétrica que a lâmpada L1 .

    Assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos: 


    Escolha uma alternativa para a questão c10c48fb-9a
  • C102D12D-9A

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

                                         O mundo do menino impossível

    Fim de tarde, boquinha da noite

    com as primeiras estrelas e os derradeiros sinos.

    Entre as estrelas e lá detrás da igreja,

    surge a lua cheia

    para chorar com os poetas.

    E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:

    o sol e os meninos.

    Mas ainda vela

    o menino impossível,

    aí do lado,

    enquanto todas as crianças mansas

    dormem

               acalentadas

    por Mãe-negra da Noite.

    O menino impossível

    que destruiu

    os brinquedos perfeitos

    que os vovós lhe deram:

    o urso de Nurnberg,

    o velho barbado jugoslavo,

    as poupées de Paris aux

    cheveux crêpés,

    o carrinho português

    feito de folha de flandres a

    caixa de música checoslovaca,

    o polichinelo italiano

    made in England,

    o trem de ferro de U. S. A.

    e o macaco brasileiro

    de Buenos Aires,

    moviendo la cola y la cabeza.

     O menino impossível

    que destruiu até

    os soldados de chumbo de Moscou

    e furou os olhos de um Papá Noel,

    brinca com sabugos de milho,

    caixas vazias,

    tacos de pau,

    pedrinhas brancas do rio...

    “Faz de conta que os sabugos

    são bois...”

    “Faz de conta...”

    “Faz de conta...”

    [...]

    O menino pousa a testa

    e sonha dentro da noite quieta

    da lâmpada apagada,

    com o mundo maravilhoso

    que ele tirou do nada...

    [...] 

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 27-30. Adaptado.)

    Analise os versos extraídos do Texto 1:

    “Fim de tarde, boquinha da noite

    com as primeiras estrelas

    e os derradeiros sinos."

    Esses versos fazem referência ao começo da noite, período que influencia a atividade de vários animais e também a atividade de plantas. Nas alternativas a seguir, marque a resposta correta em relação ao nome do movimento que as folhas de algumas plantas apresentam em resposta aos ritmos diários de luz e escuro.


    Escolha uma alternativa para a questão c102d12d-9a
  • 6F380855-34

    Biologia

    A química da vida
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

    CAPÍTULO XVIII

    Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira, onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó com explicações científicas. A memória dele recompôs, ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor, as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho:

    — Ao vencedor, as batatas! 

         Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os braços exclamando: 

    — Ao vencedor, as batatas!

          Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo, comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO VENCEDOR AS BATATAS. 

        Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.)

    O Texto 8 apresenta, repetidas vezes a expressão “Ao vencedor, as batatas!”. Ao natural, 100 gramas de batata possuem, em média, 65 calorias. Porém, quando frita, este número cresce bastante. Esse tubérculo é muito utilizado na culinária em saladas, acompanhamento de carnes (frango, peixe e boi), purês e frito. A batata possui fósforo (em boa quantidade), ferro, potássio e cálcio. A China é o maior produtor de batatas do mundo. A batata é uma fonte importante de amido. Supondo-se que a batata frita tenha o dobro de calorias que a batata ao natural, pode-se afirmar que em 80 gramas de batatas fritas há (marque a alternativa com resposta correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 6f380855-34
  • 6F28D190-34

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

    CAPÍTULO XVIII

    Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira, onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó com explicações científicas. A memória dele recompôs, ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor, as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho:

    — Ao vencedor, as batatas! 

         Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os braços exclamando: 

    — Ao vencedor, as batatas!

          Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo, comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO VENCEDOR AS BATATAS. 

        Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.)

         O texto de Machado de Assis (Texto 8) menciona a presença de um cachorro, considerado por muitos o melhor amigo do homem. Mamífero quadrúpede, o cão, popularmente conhecido como cachorro, apresenta características peculiares em relação aos seus sentidos, locomoção e envelhecimento.


    Assinale a alternativa correta em relação a esses animais:


    Escolha uma alternativa para a questão 6f28d190-34
  • 6F1D61C4-34

    Química

    Glicídios, Lipídios, Aminoácidos e Proteínas.
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

    CAPÍTULO XVIII

    Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira, onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó com explicações científicas. A memória dele recompôs, ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor, as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho:

    — Ao vencedor, as batatas! 

         Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os braços exclamando: 

    — Ao vencedor, as batatas!

          Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo, comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO VENCEDOR AS BATATAS. 

        Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.)

       Considere o trecho extraído do Texto 8: “Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, era um vencedor."


        O brim é um tecido composto principalmente de algodão. É comumente tingido de índigo (colorante azul) que tem uma produção anual de 50 mil toneladas. A maioria dessa produção (95%) é destinada à indústria têxtil. Devido à baixa afinidade do índigo pela fibra de algodão, somente a superfície dos fios fica azul, deixando o núcleo da fibra com coloração branca. Estima-se que cerca de 15% do índigo usado na indústria têxtil é descartado como resíduo. Esse resíduo, quando não tratado corretamente, acaba causando sérios problemas ambientais. 


       O algodão tem em sua constituição 94% de celulose, cuja fórmula molecular é (C6 H10O5 )n. A celulose é um polissacarídeo formado por um único monômero (a glicose: C6 H12O6 ). Ela pode apresentar uma configuração aberta ou fechada, dependendo do ambiente químico.


    Assinale a única alternativa correta com relação ao exposto acima:


    Escolha uma alternativa para a questão 6f1d61c4-34
  • 6F168C15-34

    Biologia

    A química da vida
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 7

                                          Ao mar

        Choveu dias e depois amanheceu. Joel chegou à janela e olhou o quintal: estava tudo inundado! Joel vestiu-se rapidamente, disse adeus à mãe, embarcou numa tábua e pôs-se a remar. Hasteou no mastro uma bandeira com a estrela de David... 

         O barco navegava mansamente. As noites se sucediam, estreladas. No cesto de gávea Joel vigiava e pensava em todos os esplêndidos aventureiros: Krishna, o faquir que ficou cento e dez dias comendo cascas de ovo; Mac-Dougal, o inglês que escalou o Itatiaia com uma das mãos amarradas às costas; Fred, que foi lançado num barril ao golfo do México e recolhido um ano depois na ilha da Pintada. Moma, irmão de sangue de um chefe comanche; Demócrito que dançava charleston sobre fios de alta tensão... 

        — A la mar! A la mar! – gritava Joel entoando cânticos ancestrais. Despertando pela manhã, alimentava-se de peixes exóticos; escrevia no diário de bordo e ficava a contemplar as ilhas. Os nativos viam-no passar – um ser taciturno, distante, nas águas, distante do céu. Certa vez – uma tempestade! Durou sete horas. Mas não o venceu, não o venceu! 

         E os monstros? Que dizer deles, se nunca ninguém os viu? 

         Joel remava afanosamente; às vezes, parava só para comer e escrever no diário de bordo. Um dia, disse em voz alta: "Mar, animal rumorejante!" Achou bonita esta frase; até anotou no diário. Depois, nunca mais falou. 

         À noite, Joel sonhava com barcos e mares, e ares e céus, e ventos e prantos, e rostos escuros, monstros soturnos. Que dizer destes monstros, se nunca ninguém os viu? 

         — Joel, vem almoçar! – gritava a mãe. Joel viajava ao largo; perto da África. 

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. Seleção de Regina Zilbermann. São Paulo: Global, 2003. p. 105/106.)


         Analise o trecho retirado do Texto 7: “Despertando pela manhã, alimentava-se de peixes exóticos; escrevia no diário de bordo e ficava a contemplar as ilhas".


         A carne do pescado apresenta um conteúdo de proteínas que pode variar, geralmente, entre 15 a 24%. No músculo do peixe existem proteínas, como por exemplo a actina e a miosina. Sobre as proteínas, são feitas as seguintes afirmações:


    I- São biomoléculas formadas por monômeros que apresentam caráter anfótero.

    II-A representação do grupo ácido ionizado nos monômeros citados no item anterior é -NH3+ .

    III-Actina e miosina são proteínas responsáveis por transporte de oxigênio às células.

    IV-Numa molécula de proteína, existem várias ligações peptídicas formadas a partir da reação entre grupo carboxila e grupo amino.

    Assinale a única alternativa que apresenta todos os itens verdadeiros:


    Escolha uma alternativa para a questão 6f168c15-34
  • 6F072D03-34

    Física

    Cinemática
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 7

                                          Ao mar

        Choveu dias e depois amanheceu. Joel chegou à janela e olhou o quintal: estava tudo inundado! Joel vestiu-se rapidamente, disse adeus à mãe, embarcou numa tábua e pôs-se a remar. Hasteou no mastro uma bandeira com a estrela de David... 

         O barco navegava mansamente. As noites se sucediam, estreladas. No cesto de gávea Joel vigiava e pensava em todos os esplêndidos aventureiros: Krishna, o faquir que ficou cento e dez dias comendo cascas de ovo; Mac-Dougal, o inglês que escalou o Itatiaia com uma das mãos amarradas às costas; Fred, que foi lançado num barril ao golfo do México e recolhido um ano depois na ilha da Pintada. Moma, irmão de sangue de um chefe comanche; Demócrito que dançava charleston sobre fios de alta tensão... 

        — A la mar! A la mar! – gritava Joel entoando cânticos ancestrais. Despertando pela manhã, alimentava-se de peixes exóticos; escrevia no diário de bordo e ficava a contemplar as ilhas. Os nativos viam-no passar – um ser taciturno, distante, nas águas, distante do céu. Certa vez – uma tempestade! Durou sete horas. Mas não o venceu, não o venceu! 

         E os monstros? Que dizer deles, se nunca ninguém os viu? 

         Joel remava afanosamente; às vezes, parava só para comer e escrever no diário de bordo. Um dia, disse em voz alta: "Mar, animal rumorejante!" Achou bonita esta frase; até anotou no diário. Depois, nunca mais falou. 

         À noite, Joel sonhava com barcos e mares, e ares e céus, e ventos e prantos, e rostos escuros, monstros soturnos. Que dizer destes monstros, se nunca ninguém os viu? 

         — Joel, vem almoçar! – gritava a mãe. Joel viajava ao largo; perto da África. 

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. Seleção de Regina Zilbermann. São Paulo: Global, 2003. p. 105/106.)


         No Texto 7 há uma menção a chuva. Suponha que uma gota de chuva, inicialmente em repouso, se forme 2000 m acima da superfície terrestre (altura suficiente para que as gotas atinjam a velocidade terminal). Considerando-se que a força devida ao atrito viscoso (resistência do ar) sobre um objeto seja diretamente proporcional ao quadrado da velocidade e dependa somente dela, e que, para a gota em questão, a constante de proporcionalidade C é igual a 2,0 × 10-6 kg/m, adotando-se a aceleração da gravidade local como 10 m/s2 e convencionando-se que todas as gotas envolvidas partam do repouso, é possível afirmar que:

     I- Se a massa da gota for igual a 1,5 × 10-5 kg, o módulo da velocidade terminal da gota será algo entre 31 km/h e 32 km/h.

    II- Se se substituir a gota de água por uma de mercúrio com as mesmas dimensões e formato, mas com massa igual a 2,0 × 10-4 kg, sua velocidade terminal terá um módulo entre 113 km/h e 114 km/h.

    III- Se a resistência do ar for desprezada, a gota de água atingirá o solo com velocidade de módulo igual a 720 km/h.

    IV- Se a resistência do ar for desprezada e a gota de mercúrio partir da mesma altura e velocidade que a gota de água, por ser mais pesada, ela atingiria a superfície com uma velocidade de módulo consideravelmente maior que a da água.


    Com base nas sentenças anteriores, marque a alternativa em que todos os itens estão corretos:


    Escolha uma alternativa para a questão 6f072d03-34
  • 6F013EDD-34

    Biologia

    Ecologia e ciências ambientais
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    TEXTO 7

                                          Ao mar

        Choveu dias e depois amanheceu. Joel chegou à janela e olhou o quintal: estava tudo inundado! Joel vestiu-se rapidamente, disse adeus à mãe, embarcou numa tábua e pôs-se a remar. Hasteou no mastro uma bandeira com a estrela de David... 

         O barco navegava mansamente. As noites se sucediam, estreladas. No cesto de gávea Joel vigiava e pensava em todos os esplêndidos aventureiros: Krishna, o faquir que ficou cento e dez dias comendo cascas de ovo; Mac-Dougal, o inglês que escalou o Itatiaia com uma das mãos amarradas às costas; Fred, que foi lançado num barril ao golfo do México e recolhido um ano depois na ilha da Pintada. Moma, irmão de sangue de um chefe comanche; Demócrito que dançava charleston sobre fios de alta tensão... 

        — A la mar! A la mar! – gritava Joel entoando cânticos ancestrais. Despertando pela manhã, alimentava-se de peixes exóticos; escrevia no diário de bordo e ficava a contemplar as ilhas. Os nativos viam-no passar – um ser taciturno, distante, nas águas, distante do céu. Certa vez – uma tempestade! Durou sete horas. Mas não o venceu, não o venceu! 

         E os monstros? Que dizer deles, se nunca ninguém os viu? 

         Joel remava afanosamente; às vezes, parava só para comer e escrever no diário de bordo. Um dia, disse em voz alta: "Mar, animal rumorejante!" Achou bonita esta frase; até anotou no diário. Depois, nunca mais falou. 

         À noite, Joel sonhava com barcos e mares, e ares e céus, e ventos e prantos, e rostos escuros, monstros soturnos. Que dizer destes monstros, se nunca ninguém os viu? 

         — Joel, vem almoçar! – gritava a mãe. Joel viajava ao largo; perto da África. 

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. Seleção de Regina Zilbermann. São Paulo: Global, 2003. p. 105/106.)


    Na passagem “Choveu dias e depois amanheceu. Joel chegou à janela e olhou o quintal: estava tudo inundado!” é citado um dos grandes problemas urbanos da atualidade: as inundações. Dentre os itens apresentados a seguir, marque aquele que indica, corretamente, os fatores que promovem a ocorrência desse fenômeno
    Escolha uma alternativa para a questão 6f013edd-34
  • 6EF32B8F-34

    Biologia

    Ecologia e ciências ambientais
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    TEXTO 7

                                          Ao mar

        Choveu dias e depois amanheceu. Joel chegou à janela e olhou o quintal: estava tudo inundado! Joel vestiu-se rapidamente, disse adeus à mãe, embarcou numa tábua e pôs-se a remar. Hasteou no mastro uma bandeira com a estrela de David... 

         O barco navegava mansamente. As noites se sucediam, estreladas. No cesto de gávea Joel vigiava e pensava em todos os esplêndidos aventureiros: Krishna, o faquir que ficou cento e dez dias comendo cascas de ovo; Mac-Dougal, o inglês que escalou o Itatiaia com uma das mãos amarradas às costas; Fred, que foi lançado num barril ao golfo do México e recolhido um ano depois na ilha da Pintada. Moma, irmão de sangue de um chefe comanche; Demócrito que dançava charleston sobre fios de alta tensão... 

        — A la mar! A la mar! – gritava Joel entoando cânticos ancestrais. Despertando pela manhã, alimentava-se de peixes exóticos; escrevia no diário de bordo e ficava a contemplar as ilhas. Os nativos viam-no passar – um ser taciturno, distante, nas águas, distante do céu. Certa vez – uma tempestade! Durou sete horas. Mas não o venceu, não o venceu! 

         E os monstros? Que dizer deles, se nunca ninguém os viu? 

         Joel remava afanosamente; às vezes, parava só para comer e escrever no diário de bordo. Um dia, disse em voz alta: "Mar, animal rumorejante!" Achou bonita esta frase; até anotou no diário. Depois, nunca mais falou. 

         À noite, Joel sonhava com barcos e mares, e ares e céus, e ventos e prantos, e rostos escuros, monstros soturnos. Que dizer destes monstros, se nunca ninguém os viu? 

         — Joel, vem almoçar! – gritava a mãe. Joel viajava ao largo; perto da África. 

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. Seleção de Regina Zilbermann. São Paulo: Global, 2003. p. 105/106.)


    “— A la mar! A la mar! – gritava Joel entoando cânticos ancestrais. Despertando pela manhã, alimentava-se de peixes exóticos; escrevia no diário de bordo e ficava a contemplar as ilhas."


    Nesse trecho do Texto 7 é feita menção a peixes exóticos. Leia atentamente os itens a seguir e marque a única alternativa correta:

    Escolha uma alternativa para a questão 6ef32b8f-34
  • 6EC96799-34

    Biologia

    Hereditariedade e diversidade da vida
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


    Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar.” A leitura desse fragmento do Texto 5 pode remeter-nos a reflexões sobre hereditariedade. Imagine que pais heterozigotos com olhos castanhos tenham tido um filho com olhos azuis. Nas proposições abaixo, marque a alternativa que explica esse fenômeno:
    Escolha uma alternativa para a questão 6ec96799-34
  • 6EC023ED-34

    Química

    Eletroquímica: Oxirredução, Potenciais Padrão de Redução, Pilha, Eletrólise e Leis de Faraday.
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


             Analise o seguinte trecho retirado do Texto 5:

           “ Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro."

          O cianeto de sódio (NaCN) é muito utilizado na extração do ouro. Ele facilita a oxidação do ouro e a sua solubilização. Para evitar a liberação de ácido cianídrico (HCN), que é um gás muito tóxico, essa etapa do processo é feita em meio alcalino.

           Uma provável reação para essa etapa é descrita a seguir:

                      4Au + 8NaCN + O2 + 2H2 O → 4NaAu(CN)2 + 4NaOH

           Em seguida, a recuperação do ouro (redução) é feita por precipitação através da adição de zinco em pó.
           Assinale a única alternativa correta com relação às afirmações anteriormente expostas:


    Escolha uma alternativa para a questão 6ec023ed-34
  • 6EAD528B-34

    Biologia

    Ciclos biogeoquímicos
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 5

        TODO PIONEIRO É UM FORTE, pensava Bambico. Acredita nos sonhos. Se não fosse por ele, o mundo ainda estaria no tempo das cavernas... Quanto mais pensava nisso, mais se fortalecia. 

         Bambico chegara à Amazônia com as mãos vazias, vindo do Sul. Mas tinha na cabeça projetos grandiosos. Queria extrair da natureza toda a riqueza intacta, como o garimpeiro faz. Não desejava, entretanto, cavar rio e terra para achar pepitas de ouro. Não tinha vocação para tatu. Não faria como os garimpeiros: quando não havia mais nada, eles se mudavam, atrás de outros garimpos.

        — Garimpeiro vive de ilusões. Eu gosto de projetos! 

        Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte. Só de olhar para uma árvore, sabia quantos dólares cairia em seus bolsos. Quando ouvia os roncos das motosserras, costumava dizer, orgulhoso: 

        — Eis o barulho da fortuna! 

        Montes de serragem eram avistados de longe quando o visitante chegava às pequenas comunidades. Os caminhões de toras gemiam nas estradas esburacadas. Índios e caboclos eram afugentados à bala. A floresta se transformava num pó fino, que logo apodrecia. Quando os montes de serragem não apodreciam, eram queimados, sempre apressadamente. Por dias, os canudos negros de fumaça subindo pesadamente ao céu. Havia o medo dos fiscais. Quando apareciam, quase nunca eram vistos, era conveniente que houvesse pouca serragem...

        Que história, a de Bambico! Teria muita coisa a contar para os netos que haveriam de chegar. 

        Em seu escritório, fumando um Havana, que um importador americano lhe presenteara, estufou o peito, vaidoso. 

        — Sim, muitas coisas! Quem te viu, quem te vê!

        [...]

        Sentia prazer com seus projetos grandiosos. Toda manhã se levantava para conquistar o mundo. Vereança era merreca. Não se rastejava em pequenos projetos. Muito menos desejava ser deputado... Ambicionava altos voos. Todo deputado era pau-mandado dos ricos. O Senado, sim, era o grande alvo. Lá, ele poderia afrontar esses “falsos profetas protetores da natureza". Essas ONGs de fachada... Lá, o seu cajado cairia sem dó, como um verdugo, sobre o costado dessa gente tola. Enquanto isso, ele poderia continuar seus projetos grandiosos. Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos, e semear capim. 

        Sonhara em ter uma dúzia de filhos, mas o destino lhe dera apenas dois. Sua mulher, após o segundo parto, ficara impossibilitada de procriar. Não queria fêmea entre os seus descendentes, mas logo no primeiro parto veio a decepção. Uma menina. Decepcionado, nada comentou com a esposa. No segundo, depois de uma gravidez tumultuada, veio o varão. Encheu-se de alegria. Com certeza, mais varões estavam para vir... [...]

                                   (GONÇALVES, David. Sangue verde. São Paulo: Sucesso Pocket, 2014. p. 114-115.)


    No trecho do Texto 5: “Que projetos grandiosos eram? Cortar árvores, exportar madeiras preciosas para a casa e a mobília dos ricos. Em seguida, semear capim, povoando os campos com as boiadas de nelore brilhando de tanta saúde. A riqueza estava acima do chão. A imensidão verde desaparecia no horizonte” é feita menção à destruição da natureza pela atividade humana. A destruição das florestas pode afetar o ciclo da água, promovendo alterações na quantidade de chuva sob uma região, como temos observado ultimamente. Assinale, entre as proposições a seguir, aquela que corresponde ao processo de perda de água na forma de vapor que ocorre nas folhas das plantas e contribui para o aumento da umidade atmosférica:
    Escolha uma alternativa para a questão 6ead528b-34