Questões do ENEM: Linguagens e nível médio

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8.516 questões encontradas. Mostrando a página 14 de 426.

  • 07B9BD0C-D9

    Português

    Interpretação de Textos
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    Uma carta para Freud


           Caro Freud,

         Resolvi lhe escrever uma carta porque o senhor anda muito ocupado e eu demoro demais para me fazer compreender verbalmente. Aqui, nesta carta, acho que consigo ser franco e direto.

        Hoje resolvi aplicar alguns de seus conselhos. E outros do Facebook. O senhor mencionou que eu precisava encontrar prazer no meu trabalho. Pois bem, resolvi espalhar chocolate em todas as mesas, pias, balcões e até no banheiro.

        Romanticamente, a história é mais complicada. Sempre que nos encontramos, o senhor pergunta: “E as namoradas, como vão?”. Realmente, doutor Freud, nunca entendi o porquê do plural. Mas já que tocamos no assunto, acho que precisarei de um pouco mais do que chocolate para resolver este problema.

          O senhor disse que o segredo do sucesso é fazer as mulheres rirem. Mas rir de mim também conta?

        O senhor também mencionou que eu não poderia deixar as garotas me encararem como amigo, não foi? “Mulheres nunca se apaixonam por amigos”. Tentei aplicar este conselho.

          Ah, meu amigo Sigmund. A vida não é nada fácil. Pela expressão fechada em seu rosto, o senhor deve me entender. Podíamos sair para tomar uma cerveja. Ver luzes, ouvir pessoas, essas coisas. Acho que lhe faria bem, também.


    MARTINZ, J. Disponível em: https://corrosiva.com.br. Acesso em: 24 out. 2021.



    O trecho que faz referência ao vocativo inicial da carta “Caro Freud” é
    Escolha uma alternativa para a questão 07b9bd0c-d9
  • 079C10FA-D9

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I


            Meu caro Gilberto,

       Convivi longamente com Saciologia goiana. As palavras faíscam em garimpos semânticos. Goiás mora em minhas raízes. Ali tombei no corpo de meus antepassados Antônio Castanho Almeida e Martin Rodrigues Tenório de Aguilar e agora renasço em minha neta Mirela Rondom Caiado Bomfim.

          Você recebeu a Coroa de sonetos?

          Um abraço fraterno do

          Paulo Bomfim



    TEXTO II



          Prezado Prof. Gilberto Mendonça Teles

          Cumprimentos

          Quero lhe agradecer o oferecimento da sua Saciologia goiana, que li e estou relendo e que me proporcionou inúmeras surpresas. Acompanho com o maior apreço a sua atividade — ainda agora consultei a edição recente e enriquecida de seu trabalho sobre vanguarda europeia e Modernismo brasileiro.

         Creia no apreço e admiração do

         Nelson W. Sodré


    XAVIER, T. M. (Org.). Fortuna crítica de Saciologia goiana.
    Rio de Janeiro: Galo Branco, 2011.


    As cartas de Paulo Bomfim e de Nelson Sodré respondem e agradecem a Gilberto M. Teles o envio de um exemplar de seu livro Saciologia goiana. Quanto ao teor, elas se diferenciam, respectivamente, por apresentarem
    Escolha uma alternativa para a questão 079c10fa-d9
  • 07999097-D9

    Português

    Interpretação de Textos
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    O valente Romano


               Não rolaram pelo chão, machucando-se nas pedras, como fazem os guerreiros. Nem esmurraram-se as bocas. Num tempo que não tem medida, sentiram o calor e o cheiro que cada um exalava. Olhavam o céu procurando resposta e nada estava escrito. Teriam eles mesmos de inventar a sentença para o encontro.

          Derrotados pela certeza de que gostariam de nunca romper o abraço, desvencilharam-se, bruscamente. De cabeças baixas, guardaram o silêncio que apenas os homens de coragem conhecem.

            — Vá embora! — suplicou Romano.

         Anselmo Dantas experimentou um derradeiro impulso de partir em cima do inimigo, mas duvidou se queria matá-lo ou retê-lo junto ao peito. Virou as costas e desapareceu na escuridão. Um galho de baraúna e um laço de corda de agave eram a única luz que seus olhos enxergavam.


    BRITO, R. C. Faca. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.



    Nesse fragmento, a tensão da luta corporal entre os personagens desdobra-se na consciência com que cada um
    Escolha uma alternativa para a questão 07999097-d9
  • 0796F273-D9

    Português

    Interpretação de Textos
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          Sim, ela sentia dentro de si um animal perfeito. Repugnava-lhe deixar um dia esse animal solto. Por medo talvez da falta de estética. Ou receio de alguma revelação... Não, não, — repetia-se ela — é preciso não ter medo de criar. No fundo de tudo possivelmente o animal repugnava-lhe porque ainda havia nela o desejo de agradar e de ser amada por alguém poderoso como a tia morta. Para depois no entanto pisá-la, repudiá-la sem contemplações. Porque a melhor frase, sempre ainda a mais jovem, era: a bondade me dá ânsias de vomitar. A bondade era morna e leve, cheirava a carne crua guardada há muito tempo. Sem apodrecer inteiramente apesar de tudo. Refrescavam-na de quando em quando, botavam um pouco de tempero, o suficiente para conservá-la um pedaço de carne morna e quieta.


    LISPECTOR, C. Perto do coração selvagem.
    Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.


    Nessa passagem, a reflexão feita pela personagem resulta da sua tomada de consciência da
    Escolha uma alternativa para a questão 0796f273-d9
  • 0791F1FA-D9

    Português

    Interpretação de Textos
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    Venha ver o pôr do sol


         O mato rasteiro dominava tudo. E não satisfeito de ter-se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrara-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira as alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte. Foram andando pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada, mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.


    TELLES, L. F. Antes do baile verde. São Paulo: Cia. das Letras, 2009.



    Nesse trecho, os procedimentos de construção que promovem a expressividade decorrem da
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  • 078CD8FF-D9

    Português

    Figuras de Linguagem
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    A rua


         A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor, uma melopeia tão triste que pelo ar parece um arquejante soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação, e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais niveladora das obras humanas.


    JOÃO DO RIO. A alma encantadora das ruas.
    São Paulo: Cia. das Letras, 2008.



    Nesse trecho, as metáforas usadas pelo narrador caracterizam a rua como um lugar que retrata a
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  • 078A4789-D9

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
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    Imagem da questão de Português, da prova de 2024


    Nesse anúncio publicitário, o trecho que concentra concomitantemente marcas das funções conativa e emotiva da linguagem é
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  • 077B7D9A-D9

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2024



    Ao abordar a temática das mídias, esse cartum critica

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  • 0776342A-D9

    Inglês

    Tradução | Translation
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         The Middle East is warming faster than much of the world, and Kuwait is moving towards unbearable temperatures.

        With the mercury topping 53°C, three Kuwaiti citizens — an influencer, a weather forecaster and a retired civil servant — raised the alarm.

          They urged that Kuwait must not be allowed to get any hotter — and none of them had a solution to offer.

         The Global Climate Summit (COP26) in Glasgow was seen as crucial if climate change is to be brought under control. Almost 200 countries were asked for their plans to cut emissions, and it could lead to major changes to our everyday lives.

    Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 26 out. 2021 (adaptado).


    Nesse texto, o vocábulo “unbearable” enfatiza a 
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  • 07737C9A-D9

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
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    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2024



    Essa história em quadrinhos, que apresenta dois personagens frente a um quadro, ilustra a




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  • 5E6866D7-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Uma fábrica na qual os operários fossem, efetiva e integralmente, simples peças de máquinas executando cegamente as ordens da direção pararia em quinze minutos. O capitalismo só pode funcionar com a contribuição constante da atividade propriamente humana de seus subjugados que, ao mesmo tempo, tenta reduzir e desumanizar o mais possível.


    CASTORIADIS, C. A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.


    O texto apresenta uma contradição interna do capitalismo caracterizada pela
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  • 5E390F89-D8

    Português

    Gêneros Textuais
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    As capas dos folhetos de cordel, já então ilustradas por postais fotográficos, desenhos ou fotogramas de filmes, demoravam mais de uma semana para serem transformadas em clichês em Recife ou Fortaleza, o que levou a que santeiros e artesãos locais fossem requisitados para cortar na umburana — madeira preferida para o taco xilográfico pela facilidade do talhe e abundância — princesas, dragões, cangaceiros.

    CARVALHO, G. Xilogravura: os percursos da criação popular. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 39, 1986 (adaptado).

    No início do século XX, a incorporação da técnica de produção descrita no texto promoveu uma renovação da
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  • 5DC96B09-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Marília acorda

          Tomo café em golinhos para não queimar meus lábios ressequidos. Como pão em pedacinhos para não engasgar com um farelo mais duro. Marília come também, mas olha o tempo todo para baixo. Parece que tem um acanhamento novo entre a gente. Termino. Olho mais uma vez pela janela. O dia está bom. Quero caminhar pelo pátio. Marília levanta, pega o andador e põe ao lado da cama. Ela sabe que eu quero levantar sozinha, e levanto. O lance de escadas, apesar de pequeno, ainda me causa problemas, mas não quero um elevador na casa e não vou tolerar descer uma rampa de cadeira de rodas. Marília abre a porta e saímos para a manhã. O dia está mais fresco do que eu imaginava. Ela pega uma manta de tricô que temos desde não sei quando e põe sobre as minhas costas. Ela aperta meus ombros com muita força, porque mesmo depois de todos esses anos, não descobriu a medida certa do carinho. Eu gosto. Porque entendo que naquele ato, naquela força está o nosso carinho.


    POLESSO, N. B. Amora. Porto Alegre: Não Editora, 2015.


    Nesse trecho, o drama do declínio físico da narradora transmite uma sensibilidade lírica centrada na
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  • 5DC6C4F2-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Cap. XLVIII / Terpsícore


    Ao contrário do que ficou dito atrás, Flora não se aborreceu na ilha. Conjeturei mal, emendo-me a tempo. Podia aborrecer-se pelas razões que lá ficam, e ainda outras que poupei ao leitor apressado; mas, em verdade, passou bem a noite. A novidade da festa, a vizinhança do mar, os navios perdidos na sombra, a cidade defronte com os seus lampiões de gás, embaixo e em cima, na praia e nos outeiros, eis aí aspectos novos que a encantaram durante aquelas horas rápidas

    . Não lhe faltavam pares, nem conversação, nem alegria alheia e própria. Toda ela compartia da felicidade dos outros. Via, ouvia, sorria, esquecia-se do resto para se meter consigo. Também invejava a princesa imperial, que viria a ser imperatriz um dia, com o absoluto poder de despedir ministros e damas, visitas e requerentes, e ficar só, no mais recôndito do paço, fartando-se de contemplação ou de música. Era assim que Flora definia o ofício de governar. Tais ideias passavam e tornavam. De uma vez alguém lhe disse, como para lhe dar força: “Toda alma livre é imperatriz!”.

    ASSIS, M. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1974.


    Convidada para o último baile do Império, na Ilha Fiscal, localizada no Rio de Janeiro, Flora devaneia sobre aspectos daquele contexto, no qual o narrador ironiza a
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  • 5DC17503-D8

    Português

    Denotação e Conotação
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    Meu irmão é filho adotivo. Há uma tecnicidade no termo, filho adotivo, que contribui para sua aceitação social. Há uma novidade que por um átimo o absolve das mazelas do passado, que parece limpá-lo de seus sentidos indesejáveis. Digo que meu irmão é filho adotivo e as pessoas tendem a assentir com solenidade, disfarçando qualquer pesar, baixando os olhos como se não sentissem nenhuma ânsia de perguntar mais nada. Talvez compartilhem da minha inquietude, talvez de fato se esqueçam do assunto no próximo gole ou na próxima garfada. Se a inquietude continua a reverberar em mim, é porque ouço a frase também de maneira parcial — meu irmão é filho — e é difícil aceitar que ela não termine com a verdade tautológica habitual: meu irmão é filho dos meus pais. Estou entoando que meu irmão é filho e uma interrogação sempre me salta aos lábios: filho de quem?

    FUCKS, J. A resistência. São Paulo: Cia. das Letras, 2015.


    Das reflexões do narrador, apreende-se uma perspectiva que associa a adoção
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  • 5DBEC055-D8

    Literatura

    Teoria Literária
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    Data venia

    Conheci Bentinho e Capitu nos meus curiosos e antigos quinze anos. E os olhos de água da jovem de Matacavalos atraíram-me, seduziram-me ao primeiro contato. Aliados ao seu jeito de ser, flor e mistério. Mas tomou-me também a indignação diante do narrador e seu texto, feito de acusação e vilipêndio. Sem qualquer direito de defesa. Sem acesso ao discurso, usurpado, sutilmente, pela palavra autoritária do marido, algoz, em pele de cordeiro vitimado. Crudelíssimo e desumano: não bastasse o que faz com a mulher, chega a desejar a morte do próprio filho e a festejá-la com um jantar, sem qualquer remorso. No fundo, uma pobre consciência dilacerada, um homem dividido, que busca encontrar-se na memória, e acaba faltando-se a si mesmo. Retomei inúmeras vezes a triste história daquele amor em desencanto. Familiarizei-me, ao longo do tempo, com a crítica do texto; poucos, muito poucos, escapam das bem traçadas linhas do libelo condenatório; no mínimo concedem à ré o beneplácito da dúvida: convertem-na num enigma indecifrável, seu atributo consagrador.

    Eis que, diante de mais um retorno ao romance, veio a iluminação: por que não dar voz plena àquela mulher, brasileira do século XIX, que, apesar de todas as artimanhas e do maquiavelismo do companheiro, se converte numa das mais fascinantes criaturas do gênio que foi Machado de Assis?

    A empresa era temerária, mas escrever é sempre um risco. Apoiado no espaço de liberdade em que habita a Literatura, arrisquei-me.

    O resultado: este livro em que, além-túmulo, como Brás Cubas, a dona dos olhos de ressaca assume, à luz do mistério da arte literária e do próprio texto do Dr. Bento Santiago, seu discurso e sua verdade.


    PROENÇA FILHO, D. Capitu: memórias póstumas. Rio de Janeiro: Atrium, 1998.



    Para apresentar a apropriação literária que faz da obra de Machado de Assis, o autor desse texto
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  • 5DB3BE3A-D8

    Literatura

    Teoria Literária
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    — Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!

    Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode?

    — perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.

    — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.

    RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009.


    Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita que
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  • 5DAB12C8-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I

    A linguagem visual dos adornos transmite informações sobre prestígio e transgressão, direito e dever, pois só é permitido ao indivíduo o uso de adornos de sua linhagem. Quando diretamente vinculadas aos conceitos cosmológicos, as artes indígenas convertem-se antes em prismas que refletem as concepções acerca da composição do universo e dos componentes que o povoam.

    AGUILAR, N. (Org.); DIAS, J. A. B. F.; VELTHEN, L. H. V. Mostra do redescobrimento: artes indígenas. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo-Associação Brasil 500 anos, 2000 (adaptado).


    Imagem da questão de Português, da prova de 2024



    Pela leitura desses textos, infere-se que a compreensão da arte plumária indígena requer a consideração da
    Escolha uma alternativa para a questão 5dab12c8-d8
  • 5D9898E8-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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    Maranhenses que moram longe matam a saudade da terra natal usando expressões próprias do estado. Se o maranhês impressiona e desperta a curiosidade de quem mora no próprio Maranhão, imagine de quem vem de outros estados e países? A variedade linguística local é enorme e o modo de falar tão próprio e característico dos maranhenses vem conquistando muita gente e inspirando títulos e muito conteúdo digital com a criação de podcasts, blogs, perfis na internet, além de estampar diversos tipos de produtos e serviços de empresas locais.

    Com saudades do Maranhão, morando há 16 anos no Rio de Janeiro, um fotógrafo maranhense criou um perfil na internet no qual compartilha a culinária, brincadeiras e o ‘dicionário’ maranhês. “A primeira vez que fui a uma padaria no Rio, na inocência, pedi 3 reais de ‘pães misturados’. Quando falei isso, as pessoas pararam e me olharam de uma forma bem engraçada, aí já fiquei ‘encabulado, ó’ e o atendente sorriu e explicou que lá não existia pão misturado e, sim, pão francês e suíço. Depois foi a minha vez de explicar sobre os pães ‘massa grossa e massa fina’”, contou o fotógrafo, com humor.


    Disponível em: https://oimparcial.com.br. Acesso em: 1 nov. 2021 (adaptado).


    A vivência relatada no texto evidencia que as variedades linguísticas
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  • 5D904188-D8

    Português

    Interpretação de Textos
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        Evanildo Bechara prepara a sua aposentadoria de pouco em pouco, como se a adiasse ao máximo. Aos 95 anos, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) alcançou um status de astro pop no mundo da filologia e da gramática. Quando ainda tinha saúde para viagens mais longas, o filólogo lotava plateias em suas palestras na Europa e no Brasil, que não raro terminavam com filas para selfies.

         A idade acentuou o lado “cientista” e professoral de Bechara, que adota um tom técnico na conversa até mesmo diante das perguntas mais pessoais. — “Qual o seu tipo preferido de leitura?”. — “A minha leitura está dividida em duas partes, a científica e a literária, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre elas.” — responde.

      Ainda adolescente, Bechara descobriu a lexicologia. Um “novo mundo” se abriu para o pernambucano, que se mantém atento às metamorfoses do nosso idioma. Seu colega de ABL, o filólogo Ricardo Cavaliere, se lembra de quando deu carona para o mestre e este encucou com os estrangeirismos do aplicativo de navegação instalado no veículo. — “A vozinha do aplicativo avisou que havia um radar de velocidade ‘reportado’ à frente”, lembra Cavaliere. — “Esse ‘reportado’ é uma importação, né?”, notou Bechara.

    Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 3 jan. 2024 (adaptado).


    Nesse texto, as falas atribuídas a Evanildo Bechara são representativas da variedade linguística 
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