Questões do ENEM: Linguagens e Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)

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111 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 6.

  • D1BAFE30-E4

    Inglês

    Aspectos linguísticos | Linguistic aspects
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

                                                 IX

    Horas depois, teve Rubião um pensamento horrível. Podiam crer que ele próprio incitara o amigo à viagem, para o fim de o matar mais depressa, e entrar na posse do legado, se é que realmente estava incluso no testamento. Sentiu remorsos. Por que não empregou todas as forças, para contê-lo? Viu o cadáver do Quincas Borba, pálido, hediondo, fitando nele um olhar vingativo; resolveu, se acaso o fatal desfecho se desse em viagem, abrir mão do legado.

    Pela sua parte o cão vivia farejando, ganindo, querendo fugir; não podia dormir quieto, levantava-se muitas vezes, à noite, percorria a casa, e tornava ao seu canto. De manhã, Rubião chamava-o à cama, e o cão acudia alegre; imaginava que era o próprio dono; via depois que não era, mas aceitava as carícias, e fazia-lhe outras, como se Rubião tivesse de levar as suas ao amigo, ou trazê-lo para ali. Demais, havia-se-lhe afeiçoado também, e para ele era a ponte que o ligava à existência anterior. Não comeu durante os primeiros dias. Suportando menos a sede, Rubião pôde alcançar que bebesse leite; foi a única alimentação por algum tempo. Mais tarde, passava as horas, calado, triste, enrolado em si mesmo, ou então com o corpo estendido e a cabeça entre as mãos.

    Quando o médico voltou, ficou espantado da temeridade do doente; deviam tê-lo impedido de sair; a morte era certa.

    — Certa?

    — Mais tarde ou mais cedo. Levou o tal cachorro?

    — Não, senhor, está comigo; pediu que cuidasse dele, e chorou, olhe que chorou que foi um nunca acabar. Verdade é, disse ainda Rubião para defender o enfermo, verdade é que o cachorro merece a estima do dono; parece gente.

    O médico tirou o largo chapéu de palha para concertar a fita; depois sorriu. Gente? Com que então parecia gente? Rubião insistia, depois explicava; não era gente como a outra gente, mas tinha coisas de sentimento, e até de juízo. Olhe, ia contar-lhe uma...

    — Não, homem, não, logo, logo, vou a um doente de erisipela... Se vierem cartas dele, e não forem reservadas, desejo vê-las, ouviu? E lembranças ao cachorro, concluiu saindo.

    Algumas pessoas começaram a mofar do Rubião e da singular incumbência de guardar um cão em vez de ser o cão que o guardasse a ele. Vinha a risota, choviam as alcunhas. Em que havia de dar o professor! sentinela de cachorro! Rubião tinha medo da opinião pública. Com efeito, parecia-lhe ridículo; fugia aos olhos estranhos, olhava com fastio para o animal, dava-se ao diabo, arrenegava da vida. Não tivesse a esperança de um legado, pequeno que fosse. Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 30-31.)

    The Text 8 mentions a disease called erysipelas. Read the dictionary entry below and complete it with the words from the box:
    a hemolytic streptococcus / febrile / Function / inflammation / Main Entry / Pronunciation / Definition
    1 - _____________: er·y·sip·e·las
    2 - _____________: ˌer-ə-ˈsip-(ə-)ləs, ˌir-
    3 - _____________: noun
    4 - _____________: an acute 5 - __________ disease that is associated with intense often vesicular and edematous local 6 - ____________of the skin and subcutaneous tissues and that is caused by 7 - ______________________.

    (Available at http://c.merriam-webster.com/medlineplus/erysipelas., accessed on July 14th, 2016.)

    Choose the appropriate alternative:
    Escolha uma alternativa para a questão d1bafe30-e4
  • D1B859A0-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

                                                 IX

    Horas depois, teve Rubião um pensamento horrível. Podiam crer que ele próprio incitara o amigo à viagem, para o fim de o matar mais depressa, e entrar na posse do legado, se é que realmente estava incluso no testamento. Sentiu remorsos. Por que não empregou todas as forças, para contê-lo? Viu o cadáver do Quincas Borba, pálido, hediondo, fitando nele um olhar vingativo; resolveu, se acaso o fatal desfecho se desse em viagem, abrir mão do legado.

    Pela sua parte o cão vivia farejando, ganindo, querendo fugir; não podia dormir quieto, levantava-se muitas vezes, à noite, percorria a casa, e tornava ao seu canto. De manhã, Rubião chamava-o à cama, e o cão acudia alegre; imaginava que era o próprio dono; via depois que não era, mas aceitava as carícias, e fazia-lhe outras, como se Rubião tivesse de levar as suas ao amigo, ou trazê-lo para ali. Demais, havia-se-lhe afeiçoado também, e para ele era a ponte que o ligava à existência anterior. Não comeu durante os primeiros dias. Suportando menos a sede, Rubião pôde alcançar que bebesse leite; foi a única alimentação por algum tempo. Mais tarde, passava as horas, calado, triste, enrolado em si mesmo, ou então com o corpo estendido e a cabeça entre as mãos.

    Quando o médico voltou, ficou espantado da temeridade do doente; deviam tê-lo impedido de sair; a morte era certa.

    — Certa?

    — Mais tarde ou mais cedo. Levou o tal cachorro?

    — Não, senhor, está comigo; pediu que cuidasse dele, e chorou, olhe que chorou que foi um nunca acabar. Verdade é, disse ainda Rubião para defender o enfermo, verdade é que o cachorro merece a estima do dono; parece gente.

    O médico tirou o largo chapéu de palha para concertar a fita; depois sorriu. Gente? Com que então parecia gente? Rubião insistia, depois explicava; não era gente como a outra gente, mas tinha coisas de sentimento, e até de juízo. Olhe, ia contar-lhe uma...

    — Não, homem, não, logo, logo, vou a um doente de erisipela... Se vierem cartas dele, e não forem reservadas, desejo vê-las, ouviu? E lembranças ao cachorro, concluiu saindo.

    Algumas pessoas começaram a mofar do Rubião e da singular incumbência de guardar um cão em vez de ser o cão que o guardasse a ele. Vinha a risota, choviam as alcunhas. Em que havia de dar o professor! sentinela de cachorro! Rubião tinha medo da opinião pública. Com efeito, parecia-lhe ridículo; fugia aos olhos estranhos, olhava com fastio para o animal, dava-se ao diabo, arrenegava da vida. Não tivesse a esperança de um legado, pequeno que fosse. Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança.

    (ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 30-31.)

    Desenvolvido incialmente como um folhetim, o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, utiliza a ironia e o pessimismo para retratar e questionar os costumes da época. Sobre essa obra é possível afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d1b859a0-e4
  • D1A9B8B4-E4

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

                       O mistério dos hippies desaparecidos

    Ide ao Mercadão da Travessa do Carmo. Que vereis? O alegre, o pitoresco, o colorido. Admirai a excelente organização: cada artesão em seu quadrado, exibindo belos trabalhos.

    Mas... Nada vos chama a atenção?

    Não? Neste caso, pergunto-vos: onde estão os hippies da Praça Dom Feliciano? Isso mesmo, aqueles que ficavam na frente da Santa Casa. Onde estão? Não sabeis?

    O homem de cinza sabe.

    O homem de cinza vinha todos os dias à Praça Dom Feliciano. Ficava muito tempo olhando os hippies, que não lhe davam maior atenção. O homem, ao contrário, parecia muito interessado neles: examinava os objetos expostos, indagava por preços, por detalhes da manufatura. E anotava tudo numa caderneta de capa preta. Um dia perguntou aos hippies onde moravam. Por aí, respondeu um rapaz. Numa comuna? — perguntou o homem. Não, não era em nenhuma comuna; na realidade, estavam ao relento. O homem então disse que eles deveriam morar juntos numa comuna. Ficaria mais fácil, mais prático. O rapaz concordou. Não estava com muita vontade de falar; contudo, acrescentou, depois de uma pausa, que o problema era encontrar o lugar para a comuna.

    Não é problema, disse o homem; eu tenho uma chácara lá na Vila Nova, com uma boa casa, gramados, árvores frutíferas. Se vocês quiserem, podem ficar lá. No amor? — perguntou o rapaz.

    — No amor, bicho — respondeu o homem, rindo. Só quero que vocês tomem conta da casa. Os hippies confabularam entre si e resolveram aceitar. O homem levou-os — eram doze, entre rapazes e moças — à chácara, numa camioneta Veraneio. Deixou-os lá.

    Durante algum tempo não apareceu. Mas, num domingo, deu as caras. Conversou com os jovens sobre a chácara, contou histórias interessantes. Finalmente, pediu para ver o que tinham feito de artesanato. Examinou as peças atentamente e disse:

    — Posso dar uma sugestão? Eles concordaram. Como não haveriam de concordar? Mas foi assim que começou. O homem organizou-os em equipes: a equipe dos cintos, a equipe das pulseiras, a equipe das bolsas.

    Ensinou-os a trabalhar pelo sistema de linha de montagem; racionalizou cada tarefa, cada atividade.

    Disciplinou a vida deles, também. Centralizou todo o consumo de tóxicos. Fornecia drogas mediante vales, resgatados ao fim do mês, conforme a produção. Permitiu que se vestissem como desejavam, mas era rígido na escala de trabalho. Seis dias por semana, folga às quartas — nos domingos tinham de trabalhar. Nestes dias, o homem de cinza admitia visitantes na chácara, mediante o pagamento de ingressos. Um guia especialmente treinado acompanhava-os, explicando todos os detalhes acerca dos hippies, estes seres curiosos.

    O homem de cinza já era muito rico, mas agora está multimilionário. É que organizou uma firma, e exporta para os Estados Unidos e para o Mercado Comum Europeu cintos, pulseiras e bolsas.

    Parece que, para esses artigos, não há sobretaxa de exportações. Escreveu um livro — Minha Vida Entre os Hippies — que tem se constituído em autêntico êxito de livraria; uma adaptação para a televisão, sob forma de novela, está quase pronta. E quem ouviu a trilha sonora, garante que é um estouro.

    Tem apenas um temor, este homem. É que um dos hippies, de uma hora para outra, cortou o cabelo, passou a tomar banho — e usa agora um decente terno cinza. Por enquanto ainda não se manifestou; mas trata-se — o homem de cinza está convencido disto — de um autêntico contestador.

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. São Paulo: Global, 2003. p. 130-132.)

    Match the columns to form statements about “hippies”:

    I - They usually sell...

    II - They were young people in the 1960s and 1970s who...

    III - They try to live...

    IV - They often have...

    ( ) …long hair and many of them take drugs.

    ( ) …rejected conventional ways of living, dressing, and behaving.

    ( ) …based on peace and love.

    ( ) …handcraft.

    The right sequence is:

    Escolha uma alternativa para a questão d1a9b8b4-e4
  • D19F9574-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

                       O mistério dos hippies desaparecidos

    Ide ao Mercadão da Travessa do Carmo. Que vereis? O alegre, o pitoresco, o colorido. Admirai a excelente organização: cada artesão em seu quadrado, exibindo belos trabalhos.

    Mas... Nada vos chama a atenção?

    Não? Neste caso, pergunto-vos: onde estão os hippies da Praça Dom Feliciano? Isso mesmo, aqueles que ficavam na frente da Santa Casa. Onde estão? Não sabeis?

    O homem de cinza sabe.

    O homem de cinza vinha todos os dias à Praça Dom Feliciano. Ficava muito tempo olhando os hippies, que não lhe davam maior atenção. O homem, ao contrário, parecia muito interessado neles: examinava os objetos expostos, indagava por preços, por detalhes da manufatura. E anotava tudo numa caderneta de capa preta. Um dia perguntou aos hippies onde moravam. Por aí, respondeu um rapaz. Numa comuna? — perguntou o homem. Não, não era em nenhuma comuna; na realidade, estavam ao relento. O homem então disse que eles deveriam morar juntos numa comuna. Ficaria mais fácil, mais prático. O rapaz concordou. Não estava com muita vontade de falar; contudo, acrescentou, depois de uma pausa, que o problema era encontrar o lugar para a comuna.

    Não é problema, disse o homem; eu tenho uma chácara lá na Vila Nova, com uma boa casa, gramados, árvores frutíferas. Se vocês quiserem, podem ficar lá. No amor? — perguntou o rapaz.

    — No amor, bicho — respondeu o homem, rindo. Só quero que vocês tomem conta da casa. Os hippies confabularam entre si e resolveram aceitar. O homem levou-os — eram doze, entre rapazes e moças — à chácara, numa camioneta Veraneio. Deixou-os lá.

    Durante algum tempo não apareceu. Mas, num domingo, deu as caras. Conversou com os jovens sobre a chácara, contou histórias interessantes. Finalmente, pediu para ver o que tinham feito de artesanato. Examinou as peças atentamente e disse:

    — Posso dar uma sugestão? Eles concordaram. Como não haveriam de concordar? Mas foi assim que começou. O homem organizou-os em equipes: a equipe dos cintos, a equipe das pulseiras, a equipe das bolsas.

    Ensinou-os a trabalhar pelo sistema de linha de montagem; racionalizou cada tarefa, cada atividade.

    Disciplinou a vida deles, também. Centralizou todo o consumo de tóxicos. Fornecia drogas mediante vales, resgatados ao fim do mês, conforme a produção. Permitiu que se vestissem como desejavam, mas era rígido na escala de trabalho. Seis dias por semana, folga às quartas — nos domingos tinham de trabalhar. Nestes dias, o homem de cinza admitia visitantes na chácara, mediante o pagamento de ingressos. Um guia especialmente treinado acompanhava-os, explicando todos os detalhes acerca dos hippies, estes seres curiosos.

    O homem de cinza já era muito rico, mas agora está multimilionário. É que organizou uma firma, e exporta para os Estados Unidos e para o Mercado Comum Europeu cintos, pulseiras e bolsas.

    Parece que, para esses artigos, não há sobretaxa de exportações. Escreveu um livro — Minha Vida Entre os Hippies — que tem se constituído em autêntico êxito de livraria; uma adaptação para a televisão, sob forma de novela, está quase pronta. E quem ouviu a trilha sonora, garante que é um estouro.

    Tem apenas um temor, este homem. É que um dos hippies, de uma hora para outra, cortou o cabelo, passou a tomar banho — e usa agora um decente terno cinza. Por enquanto ainda não se manifestou; mas trata-se — o homem de cinza está convencido disto — de um autêntico contestador.

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. São Paulo: Global, 2003. p. 130-132.)

    É da natureza do conto a ressignificação de breves e fortuitas situações, reais ou imaginárias, do que decorre uma tensão narrativa de efeito único e singular no leitor. Moacyr Scliar é conhecido, em sua produção nesse gênero, pela aguda percepção do homem em sua subjetividade e pela perspectiva crítica de sua abordagem. Sobre o conto “O mistério dos hippies desaparecidos” (Texto 7), considere as afirmações que seguem:
    I - O caráter interesseiro do ser humano é um dos focos da crítica do autor.
    II - O mistério referido no título sugere também o mistério próprio da natureza humana.
    III - O homem de cinza encarna um tipo genérico, identificando um comportamento.
    IV - A ironia, recurso comum à literatura de feição crítica, comparece no desfecho do conto.

    Assinale a única alternativa que apresenta todos os itens corretos:
    Escolha uma alternativa para a questão d19f9574-e4
  • D19A32FD-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

                       O mistério dos hippies desaparecidos

    Ide ao Mercadão da Travessa do Carmo. Que vereis? O alegre, o pitoresco, o colorido. Admirai a excelente organização: cada artesão em seu quadrado, exibindo belos trabalhos.

    Mas... Nada vos chama a atenção?

    Não? Neste caso, pergunto-vos: onde estão os hippies da Praça Dom Feliciano? Isso mesmo, aqueles que ficavam na frente da Santa Casa. Onde estão? Não sabeis?

    O homem de cinza sabe.

    O homem de cinza vinha todos os dias à Praça Dom Feliciano. Ficava muito tempo olhando os hippies, que não lhe davam maior atenção. O homem, ao contrário, parecia muito interessado neles: examinava os objetos expostos, indagava por preços, por detalhes da manufatura. E anotava tudo numa caderneta de capa preta. Um dia perguntou aos hippies onde moravam. Por aí, respondeu um rapaz. Numa comuna? — perguntou o homem. Não, não era em nenhuma comuna; na realidade, estavam ao relento. O homem então disse que eles deveriam morar juntos numa comuna. Ficaria mais fácil, mais prático. O rapaz concordou. Não estava com muita vontade de falar; contudo, acrescentou, depois de uma pausa, que o problema era encontrar o lugar para a comuna.

    Não é problema, disse o homem; eu tenho uma chácara lá na Vila Nova, com uma boa casa, gramados, árvores frutíferas. Se vocês quiserem, podem ficar lá. No amor? — perguntou o rapaz.

    — No amor, bicho — respondeu o homem, rindo. Só quero que vocês tomem conta da casa. Os hippies confabularam entre si e resolveram aceitar. O homem levou-os — eram doze, entre rapazes e moças — à chácara, numa camioneta Veraneio. Deixou-os lá.

    Durante algum tempo não apareceu. Mas, num domingo, deu as caras. Conversou com os jovens sobre a chácara, contou histórias interessantes. Finalmente, pediu para ver o que tinham feito de artesanato. Examinou as peças atentamente e disse:

    — Posso dar uma sugestão? Eles concordaram. Como não haveriam de concordar? Mas foi assim que começou. O homem organizou-os em equipes: a equipe dos cintos, a equipe das pulseiras, a equipe das bolsas.

    Ensinou-os a trabalhar pelo sistema de linha de montagem; racionalizou cada tarefa, cada atividade.

    Disciplinou a vida deles, também. Centralizou todo o consumo de tóxicos. Fornecia drogas mediante vales, resgatados ao fim do mês, conforme a produção. Permitiu que se vestissem como desejavam, mas era rígido na escala de trabalho. Seis dias por semana, folga às quartas — nos domingos tinham de trabalhar. Nestes dias, o homem de cinza admitia visitantes na chácara, mediante o pagamento de ingressos. Um guia especialmente treinado acompanhava-os, explicando todos os detalhes acerca dos hippies, estes seres curiosos.

    O homem de cinza já era muito rico, mas agora está multimilionário. É que organizou uma firma, e exporta para os Estados Unidos e para o Mercado Comum Europeu cintos, pulseiras e bolsas.

    Parece que, para esses artigos, não há sobretaxa de exportações. Escreveu um livro — Minha Vida Entre os Hippies — que tem se constituído em autêntico êxito de livraria; uma adaptação para a televisão, sob forma de novela, está quase pronta. E quem ouviu a trilha sonora, garante que é um estouro.

    Tem apenas um temor, este homem. É que um dos hippies, de uma hora para outra, cortou o cabelo, passou a tomar banho — e usa agora um decente terno cinza. Por enquanto ainda não se manifestou; mas trata-se — o homem de cinza está convencido disto — de um autêntico contestador.

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. São Paulo: Global, 2003. p. 130-132.)

    O desfecho do Texto 7 é surpreendente e crítico. Ao dizer que “um dos hippies, de uma hora para outra, cortou o cabelo, passou a tomar banho – e usa um decente terno cinza”, o enunciador faz uso de que recurso linguístico? Assinale a resposta correta:
    Escolha uma alternativa para a questão d19a32fd-e4
  • D18F09E1-E4

    Inglês

    Tradução | Translation
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    Arandir — Posso ir?

    Comissário Barros — Pode.

    Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

    Cunha — Um minutinho.

    Arandir (incerto) — Comigo?

    Cunha — Um momento.

    Barros — Já prestou declarações.

    Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

    Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

    Amado — Senta.

    Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

    Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

    Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

    Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

    Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

    Cunha — Não te mete.

    (Arandir ergue-se, sôfrego.)

    Arandir — Posso telefonar?

    Cunha — Mais tarde.

    (Amado cutuca o fotógrafo.)

    Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

    Arandir — Retrato?

    Amado — Nervoso, rapaz?

    (Arandir senta-se, une os joelhos.)

    Arandir — Absolutamente!

    Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

    — Você é casado, rapaz?

    Arandir — Não ouvi.

    Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

    Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

    Arandir — Casado.

    Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

    Barros — Eu sabia.

    Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

    Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

    (Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

    Arandir — Naturalmente!

    Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

    Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

    Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

    Arandir — Bem. Fui lá e...

    Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

    Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

    Cunha (alto) — Joia!

    Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

    Amado — Casado há quanto tempo?

    Arandir — Eu?

    Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

    ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

    Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

    Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

    Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

    Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

    Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

    (RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

    In English there are different ways to say “Completamente nua” (Text 6). Read the sentences below and choose the one or ones which has or have the same idea:

    I - Someone is completely naked.

    II - Someone has nothing on.

    III - Someone doesn’t have anything on.

    IV - Someone ran through the yard with nothing on.

    The correct choice is:

    Escolha uma alternativa para a questão d18f09e1-e4
  • D1873702-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    Arandir — Posso ir?

    Comissário Barros — Pode.

    Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

    Cunha — Um minutinho.

    Arandir (incerto) — Comigo?

    Cunha — Um momento.

    Barros — Já prestou declarações.

    Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

    Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

    Amado — Senta.

    Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

    Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

    Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

    Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

    Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

    Cunha — Não te mete.

    (Arandir ergue-se, sôfrego.)

    Arandir — Posso telefonar?

    Cunha — Mais tarde.

    (Amado cutuca o fotógrafo.)

    Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

    Arandir — Retrato?

    Amado — Nervoso, rapaz?

    (Arandir senta-se, une os joelhos.)

    Arandir — Absolutamente!

    Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

    — Você é casado, rapaz?

    Arandir — Não ouvi.

    Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

    Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

    Arandir — Casado.

    Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

    Barros — Eu sabia.

    Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

    Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

    (Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

    Arandir — Naturalmente!

    Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

    Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

    Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

    Arandir — Bem. Fui lá e...

    Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

    Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

    Cunha (alto) — Joia!

    Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

    Amado — Casado há quanto tempo?

    Arandir — Eu?

    Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

    ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

    Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

    Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

    Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

    Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

    Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

    (RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

    No Texto 6, o personagem Cunha enuncia as seguintes sentenças em momentos distintos: “gosta de sua mulher, rapaz?” e “gosta de mulher, rapaz?” Assinale a alternativa que manifesta, respectivamente, o pressuposto correto extraído de cada uma delas:
    Escolha uma alternativa para a questão d1873702-e4
  • D181BF30-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

    É com certa sabedoria que se diz: pelos olhos se conhece uma pessoa. Bem, há olhares de todos os tipos — dos dissimulados aos da cobiça, seja pelo vil metal ou pelo sexo.

    Garimpeiro se conhece pelos olhos. Olhos de febre, que flamejam e reluzem. Há, em suas pupilas, o ouro. O brilho dourado tatua a íris. Trata-se apenas de um reflexo de sua alma e daquilo que corre em suas veias. É um vírus. A princípio, um sonho distante, mas, ao correr dos dias, torna-se uma angustiante busca. Na primeira vez que o ouro fagulha na sua frente, na bateia, toda a alma se contamina e o vírus se transforma em doença incurável.

    Todos, no garimpo, têm histórias semelhantes. Têm família, filhos, empregos em suas cidades, nos distantes estados, mas, de repente, espalha-se a notícia do ouro. Então, largam tudo, vendem a roupa do corpo e lá se vão. Caçar o rastro do ouro é a sina. Nos olhos, a febre — um brilho dourado doentio. Sim, é fácil conhecer um garimpeiro.

    Todos sabem que, no garimpo, não é lugar para se viver. Mas ninguém abandona o seu posto. Suor, lama, pedregulhos, pepitas douradas, cansaço — é a vida que até o diabo rejeita.

    Por onde passam, o rastro da destruição. A  Amazônia é nossa. Tratores e retroescavadeiras derrubam e limpam a floresta; as dragas chegam, os rios se contaminam rapidamente de mercúrio. Quem pode mais chora menos. Na trilha do brilho dourado, nada se preserva. Ai daqueles que levantarem alguma voz... No dia seguinte, o corpo é encontrado no meio da selva, um bom prato aos bichos.

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 5-6. Adaptado.)

    O Texto 5 abre o longo romance Sangue verde e cumpre a função de apresentar a visão do narrador sobre o garimpeiro – um dos inúmeros tipos que comporão o enredo – e os efeitos de sua ação sobre o meio ambiente, no caso, a Floresta Amazônica. Nesse fragmento instaura-se o espaço narrativo como elemento mobilizador de todos os conflitos da trama, e confirma-se a crítica do autor à exploração do meio pelo homem, mediante o uso da ironia. Assinale dentre as alternativas a seguir, que apresenta uma passagem do texto em que isso fica mais evidente:
    Escolha uma alternativa para a questão d181bf30-e4
  • D16EB2A8-E4

    Português

    Figuras de Linguagem
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

    É com certa sabedoria que se diz: pelos olhos se conhece uma pessoa. Bem, há olhares de todos os tipos — dos dissimulados aos da cobiça, seja pelo vil metal ou pelo sexo.

    Garimpeiro se conhece pelos olhos. Olhos de febre, que flamejam e reluzem. Há, em suas pupilas, o ouro. O brilho dourado tatua a íris. Trata-se apenas de um reflexo de sua alma e daquilo que corre em suas veias. É um vírus. A princípio, um sonho distante, mas, ao correr dos dias, torna-se uma angustiante busca. Na primeira vez que o ouro fagulha na sua frente, na bateia, toda a alma se contamina e o vírus se transforma em doença incurável.

    Todos, no garimpo, têm histórias semelhantes. Têm família, filhos, empregos em suas cidades, nos distantes estados, mas, de repente, espalha-se a notícia do ouro. Então, largam tudo, vendem a roupa do corpo e lá se vão. Caçar o rastro do ouro é a sina. Nos olhos, a febre — um brilho dourado doentio. Sim, é fácil conhecer um garimpeiro.

    Todos sabem que, no garimpo, não é lugar para se viver. Mas ninguém abandona o seu posto. Suor, lama, pedregulhos, pepitas douradas, cansaço — é a vida que até o diabo rejeita.

    Por onde passam, o rastro da destruição. A  Amazônia é nossa. Tratores e retroescavadeiras derrubam e limpam a floresta; as dragas chegam, os rios se contaminam rapidamente de mercúrio. Quem pode mais chora menos. Na trilha do brilho dourado, nada se preserva. Ai daqueles que levantarem alguma voz... No dia seguinte, o corpo é encontrado no meio da selva, um bom prato aos bichos.

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 5-6. Adaptado.)

    Assinale a alternativa que apresenta uma metáfora reveladora do posicionamento contrário do narrador em relação à prática do garimpo na Amazônia:
    Escolha uma alternativa para a questão d16eb2a8-e4
  • D1695397-E4

    Português

    Denotação e Conotação
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    O Texto 4, fragmento do romance Mesa dos inocentes, confirma a ideia de que o texto literário é um objeto de linguagem cuja função é confrontar o leitor com o mundo engendrado na obra. Para mobilizar o leitor de ficção, há comumente um investimento do autor no aspecto conotativo da linguagem. Identifique, a seguir, os itens que confirmam esse aspecto:
    I - “O rio recusou meu corpo, mas não a dor” .
    II - “Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite”.
    III - “O rio de nossa vida não é diferente”.
    IV - “Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas”.

    Marque a alternativa em que todos os itens estão corretos:
    Escolha uma alternativa para a questão d1695397-e4
  • D1632B34-E4

    Inglês

    Vocabulário | Vocabulary
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    In Barros’s paragraph, there is a lot of emphasis on liquidity, that is, the state of being liquid. For example, tear, water, river. Read the sentences below:

    I - There are lots of water lilies on the surface of river and lakes.

    II - The village is famous for its spectacular waterfalls.

    III - Can you tell me where the water fountain is? I am thirsty.

    IV - According to authorities, the water supply for the summer will be normal.

    Choose the ones which are related to this state. The best alternative is:

    Escolha uma alternativa para a questão d1632b34-e4
  • D15A8A09-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    Em determinado momento do Texto 4, a narrativa ganha contornos argumentativos visíveis quando o enunciador (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d15a8a09-e4
  • D15246D9-E4

    Português

    Gêneros Textuais
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    Sobre o texto “Escalada para o inferno” (Texto 3), é correto afirmar que se trata de (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d15246d9-e4
  • D14CF90E-E4

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    In Text 3, at the begining of the paragraph, the narrator says “Iniciava-se ali, meu estágio no inferno” and finishes it with “ia se encerrar meu estágio no inferno. Choose the best definition for the underlined words:
    Escolha uma alternativa para a questão d14cf90e-e4
  • D14539A0-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    Que aspecto linguístico é responsável por criar, no Texto 3, uma atmosfera dramática e misteriosa? Assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão d14539a0-e4
  • D1428330-E4

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)

    A poesia é uma expressão artística que permite associar imagens, palavras e ritmos. Sobre ela, podemos afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d1428330-e4
  • D13811A2-E4

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)


    As palavras “decifrar” e “saber” presentes no Texto 2 com o sentido de descobrir caminhos que o homem deve tomar relembram o drama de Alice no país das maravilhas, sobre o qual René Dubos, professor de Biomedicina Ambiental, propõe algumas reflexões acerca da ciência e seus valores. O fragmento a seguir mostra que, para o professor, as respostas do Gato Cheshire evidenciam que os cientistas não sabem para onde o conhecimento está levando a humanidade.

    “Lewis Carroll era professor de matemática na Universidade de Oxford quando escreveu o seguinte em Alice no país das maravilhas:

    ‘– Gato Cheshire... quer fazer o favor de me dizer qual é o caminho que eu devo tomar?

    – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.

    – Não me interessa muito para onde... – disse Alice.

    – Não tem importância então o caminho que você tomar – disse o Gato.

    – ... contanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como uma explicação.

    – Ah, disso pode ter certeza – disse o Gato – desde que caminhe bastante.’”

    (ARANHA, Maria Lúcia A.; MARTINS, Maria Helena P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009, p. 342.)


    Diz-se que a ciência não pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são intelectuais e não éticos. Porém, ela pode contribuir para a formulação de valores e, assim, estabelecer objetivos capazes de tornar o homem mais consciente das consequências de seus atos. A respeito das relações entre o fragmento de Lewis Carroll e as considerações do professor René Dubos, analise as afirmativas a seguir:

    I - A resposta dada pelo Gato Cheshire a Alice já enfatiza a importância de se chegar a um determinado lugar, pois o essencial na busca do conhecimento não são os valores e sim o fim último.

    II - A resposta do Gato aponta para uma reflexão: Alice precisa chegar a algum lugar, mas esse lugar pode ser indesejável. Portanto, ela deve fazer escolhas conscientes, para que esse lugar seja pelo menos desejável.

    III - Afirma-se que a ciência pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são éticos. Logo, todas as escolhas que Alice faz na busca de um caminho são pensadas e analisadas a fim de que esse caminho seja ético e justo; esse é o objetivo final da garota.

    IV - Na conversa entre Alice e o Gato está implícita a observação de que a menina chegaria a algum lugar se caminhasse bastante. Logo, a ciência não é um saber neutro, desinteressado, puramente intelectual, à margem do questionamento social e político acerca dos fins de suas pesquisas.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
    Escolha uma alternativa para a questão d13811a2-e4
  • D132A003-E4

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
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    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)

    Sobre o uso da forma verbal “quisera”, no Texto 2, é correto afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d132a003-e4
  • D11ADC4E-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O título “Democracia”, do Texto 1, deve-se ao fato de que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d11adc4e-e4
  • 6C5FA7C0-24

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    In Text 8, Gonçalves refers to different professions, such as, lawyer, judge, biologist and journalist. Read the following definitions and match the most appropriate word from the sequence given below:

    1. lawyer     2. biologist     3. journalist     4. judge

    5. defence lawyer     6. prosecution lawyer

    I- Someone who tries to prove in court that someone is not guilty.

    II- Someone who tries to prove in court that someone is guilty.

    III-The official in control of a court who decides how criminals should be punished.

    IV- Someone whose job is to advise people about laws, write formal agreements, or represent people in court.    

    V- Someone who studies or works in biology.

    VI- Someone who writes news reports for newspapers, magazines.

    Choose the best sequence:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c5fa7c0-24