Questões do ENEM: Linguagens e Ensino Einstein

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170 questões encontradas. Mostrando a página 6 de 9.

  • BFEE5524-68

    Português

    Figuras de Linguagem
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos

    Examine a tirinha de Fernando Gonsales, publicada na conta do Instagram “Depósito de Tirinhas”, em 23.04.2020.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2022


    Para obter seu efeito de humor, a tirinha explora o seguinte recurso expressivo:

    Escolha uma alternativa para a questão bfee5524-68
  • BFEBD0A6-68

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2022FácilEntre para guardar nos favoritos
        Essa vanguarda baseia-se na crença na realidade superior das formas específicas de associação, antes negligenciadas, na onipotência dos sonhos e no jogo desinteressado do pensamento. André Breton, seu principal teórico, afirmou que o propósito dessa vanguarda era “resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela criação de uma realidade absoluta, uma supra-realidade.”

    (Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007. Adaptado.)

    O texto trata de uma vanguarda que influenciou inúmeros escritores do Modernismo brasileiro, qual seja,
    Escolha uma alternativa para a questão bfebd0a6-68
  • BFE94B86-68

    Português

    Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    “— Vou ver o que posso fazer — prometeu ele.” (8º parágrafo)

    Ao se transpor o trecho para o discurso indireto, a locução verbal sublinhada assume a seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão bfe94b86-68
  • BFE6E4D0-68

    Português

    Coesão e coerência
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    Para evitar sua repetição, omite-se um substantivo que pode ser facilmente identificado pelo contexto linguístico em:
    Escolha uma alternativa para a questão bfe6e4d0-68
  • BFE459F1-68

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    Em “Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia” (3º parágrafo), a expressão sublinhada tem o sentido de
    Escolha uma alternativa para a questão bfe459f1-68
  • BFE1C79B-68

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    “a crônica pode não ser um ‘gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam’” (13º parágrafo)

    A expressão sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão bfe1c79b-68
  • BFDF4CC6-68

    Português

    Denotação e Conotação
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão bfdf4cc6-68
  • BFDCD4BF-68

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    Uma característica presente no prefácio de Humberto Werneck e bastante recorrente no gênero crônica é:
    Escolha uma alternativa para a questão bfdcd4bf-68
  • BFD9FAE2-68

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do prefácio “Um gênero tipicamente brasileiro”, do escritor Humberto Werneck, publicado na antologia Boa companhia: crônicas.

        Fernando Sabino e Rubem Braga, por longos anos obrigados a desovar crônicas diárias, não se limitavam, nas horas de aperto, a requentar seus requintados escritos — chegaram a permutar, na moita, velhos recortes, na suposição de que os textos, de tão antigos, já se houvessem apagado da memória do leitor de jornal, recuperando assim a virgindade tipográfica. O troca-troca, contado por Fernando Sabino na crônica “O estranho ofício de escrever”, merece ser aqui reproduzido:

        Éramos três condenados à crônica diária: Rubem no Diário de Notícias, Paulo no Diário Carioca e eu no O Jornal. Não raro um caso ou uma ideia, surgidos na mesa do bar, servia de tema para mais de um de nós. Às vezes para os três. Quando caiu um edifício no bairro Peixoto, por exemplo, três crônicas foram por coincidência publicadas no dia seguinte, intituladas respectivamente: “Mas não cai?”, “Vai cair” e “Caiu”.
         Até que um dia, numa hora de aperto, Rubem perdeu a cerimônia: 
        — Será que você teria aí uma crônica pequenininha para me emprestar?
        Procurei nos meus guardados e encontrei uma que talvez servisse: sobre um menino que me pediu um cruzeiro para tomar uma sopa, foi seguido por mim até uma miserável casa de pasto da Lapa: a sopa existia mesmo, e por aquele preço. Chamava-se “O preço da sopa”. Rubem deu uma melhorada na história, trocou “casa de pasto” por “restaurante”, elevou o preço para cinco cruzeiros, pôs o título mais simples de “A sopa”.
        Tempos mais tarde chegou a minha vez — nada como se valer de um amigo nas horas difíceis:
         — Uma crônica usada, de que você não precisa mais, qualquer uma serve.     — Vou ver o que posso fazer
        — prometeu ele. Acabou me dando de volta a da sopa.
        — Logo esta? — protestei.    
        — As outras estão muito gastas.
        Sou pobre mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos, atualizei o preço para dez cruzeiros e liquidei de vez com ela, sob o título: “Esta sopa vai acabar”.

        Eternamente deleitável ou imediatamente deletável — depende menos do tema do que das artes do autor —, a crônica pode não ser um “gênero de primeira necessidade, a não ser talvez para os escritores que a praticam”, como sustentava Luís Martins — um dos recordistas brasileiros nesse ramo de escreveção. Um subgênero, há quem desdenhe. “Literatura em mangas de camisa”, diz-se em Portugal. Mas, para o crítico Wilson Martins, trata-se de uma “espécie literária” que de jornalístico “só tem o fato todo circunstancial de aparecer em periódicos.”

    (Humberto Werneck (org.). Boa companhia: crônicas, 2005. Adaptado.)
    As alterações sofridas pela crônica na permuta entre Rubem Braga e Fernando Sabino (e explicitamente referidas no texto) levam em consideração o seguinte fenômeno:
    Escolha uma alternativa para a questão bfd9fae2-68
  • BEA7AF3F-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    The reading of the fourth paragraph implies that the author of the text
    Escolha uma alternativa para a questão bea7af3f-d8
  • BEA3A77B-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    Rio de Janeiro is mentioned in the third and fourth paragraphs because it
    Escolha uma alternativa para a questão bea3a77b-d8
  • BEA026A2-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    The second paragraph mentions a contradiction, which is the fact that
    Escolha uma alternativa para a questão bea026a2-d8
  • BE9CF101-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    In the first paragraph, the word “terrifying” is being used to refer to
    Escolha uma alternativa para a questão be9cf101-d8
  • BE9886D0-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    The text discusses an issue of worldwide concern in the present days, namely,
    Escolha uma alternativa para a questão be9886d0-d8
  • BE9328FB-D8

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    De acordo com esse movimento, a arte deve valer-se dos métodos científicos de observação e experimentação no tratamento dos fatos e dos personagens. Tal movimento substitui o estudo do homem abstrato e metafísico pelo do homem sujeito a leis físico-químicas e determinado pela influência do meio.

    (Afrânio Coutinho. Introdução à literatura no Brasil, 1976. Adaptado.

    O excerto trata do movimento

    Escolha uma alternativa para a questão be9328fb-d8
  • BE8E99E4-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do livro Bilhões e bilhões, de Carl Sagan, para responder à questão.


         Espantosamente, a astrofísica moderna está prestes a determinar percepções fundamentais da origem, natureza e destino de todo o universo. O universo está em expansão. Todas as galáxias estão se afastando velozmente umas das outras no que é chamado de fluxo de Hubble, uma das três principais evidências de uma enorme explosão na época em que o universo teve início — ou, pelo menos, sua presente encarnação. A gravidade da Terra é bastante forte para atrair de volta uma pedra atirada para o céu, mas não um foguete com velocidade de escape. E assim acontece com o universo: se ele contém uma grande quantidade de matéria, a gravidade exercida por toda essa matéria vai diminuir e deter a expansão. Um universo em expansão será convertido num universo em colapso. E se não há bastante matéria, a expansão vai continuar para sempre. O presente inventário de matéria no universo é insuficiente para diminuir a expansão, mas há razões para pensar que talvez exista uma grande quantidade de matéria escura que não trai a sua existência emitindo luz, para a conveniência dos astrônomos. Se o universo em expansão se revelar apenas temporário, sendo finalmente substituído por um universo em contração, isso certamente criará a possibilidade de que o universo passa por um número infinito de expansões e contrações, sendo infinitamente antigo. Um universo infinitamente antigo não tem necessidade de ser criado. Sempre esteve ali. Por outro lado, se não há matéria suficiente para reverter a expansão, isso seria coerente com um universo criado do nada. Essas são questões profundas e difíceis que toda cultura humana tem de algum modo tentado enfrentar. Mas é só na nossa época que temos uma perspectiva real de desvendar algumas das respostas. Não por meio de conjeturas ou histórias — mas por observações reais, verificáveis, passíveis de repetição.


    (Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008.)

    Em “talvez exista uma grande quantidade de matéria escura que não trai a sua existência emitindo luz”, o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão be8e99e4-d8
  • BE8B0FB9-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do livro Bilhões e bilhões, de Carl Sagan, para responder à questão.


         Espantosamente, a astrofísica moderna está prestes a determinar percepções fundamentais da origem, natureza e destino de todo o universo. O universo está em expansão. Todas as galáxias estão se afastando velozmente umas das outras no que é chamado de fluxo de Hubble, uma das três principais evidências de uma enorme explosão na época em que o universo teve início — ou, pelo menos, sua presente encarnação. A gravidade da Terra é bastante forte para atrair de volta uma pedra atirada para o céu, mas não um foguete com velocidade de escape. E assim acontece com o universo: se ele contém uma grande quantidade de matéria, a gravidade exercida por toda essa matéria vai diminuir e deter a expansão. Um universo em expansão será convertido num universo em colapso. E se não há bastante matéria, a expansão vai continuar para sempre. O presente inventário de matéria no universo é insuficiente para diminuir a expansão, mas há razões para pensar que talvez exista uma grande quantidade de matéria escura que não trai a sua existência emitindo luz, para a conveniência dos astrônomos. Se o universo em expansão se revelar apenas temporário, sendo finalmente substituído por um universo em contração, isso certamente criará a possibilidade de que o universo passa por um número infinito de expansões e contrações, sendo infinitamente antigo. Um universo infinitamente antigo não tem necessidade de ser criado. Sempre esteve ali. Por outro lado, se não há matéria suficiente para reverter a expansão, isso seria coerente com um universo criado do nada. Essas são questões profundas e difíceis que toda cultura humana tem de algum modo tentado enfrentar. Mas é só na nossa época que temos uma perspectiva real de desvendar algumas das respostas. Não por meio de conjeturas ou histórias — mas por observações reais, verificáveis, passíveis de repetição.


    (Carl Sagan. Bilhões e bilhões, 2008.)

    O autor manifesta-se explicitamente no texto em:
    Escolha uma alternativa para a questão be8b0fb9-d8
  • BE81B553-D8

    Português

    Flexão verbal de tempo (presente, pretérito, futuro)
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    Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para responder à questão.



            Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.             Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.

            Só rindo. Esses caras são engraçados.

           Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente.             Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros.

             Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.

            Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.

          Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […].

         Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!


    (O melhor de Rubem Fonseca, 2015.)

    O primeiro verbo atribui ideia de futuro ao segundo na locução verbal sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão be81b553-d8