Questões do ENEM: Teoria Literária
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95E7F4AC-3F TEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.TEXTO IVA questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.95E5121B-3F Literatura
Gêneros LiteráriosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:BA6D820B-3C Literatura
Gêneros LiteráriosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO ISete annos de pastor Jacob serviaLuís Vaz de CamõesSete annos de pastor Jacob serviaLabão, pae de Raquel, serrana bella:Mas não servia ao pae, servia a ella,Que a ella só por premio pertendia.Os dias na esperança de hum só diaPassava, contentando-se com vella:Porém o pae, usando de cautella,Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.Vendo o triste Pastor que com enganosAssi lhe era negada a sua Pastora,Como se a não tivera merecida;Começou a servir outros sete annos,Dizendo: Mais servíra, senão fôraPara tão longo amor tão curta a vida.Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Camões.0AD840EA-32 Literatura
Teoria LiteráriaUFU-MG · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritosAs personagens são importantes operadores de leitura de um texto literário, pois elas colocam o enredo de uma história em movimento. Em relação às personagens femininas presentes em diferentes obras literárias, é correto afirmar que em0AD48ED1-32 Literatura
Teoria LiteráriaUFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosPoetas contemporâneas de língua portuguesa estabelecem simbólicos diálogos com a tradição trovadoresca para repensar as cantigas. Tal estratégia ocorre como mecanismo para contestar o universo autoral histórico centrado, essencialmente, na autoria masculina. Em vista disso, assinale a alternativa em que os versos da poeta brasileira Hilda Hilst (2017) dialogam com o Trovadorismo.0ACEBD9F-32 Literatura
Teoria LiteráriaUFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosA escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segundafeira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. [...] Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.ASSIS, Machado de. Conto de escola. In: ASSIS, Machado de. Várias Histórias. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004, p. 100.Após a leitura do trecho acima e levando em conta aspectos gerais da obra de Machado de Assis, considere as asserções a seguir.I. O conflito presente no trecho e a posterior decisão de ir à escola revelam aspectos da personalidade do personagem-narrador e sinalizam que a escola não é um ambiente convidativo.II. A idealização do espaço escolar e a romantização dos relacionamentos entre professores e alunos presentes no trecho dialogam com a estética romântica adotada por Machado de Assis em parte de sua obra.III. É possível relacionar acontecimentos que marcaram o período regencial com o enredo do conto, pois a ação é localizada no ano de 1840 – ano que marca o fim do período regencial e a antecipação da coroação de Dom Pedro II.IV. No trecho destacado, estão presentes características da obra de Machado de Assis como o culto à forma, à objetividade, à impessoalidade e o encadeamento sintático, todas relacionadas ao parnasianismo.Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.8CD1217C-0E Literatura
Teoria LiteráriaUFPR · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosAssinale a alternativa que traz a afirmação correta sobre um personagem do romance O drible, de Sérgio Rodrigues.3901CB81-03 Literatura
Escolas LiteráriasUECE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTexto IIIsmáliaQuando Ismália enlouqueceu,Pôs-se na torre a sonhar...Viu uma lua no céu,Viu outra lua no mar.No sonho em que se perdeu,Banhou-se toda em luar...Queria subir ao céu,Queria descer ao mar...E, no desvario seu,Na torre pôs-se a cantar...Estava perto do céu,Estava longe do mar...E como um anjo pendeuAs asas para voar...Queria a lua do céu,Queria a lua do mar...As asas que Deus lhe deuRuflaram de par em par...Sua alma subiu ao céu,Seu corpo desceu ao mar...GUIMARAENS, Alphonsus de. Ismália. In: MOISÉS, Massaud. A literatura Brasileira através dos Textos. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 1973. p.318-324.Analise as seguintes assertivas sobre o texto II:I. A presença da lua no poema é um símbolo central, a partir do qual se desenvolvem outros aspectos, como a noite propulsora de um ambiente sombrio e o misticismo.II. A sugestão à morte é uma característica do Simbolismo que, no poema, não se relaciona com a loucura de Ismália, mas apenas ao desejo pela lua, que culmina em uma tragédia acidental.III. Ismália é tratada, no poema, de forma pejorativa, uma vez que, explicitamente, somente a partir da loucura lhe é permitido sonhar.É correto o que se afirma somente em38FC52EB-03 Literatura
Escolas LiteráriasUECE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosTexto IIIsmáliaQuando Ismália enlouqueceu,Pôs-se na torre a sonhar...Viu uma lua no céu,Viu outra lua no mar.No sonho em que se perdeu,Banhou-se toda em luar...Queria subir ao céu,Queria descer ao mar...E, no desvario seu,Na torre pôs-se a cantar...Estava perto do céu,Estava longe do mar...E como um anjo pendeuAs asas para voar...Queria a lua do céu,Queria a lua do mar...As asas que Deus lhe deuRuflaram de par em par...Sua alma subiu ao céu,Seu corpo desceu ao mar...GUIMARAENS, Alphonsus de. Ismália. In: MOISÉS, Massaud. A literatura Brasileira através dos Textos. 2.ed. São Paulo: Cultrix, 1973. p.318-324.Atente para o que se diz a seguir sobre o poema Ismália e assinale a afirmação verdadeira.5DBEC055-D8 Literatura
Teoria LiteráriaENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosData veniaConheci Bentinho e Capitu nos meus curiosos e antigos quinze anos. E os olhos de água da jovem de Matacavalos atraíram-me, seduziram-me ao primeiro contato. Aliados ao seu jeito de ser, flor e mistério. Mas tomou-me também a indignação diante do narrador e seu texto, feito de acusação e vilipêndio. Sem qualquer direito de defesa. Sem acesso ao discurso, usurpado, sutilmente, pela palavra autoritária do marido, algoz, em pele de cordeiro vitimado. Crudelíssimo e desumano: não bastasse o que faz com a mulher, chega a desejar a morte do próprio filho e a festejá-la com um jantar, sem qualquer remorso. No fundo, uma pobre consciência dilacerada, um homem dividido, que busca encontrar-se na memória, e acaba faltando-se a si mesmo. Retomei inúmeras vezes a triste história daquele amor em desencanto. Familiarizei-me, ao longo do tempo, com a crítica do texto; poucos, muito poucos, escapam das bem traçadas linhas do libelo condenatório; no mínimo concedem à ré o beneplácito da dúvida: convertem-na num enigma indecifrável, seu atributo consagrador.Eis que, diante de mais um retorno ao romance, veio a iluminação: por que não dar voz plena àquela mulher, brasileira do século XIX, que, apesar de todas as artimanhas e do maquiavelismo do companheiro, se converte numa das mais fascinantes criaturas do gênio que foi Machado de Assis?A empresa era temerária, mas escrever é sempre um risco. Apoiado no espaço de liberdade em que habita a Literatura, arrisquei-me.O resultado: este livro em que, além-túmulo, como Brás Cubas, a dona dos olhos de ressaca assume, à luz do mistério da arte literária e do próprio texto do Dr. Bento Santiago, seu discurso e sua verdade.PROENÇA FILHO, D. Capitu: memórias póstumas. Rio de Janeiro: Atrium, 1998.Para apresentar a apropriação literária que faz da obra de Machado de Assis, o autor desse texto5DB3BE3A-D8 Literatura
Teoria LiteráriaENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa forma!Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista não pode escrever como fala. — Não pode?— perguntei com assombro. E por quê? Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009.Nesse fragmento, a discussão dos personagens traz à cena um debate acerca da escrita queEE695124-7B Literatura
Teoria LiteráriaUFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritosInstrução: Leia os excertos abaixo, retirados, respectivamente da canção “Ai! Que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago, e do poema “alcachofra”, de Angélica Freitas, para responder à questão.Você só pensa em luxo e riquezaTudo o que você vê você querAi, meu Deus, que saudade da AméliaAquilo sim é que era mulher.Amélia não tinha a menor vaidadeAmélia é que era a mulher de verdadeAmélia não tinha a menor vaidadeAmélia é que era a mulher de verdadealcachofraamélia que era a mulher de verdadefugiu com a mulher barbadabarbaridadeforam morar num pequeno barracoàs margens do rio arroio macacoem pedra lascada, rsprimeiro a solidão foi imensaas duas não tinham visitasnem televisorpassavam os dias se catandopois tinham pegado piolhoe havia pulgas no lugarAssinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esses excertos, considerando, também, a leitura integral da obra Um útero é do tamanho de um punho.( ) A primeira estrofe do poema de Freitas relaciona-se intertextualmente com as estrofes da canção de Alves e Lago, sobretudo no que se refere à similar condição feminina dos dois excertos.( ) A “mulher de verdade” de Alves e de Lago é resignada e submissa, se comparada à outra mulher, altiva e exigente, a quem o eu-lírico se refere e se relaciona no presente.( ) A amélia no poema de Freitas desconstrói, no segundo verso, a imagem da Amélia da canção, revelando uma relação homoafetiva.( ) Freitas aborda a condição feminina, apresentando amplo panorama de mulheres que problematizam as desigualdades de gênero.A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, éEE541CD7-7B Literatura
Gênero LíricoUFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritosInstrução: Considere os excertos extraídos, respectivamente, de Coral e outros poemas, de Sophia de Mello Breyner Andresen e Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas, e a leitura integral dessas duas obras para responder à questão .Retrato de uma princesa desconhecidaPara que ela tivesse um pescoço tão finoPara que os seus pulsos tivessem um quebrarde caulePara que os seus olhos fossem tão frontais elimposPara que a sua espinha fosse tão diretaE ela usasse a cabeça tão erguidaCom uma tão simples claridade sobre a testaForam necessárias sucessivas gerações deescravosDe corpo dobrado e grossas mãos pacientesServindo sucessivas gerações de príncipesAinda um pouco toscos e grosseirosÁvidos cruéis e fraudulentosFoi um imenso desperdiçar de gentePara que ela fosse aquela perfeiçãoSolitária exilada sem destinomulher depoisqueridos pai e mãetô escrevendo da tailândiaé um país fascinantetem até elefantee umas praias bem bacanasmas tô aqui por outras coisasembora adore fazer turismopai, lembra quando você diziaque eu parecia uma guriae a mãe pedia: deixem disso?pois agora eu virei mulherme operei e virei mulhernão precisa me aceitarnão precisa nem me olharmas agora eu sou mulherAssinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre os excertos.( ) A representação feminina, no poema de Andresen, aponta mulheres historicamente valorizadas pelos homens, colocando-as ao lado deles no processo de construção igualitária entre os universos feminino e masculino.( ) O eu-lírico, nos versos de Freitas, dirige-se aos pais em tom de correspondência, como se lhes escrevesse uma pequena carta, para contar, além de pequenos detalhes da viagem a outro país, a mudança de sexo.( ) O tom irônico, reflexivo e provocativo, presente em muitos dos poemas de Freitas, desafia o senso comum, o que permite aos leitores questionar imposições sociais às mulheres.( ) A problematização e o questionamento da condição feminina caracterizam o eixo temático da poética de Andresen, mas descrições e sensações ligadas ao mar, ao jardim, às mãos, à noite, à luz, à mitologia grega são temas ignorados pela poeta.A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é298B25C9-7A Literatura
Teoria LiteráriaUFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritosLeia os versos destacados de três poemas de Bagagem, de Adélia Prado.Antes do nomeNão me importa a palavra, esta corriqueira.Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,[...]Quem entender a linguagem entende Deuscujo filho é Verbo. Morre quem entender.A invenção de um modo[...]Porque tudo que invento já foi ditonos dois livros que eu li:as escrituras de Deus,as escrituras de João.Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão.GuiaA poesia me salvará.[...]No entanto, repito, a poesia me salvará.Por ela entendo a paixãoque Ele teve por nós, morrendo na cruz.Considere as seguintes afirmações sobre os poemas.I - A fé é uma musa poderosa, e o sujeito lírico sente-se inferior à palavra, tanto das escrituras quanto do cotidiano.II - O fazer poético é, para o sujeito lírico, ao mesmo tempo, sagrado e profano, corpo e espírito.III- A metapoesia é uma temática importante na lírica de Adélia Prado.Quais estão corretas?2985FCC5-7A Literatura
Gênero Épico ou NarrativoUFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritosNo romance As meninas, de Lygia Fagundes Telles, o caráter polifônico do jogo narrativo é garantido pela alternância bastante natural entre um narrador em terceira pessoa e as narrações em primeira pessoa das protagonistas.No bloco da esquerda abaixo, estão listados os nomes do(a)s narradores(as); no da direita, fragmentos de textos proferidos por ele(a)s.Associe adequadamente o bloco da direita ao da esquerda.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, éCA149DD4-75 Literatura
Teoria LiteráriaFaculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o poema da escritora portuguesa Florbela Espanca, publicado originalmente em 1919.As duas primeiras estrofes do poema caracterizam-se, sobretudo, pelo seu teorVaidadeSonho que sou a Poetisa eleita,Aquela que diz tudo e tudo sabe,Que tem a inspiração pura e perfeita,Que reúne num verso a imensidade!Sonho que um verso meu tem claridadePara encher todo o mundo! E que deleitaMesmo aqueles que morrem de saudade!Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!Sonho que sou Alguém cá neste mundo...Aquela de saber vasto e profundoAos pés de quem a terra anda curvada!E quando mais no céu eu vou sonhando,E quando mais no alto ando voando,Acordo do meu sonho... E não sou nada!...(Florbela Espanca. Poemas, 1996.)D3212E94-74 Literatura
Escolas LiteráriasFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2023Entre para guardar nos favoritosPela necessidade de alargar o horizonte literário, este movimento dirigiu-se para fontes de inspiração nacional e local, em oposição à inspiração greco-romana que dominou a poética neoclássica. O primeiro passo nessa busca de novas dimensões foi dado no sentido interior, na direção da natureza do coração e do espírito, de que resultou o primado do lirismo, como a forma natural e primitiva da poesia, e o estabelecimento de um tipo de realismo baseado na verdade interior e na efusão do coração. O outro passo orientou-se para a valorização da “cor local” e do pitoresco, procurando, em virtude do princípio relativista de que o homem varia conforme os tempos e lugares, captar a sua verdade na diversidade exterior e interior — costumes, sentimentos, linguagem — que o tornam típico. Essa teoria encontrou clima sobretudo no romance, mas serviu de base também para a valorização da história local e das criações populares ou folclore.(Afrânio Coutinho. Introdução à literatura no Brasil, 1976. Adaptado.)O texto trata do movimentoAF4E56D3-16 Literatura
Teoria LiteráriaUNICENTRO · 2023FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do romance Suíte Tóquio, de Giovana Madalosso, a seguir.Motorista é empregado, com carga pra entregar, horário pra cumprir, não vai ficar estuprando durante o expediente. Pra mostrar que sou mulher direita, vou até o banco, pego a Picochuca. Volto com ela dormindo no meu colo, levanto a mão. Outro vem e passa direto por mim. Não demora muito e aparece uma cegonha. Esse vai parar, leva tanto carro, o que custa levar uma mulher e uma menina? Deve custar alguma coisa, porque o motorista não para. Talvez não tenha enxergado a gente. Resolvo avançar um pouco mais, meu pé direito em cima da faixa amarela. Lá vem mais um e penso que foi enviado pra mim, no para-choque escrito bem grande Rastreado por Deus. Mas esse também não para, assim como a carreta e o caminhão-tanque que vem atrás dela e passa como se eu não existisse. Fico pensando o que é que está acontecendo, a vida arrancou o coração de todas essas pessoas? Depois de alguns minutos, vem outro. Pra minha surpresa, o caminhão freia. A porta abre. Um homem me olha lá de cima. Tenho medo dele, mas parece que ele também tem medo de mim. Me observa, desconfiado, do assento coberto por bolinhas de madeira, que nem as que o Lauro usava pra relaxar no trânsito. Tô indo pra São Paulo, falo pra ele. Eu também, sobe aí, diz, e estende a mão pra me ajudar. Não sei se é a gentileza ou o banco igual ao do Lauro, mas não sinto tanto medo dele, só um pouco. Sento, me ajeito sem acordar a Picochuca, ponho o cinto de segurança. É tua filha?, pergunta. Digo que sim.(MADALOSSO, G. Suíte Tóquio. São Paulo: Todavia, 2020. p.157-158.)Com base nesse trecho, na leitura integral do romance e nas correlações com Niketche, de Paulina Chiziane, e A Falência, de Júlia Lopes de Almeida, assinale a alternativa correta.AF471680-16 Literatura
Teoria LiteráriaUNICENTRO · 2023DifícilEntre para guardar nos favoritosLeia o poema, de Carlos Drummond de Andrade, a seguir.A rua diferenteNa minha rua estão cortando árvoresbotando trilhosconstruindo casas.Minha rua acordou mudada.Os vizinhos não se conformam.Eles não sabem que a vidatem dessas exigências brutas.Só minha filha goza o espetáculoe se diverte com os andaimes,a luz da solda autógenae o cimento escorrendo nas formas.(ANDRADE, C. D. Nova reunião. v.1. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983. p.12.)Com base nesse poema e nos conhecimentos sobre literatura, assinale a alternativa correta.AF449567-16 Literatura
EstilísticaUNICENTRO · 2023Entre para guardar nos favoritosLeia o soneto, de Luís Vaz de Camões, a seguir.
Quando o sol encoberto vai mostrando
Ao mundo a luz quieta e duvidosa,
Ao longo de
praia deleitosaVou na minha inimiga imaginando.
Aqui a vi, os cabelos concertando;
Ali, co’a mão na face tão, fermosa;
Aqui falando alegre, ali cuidosa;
Agora estando queda, agora andando.
Aqui esteve sentada, ali me viu,
Erguendo aqueles olhos, tão isentos;
Aqui movida um pouco, ali segura.
Aqui se entristeceu, ali se riu.
E, enfim, nestes cansados pensamentos
Passo esta vida vã, que sempre dura.
(CAMÕES, Luis De. Obra completa. Aguilar; 1963. p. 292.)
A partir da leitura desse soneto, assinale a alternativa correta.