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15.661 questões encontradas. Mostrando a página 24 de 784.
A063EFDB-67 O iodeto de potássio, KI, é um sólido branco inodoro e solúvel em água. Na área de saúde, é usado como princípio ativo em xaropes expectorantes na concentração de 20 mg/mL. Segundo a bula de uma marca de xarope de iodeto de potássio, a dose diária normalmente recomendada para adultos é de no máximo 30 mL, de acordo com orientações médicas. Considerando a massa molar do KI igual a 166 g/mol, a quantidade em mols desse princípio ativo na dose máxima diária éA05C8463-67 Biologia
Identidade dos seres vivosUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosEm 2010, o Portal da Câmara dos Deputados noticiou a gameleira como a Árvore do Mês em setembro, destacando aspectos diversos da utilização dessa planta, dentre os quais: o uso das folhas e da madeira, o potencial biológico e paisagístico e, ainda, seu uso religioso. Contraditoriamente, junto ao mês comemorativo, a Câmara também informou que teve uma gameleira morta pelo método de cintamento no ano de 2004. A oportunidade foi utilizada para conscientizar que “matar árvores” sem autorização legal é crime federal. Transpondo-se do contexto da Câmara para uma situação local, a cidade de Goiânia teve uma gameleira centenária incendiada no ano de 2024. Os danos da queimadura foram extensos e condenaram a árvore a ser retirada devido ao risco de queda.As gameleiras são angiospermas pertencentes à família botânica Moraceae, nome popular atribuído a aproximadamente mil espécies, principalmente do gênero Ficus Linnaeus. Sobre esse conjunto variado de espécies e seus diferentes potenciais de uso, verifica-se o seguinte:A04CAF19-67 Sociologia
Cultura e identidade nacionalUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho a seguir:Consumismo é consumir mais do que precisamos, consumir para construir uma identidade própria, consumir para mostrar um estado socioeconômico, consumir pelo tédio, consumir para aplacar a ansiedade, consumir procurando uma felicidade que nunca chega. Ao consumo são atribuídas uma série de vantagens que ele na verdade não tem, mas o consumismo continua sendo encorajado, já que é o combustível principal do atual sistema econômico. O shopping, cheio de luzes chamativas e cores, de tentações inescapáveis e de emoções plastificadas, poderia muito bem ser uma imagem icônica de uma sociedade que se dirige despreocupadamente ao abismo.FANJUL, Sergio C. Consumir procurando uma felicidade que nunca chega, como compramos para construir nossa identidade. 2021. Disponível em: https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-08/consumir-procurando-uma-felicidade-que-nunca-chega-como-compramos-para-construir-nossa-identidade.html. Acesso em: 13 maio 2025.Na contemporaneidade, o consumo deixa de ser um meio para mera manutenção da existência física dos indivíduos e adquire também importância social na construção de identidades. A relação entre consumo, marcas e identidade demonstra queA04A090C-67 Sociologia
O nascimento da sociologiaUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA sociologia se constituiu como ciência no século XIX em um contexto de transformações sociais. Processos de mudanças como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa e os acontecimentos decorrentes da passagem do feudalismo para o capitalismo foram importantes para a consolidação do pensamento social que embasou o desenvolvimento dessa ciência. Os pensadores Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber elaboraram diferentes concepções sobre as transformações passadas pela sociedade e se tornaram clássicos da ciência que estava nascendo. Uma análise das concepções sociológicas desses autores revela que:A0470C77-67 Sociologia
Estratificação e desigualdade socialUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA educação no Brasil é marcada por desigualdades sociais. Essas desigualdades envolvem os investimentos diferentes no ensino público e no ensino privado, a estrutura física das escolas, as condições variadas de tempo disponível para estudo e as diferenças dentro daquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu conceituou como capital cultural. O conceito de capital cultural remete ao acúmulo de conhecimentos de uma pessoa, fruto de sua formação cultural, de seus pais e parentes próximos, bem como do local onde reside e da classe social à qual pertence; trata-se de um conjunto de recursos simbólicos e competências relativas à cultura legítima.Pensando a educação brasileira, no contexto das desigualdades sociais, a partir da teoria de Pierre Bourdieu e de seu conceito de capital cultural, a educação éA03F41FA-67 Filosofia
Conceitos FilosóficosUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia os textos a seguir.Texto IO homem, como zoon logikón, é um ser que, em razão de sua psyqué, ao mesmo tempo pertence ao âmbito da natureza e por essência se distingue de todos os outros seres da natureza em virtude do predicado da racionalidade, ele é um “animal racional”, um zoon logikón. A racionalidade é, pois, a diferença específica do homem, e, ao se acentuar esse aspecto, Aristóteles prolonga a linha de reflexão antropológica que tem sua origem na Sofística e que fora continuada, mesmo sofrendo profunda inflexão, pela antropologia socrático-platônica. Enquanto ser dotado de razão e linguagem, o homem transcende de alguma maneira a natureza e não pode ser considerado simplesmente um ser “natural”.VAZ, Henrique de C. Lima. Antropologia filosófica. São Paulo: Loyola, 2020. p. 51. (Adaptado).Texto IIOutros autores interpretam o homem como possibilidade de autoprojeção. É nesse sentido que Kant afirma que, para poder atribuir ao homem seu lugar na natureza viva e assim caracterizá-lo, só resta dizer que ele tem o caráter que ele mesmo faz, porquanto sabe aperfeiçoar-se segundo os fins por ele mesmo criados. Na filosofia contemporânea, esse conceito de homem foi assumido por vários pensadores. Por um lado, eles frisam que o homem é aquilo que ele mesmo pode e quer tornar-se, que projeta seu modo de ser ou de viver e que esse projeto passa a constituir, em algum grau, parte de seu ser. Por outro lado, esses mesmos pensadores reconhecem as limitações dessa possibilidade de se projetar, já que cada projeto já encontra como dados os elementos que utiliza. Sartre insistiu na liberdade absoluta da possibilidade de projetar e considerou puramente arbitrária ou gratuita a escolha de um projeto qualquer.ABBGAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 512-513. (Adaptado).Em ambos os textos são apresentados posicionamentos acerca do que constitui definição de ser humano. A comparação entre esses textos indica que elesA0322331-67 Geografia
Geografia EconômicaUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosObserve a figura a seguir.
Disponível em: https://sisq.elitecampinas.com.br/GabaritoVestibulares/VisualizarQuestaoLista?id_questao_lista=8034273&vestibular=unesp&ano=2021&prova_vestibular_id=383615. Acesso em: 14 maio 2025.A figura expressa um dos mais importantes conceitos, proposto por David Harvey, renomado geógrafo britânico, no segundo quartel do século XX, período marcado pela expansão da globalização.Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, esse conceito e quais fatores tornaram o “encolhimento” do mundo possível:A02CF3BD-67 História
História GeralUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosTexto 1"Por pouco, o Brasil não fora encontrado por outros navegadores: um português, Duarte Pacheco Pereira (1460-1533), e dois espanhóis, Vicente Pinzón (1462-1514) e Diego de Lepe (1460-1515). Comandando uma frota de oito navios, Duarte Pacheco Pereira teria explorado o litoral brasileiro, na altura do Maranhão, em dezembro de 1498” [...]. "O consenso é de que Portugal sabia da existência de terras no Atlântico. Caso contrário, não teria pressionado o papa Alexandre VI para modificar a bula Inter Coetera, de 1493, que deixava os portugueses de fora do Novo Mundo descoberto por Colombo em 1492", observa Vainfas.”BERNARDO, André. Descobrimento do Brasil: os bastidores da viagem de 44 dias que levou Pedro Álvares Cabral ao país - BBC News Brasil https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51808373 9/15 Este texto foi publicado originalmente em abril de 2020 e atualizado em 22 de abril de 2021. Acesso em: 9 maio 2025.Texto 2“No dia seguinte, quarta-feira, 22 de abril, pela manhã, acharam aves chamadas fura-buchos, e à tarde, um grande monte redondo e muito alto, com outras serras mais ao sul, e terra coberta de grande arvoredo. O capitão-mor deu ao monte o nome de Monte Pascoal e à terra o de Vera Cruz.”ABREU, Capistrano. O descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2013. p. 35.Sobre as viagens de navegação ao Novo Mundo e chegada ao Brasil, verifica-se queA0253BA2-67 História
História do BrasilUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosTexto 1“O nosso intuito […] era o de manter a revolução, esperando que, nas capitais, alguma eventualidade nos proporcionasse o ensejo para o golpe decisivo sobre a tirania opressora. Por isso, evitamos choques. Não nos interessava o combate decisivo.”PRESTES, Luiz Carlos. Entrevista ao Diário Nacional. São Paulo, 1º de fevereiro de 1930, p. 2.Texto 2“Para nós, revolucionários, o movimento é a vitória. […] Com mais de 1.000 homens armados e tendo mais de 4.000 cavalos, consegui passar, em pleno campo, por entre mais de 10.000 homens do governo. Nunca foi possível determinar minha verdadeira direção de marcha e impraticável se tornou a perseguição.”PRESTES, Luiz Carlos. Carta ao General Isidoro Dias Lopes, em fevereiro de 1925. Apud: PRESTES, Anita L. Coluna Prestes. São Paulo: Brasiliense, 1991, p. 421.Sobre os documentos acima e o movimento tenentista chamado de “Coluna Prestes”, verifica-se queA01A5B89-67 Física
DinâmicaUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosPara regular um brinquedo de bungee jump em um parque de diversões, o técnico prende um corpo de prova de massa igual a 200 kg à extremidade livre de um elástico forte de 3 metros de comprimento e o abandona na mesma altura da extremidade fixa. O deslocamento máximo do corpo abaixo do comprimento do elástico relaxado, trecho no qual o elástico resiste à queda, é medido sendo igual a 2 metros. Sabendo que o corpo não chega a tocar o chão e considerando g = 10 m/s2 , a constante elástica do elástico, em N/m, é deA0154CB2-67 Matemática
Geometria PlanaUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosConsidere o triângulo determinado pelos vértices A(4,7), B(8,4) e C(6,3). A área da circunferência de centro no ponto médiodo segmento AB e raio igual a altura do triângulo, relativa ao lado AB éA0128AA6-67 Matemática
FunçõesUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA área da figura formada pelas retas definidas pela função y = 2x + 1, por sua inversa e por y = 3, em unidade de medida de área éA00D34EA-67 Matemática
Geometria PlanaUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA figura a seguir exibe uma circunferência de centro C que tangencia três lados de um retângulo. Considerando os dados na imagem, a distância do ponto P ao ponto A é de
A00A6FDB-67 Matemática
ProgressõesUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosMaria e Ana realizam depósitos no mesmo dia de cada mês. Maria depositou no primeiro mês R$ 10,00 e nos meses seguintes sempre o triplo do valor do depósito do mês anterior. Ana depositou mensamente 50% do valor acumulado por Maria, considerando o depósito já feito por Maria no mesmo mês. Desconsiderando juros e correção monetária, um aumento igual a R$ 3.645,00, no valor depositado por Ana, ocorre doA002CEAA-67 Literatura
Teoria LiteráriaUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosTexto I
Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.
Texto II
POESIA
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.
Texto III
O LUTADOR
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
[...]
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
[...].
Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
[...]
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
[...]
Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
[...]
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
[...].
O ciclo do dia
ora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.
Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.
Texto IV
PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não
contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à
efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo
das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas
junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada
significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em despreza.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.
Carlos Drummond de Andrade, no Texto I, aborda, no campo da crítica literária à poesia, um tema que pode ser estendido à produção artística em quaisquer outras linguagens: a criação. Nesse excerto, Andrade sugere que a criação não é derivada de inspiração divina ou do acaso, e também não é qualquer atividade dramática usada para expressar as mazelas ou angústias humanas, mas um esforço permanente que emana de “[...] trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação”.Na filosofia da arte ocidental, cuja compreensão inicial parte da Grécia, o termo designado para esse modo de criação, invenção ou fabricação do mundo ou de visões de mundo, proveniente de procedimentos estabelecidos, regulados e sistematizados pelo campo estético, é denominado de:A000071C-67 Português
Interpretação de TextosUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosTexto I
Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.
Texto II
POESIA
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.
Texto III
O LUTADOR
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
[...]
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
[...].
Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
[...]
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
[...]
Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
[...]
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
[...].
O ciclo do dia
ora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.
Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.
Texto IV
PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não
contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à
efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo
das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas
junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada
significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em despreza.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.
Qual tese expressa o tema abordado no Texto I e nos poemas Poesia (Texto II), O lutador (Texto III) e Procura da poesia (Texto IV)?9FFAD2A4-67 Português
Interpretação de TextosUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão
No texto “O vicioso círculo do espelho no celular”, a frase “O aparelho banaliza a imagem por sua instantaneidade, de maneira irresistível para a maioria, jovens em especial” – que, na linguagem jornalística, é convencionalmente chamada de subtítulo – cumpre a seguinte função na textualidade:9FF82D8C-67 Português
Interpretação de TextosUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão
O parágrafo do texto, que se estende da linha 08 a 12, é desenvolvido a partir da seguinte estratégia:9FF58B6A-67 Português
PontuaçãoUEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão
No trecho “Olho vivo, pais e educadores”, o uso da vírgula depois de “Olho vivo” serve para demarcar
9FF32A78-67 Português
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Defende-se, no texto, a seguinte ideia: