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27.392 questões encontradas. Mostrando a página 33 de 1370.
99DBE23C-3C Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:99C86376-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder a questão.
TEXTO III
O operário em construção
Vinicius de Moraes
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
[...] Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
A mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
[...] E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
[...] Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
[...] Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
[...] Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
[...] E o operário disse: Não!
— Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
[...]
Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).
Embora os textos sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.Por isso, ao comparar os textos, pode-se afirmar que99B6B1EC-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosCapitalismo com tração SanguíneaEmiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.Por: Emiliano GulloEspero que você seja pego por um feroz.Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta.No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. É a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos.Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]Sem caixa, não há trabalho. [...]As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Senão, faze-mos pedidos menores. [...]A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]Fonte:https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.GLOSSÁRIO:Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.Peso: Moeda argentina, como o Real no BrasilTelgopor: Material térmico semelhante a isopor.De acordo com o linguista José Luiz Fiorin (2010, p. 194): “Quando se atenua aquilo que de fato teria uma intensidade maior, ocorre um eufemismo”. Sabendo disso, responda:Em qual trecho do texto foi utilizado um eufemismo com a intenção discursiva de atenuar “o pior do capitalismo: a exploração com cara boa”?BA914B4A-3C Matemática
FunçõesUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosSejam r a reta de equação y = mx+b, A e B os pontosem que essa reta intersecta as retas s1 : y = 3x e s2 : y = −x/5, respectivamente. O ponto M = (3, 1) é o ponto médio do segmento

As coordenadas do ponto em que a reta r intersectao eixo das ordenadas é
BA8EBACD-3C Matemática
Álgebra LinearUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosConsidere k ∈ ℜ e o sistema de equações lineares cujas incógnitas reais são representadas por x e y:
De acordo com o número de soluções, o sistema linear dado é classificado como
BA8C318C-3C Matemática
Equações PolinomiaisUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosDados os polinômios F(x) e Q(x), ao dividir F(x) por Q(x) encontra-se como resto o polinômio R(x) = x3 − x2 + ax − 9. Sabe-se que F(x) e Q(x) são divisíveis pelo binômio x − 1.
O conjunto que contém todas as raízes do polinômio R(x) é
BA89CBC6-3C Matemática
Análise Combinatória em MatemáticaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosEm um casamento coletivo, foram dispostas vinte cadeiras em fila. No dia da cerimônia, compareceram oito casais de noivos, que devem aguardar sentados o início da celebração.De quantas maneiras esses 8 casais podem ser dispostos nessas cadeiras de forma que cada noivo e respectiva noiva fiquem juntos, ou seja, em cadeiras adjacentes?BA77DE2C-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IVProsopopéiaBento TeixeiraICantem Poetas o Poder Romano,Sobmetendo Nações ao jugo duro;O Mantuano pinte o Rei Troiano,Descendo à confusão do Reino escuro;Que eu canto um Albuquerque soberano,Da Fé, da cara Pátria firme muro,Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,Pode estancar a Lácia e Grega lira.IIAs Délficas irmãs chamar não quero,que tal invocação é vão estudo;Aquele chamo só, de quem esperoA vida que se espera em fim de tudo.Ele fará meu Verso tão sincero,Quanto fora sem ele tosco e rudo,Que per rezão negar não deve o menosQuem deu o mais a míseros terrenos.Fonte: TEIXEIRA, Bento. Prosopopeia. Rio de Janeiro: Typ. do Imperial Instituto Artistico, 1873. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242781. Acesso em: 09/07/2024.GLOSSÁRIO:Délficas: Musas, deusas da poesia e irmãs de Apolo por parte de pai (Zeus)Lácia: referente ao Lácio, região da Itália central.TEXTO VNas palavras do crítico literário Alfredo Bosi, a intenção do poeta Bento Teixeira, ao escrever o poema épico “Prosopopeia”, é “encomiástica, e o objeto do louvor Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, que encetava a sua carreira de prosperidade graças à cana-de-açúcar. A imitação de Os Lusíadas é assídua, desde a estrutura até o uso dos chavões da mitologia e dos torneios sintáticos. O que há de não-português (mas não diria: de brasileiro) no poemeto, como a ‘Descrição do Recife de Pernambuco’, ‘Olinda Celebrada’ e o canto dos feitos de Albuquerque Coelho, entra a título de louvação da terra enquanto colônia, parecendo precoce a atribuição de um sentimento nativista a qualquer dos passos citados”.Fonte: BOSI, Alfredo. História concisa da literatura. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015, p. 36.GLOSSÁRIO:Encomiástico: elogioso, que faz elogio a algo ou alguém.Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:BA7280EF-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIDesenganos da vida humana, metaforicamenteGregório de Matos*É a vaidade, Fábio, nesta vida,Rosa, que da manhã lisonjeada,Púrpuras mil, com ambição dourada,Airosa rompe, arrasta presumida.É planta, que de abril favorecida,Por mares de soberba desatada,Florida galeota empavesada,Sulca ufana, navega destemida.É nau enfim, que em breve ligeirezaCom presunção de Fênix generosa,Galhardias apresta, alentos preza:Mas ser planta, ser rosa, nau vistosaDe que importa, se aguarda sem defesaPenha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?*Poema antologicamente reconhecido como de autoria de Gregório de MatosFonte: MATOS, Gregório. Desenganos da vida humana, metaforicamente In: Wisnik, José Miguel (org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Edição vestibular. São Paulo: Companhia das letras, 2015, p.340.GLOSSÁRIO:Airosa : esbelto, gracioso.Soberba : orgulho, altivez.Galheota : pequena embarcação a remo, usada para o transporte do rei.Presumida : vaidosa.De abril favorecida : favorecida pela primavera que inicia em abril na Europa.Empavesado : enfeitado, adornado, guarnecido de paveses (=proteção nas embarcações).Ufana : que se orgulha de algo, vaidoso.Fênix : divindade da mitologia egípcia, símbolo da imortalidade, personificada em uma ave que renascia das próprias cinzas.Galhardia : garbo, elegância.Aprestar : preparar com prontidão.Alento : sopro, bafejo.Penha : penhasco, rochedo.Considerando o soneto “Desenganos da vida humana, metaforicamente”, texto III, assinale a alternativa CORRETA:BA6FF358-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO ISete annos de pastor Jacob serviaLuís Vaz de CamõesSete annos de pastor Jacob serviaLabão, pae de Raquel, serrana bella:Mas não servia ao pae, servia a ella,Que a ella só por premio pertendia.Os dias na esperança de hum só diaPassava, contentando-se com vella:Porém o pae, usando de cautella,Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.Vendo o triste Pastor que com enganosAssi lhe era negada a sua Pastora,Como se a não tivera merecida;Começou a servir outros sete annos,Dizendo: Mais servíra, senão fôraPara tão longo amor tão curta a vida.Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.TEXTO IIAo casamento de Pedro Álvares da NeivaGregório de MatosSete anos a nobreza da BahiaServia a uma pastora Indiana bela,Porém servia a Índia e não a ela,Que a Índia só por prêmio pretendia.Mil dias na esperança de um só diaPassava, contentando-se com vê-la,Mas frei Tomás usando de cautela,deu-lhe o vilão, quitou-lhe a fidalguia.Vendo o Brasil, que por tão sujos modosSe lhe usurpara a sua Dona Elvira,Quase a golpes de um maço e de uma goiva:Logo, se arrependeram de amar todos,E qualquer mais amara, se não viraPara tão limpo amor tão suja noiva.Fonte: MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção e organização José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos:BA6D820B-3C Literatura
Gêneros LiteráriosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO ISete annos de pastor Jacob serviaLuís Vaz de CamõesSete annos de pastor Jacob serviaLabão, pae de Raquel, serrana bella:Mas não servia ao pae, servia a ella,Que a ella só por premio pertendia.Os dias na esperança de hum só diaPassava, contentando-se com vella:Porém o pae, usando de cautella,Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.Vendo o triste Pastor que com enganosAssi lhe era negada a sua Pastora,Como se a não tivera merecida;Começou a servir outros sete annos,Dizendo: Mais servíra, senão fôraPara tão longo amor tão curta a vida.Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Camões.BA6AB415-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO ICapitalismo com tração SanguíneaEmiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.Por: Emiliano GulloEspero que você seja pego por um feroz.Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta. No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. E a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos. Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]Sem caixa, não há trabalho. [...]As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Se não, fazemos pedidos menores. [...]A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]Fonte: https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.GLOSSÁRIO:Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.Peso: Moeda argentina, como o Real no BrasilTelgopor: Material térmico semelhante a isopor.TEXTO II
Uberismo é a total desumanização das relações trabalhistas
Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos
Há palavras cuja sonoridade é aparentemente inócua, cuja grafia parece inocente, insuspeita, mas basta ir um pouco além da fisionomia ortográfica para entender os infernos que escondem. Uberismo seria uma das mais recentes formas de exploração da forma de trabalho, consistente numa hiperexploração dos trabalhadores por meio de plataformas. Um emaranhado algorítmico pensado para arrancar direitos trabalhistas na forma de startup jovem, de sucesso, vibrante, lucrativa. Recomendo a leitura atenta do que escreve o professor Ruy Braga, da USP, excelente pesquisador na área sobre as ameaças brutais da “plataformização” do trabalho ou a tirania à qual as novas tecnologias digitais submetem a vida dos trabalhadores mais precarizados. É a total desumanização das relações trabalhistas. Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos, muitos sindicatos rejeitam representar essas categorias. O contato com o “cliente” resume-se, muitas vezes, a uma entrega rápida e insensível, com um portão com grades no meio de dois indivíduos, que no momento estão a centímetros de distância, mas cujas mãos apenas se tocam e cujas vidas se tocam menos ainda. Não há direitos, não há humanidade. Um país como Brasil é o ambiente perfeito para esse processo de uberização da vida. Milhões de trabalhadores informais, uma pauperização crescente, um exército de jovens sem formação, a volta da miséria, o desmonte incessante dos direitos trabalhistas. [...]
No Brasil, a carne do trabalhador precarizado se vende barata. Muito barata. Uber, Ifood, Rappi, o mundo do trabalhador escravizado pelo algoritmo que, em tempos de crise, absorve, engole milhões de profissionais sem expectativas. São os descartáveis. Mas, paradoxos de uma vida fortuita, os descartáveis viraram essenciais na pandemia. O número de entregadores antes do coronavírus era de 280 mil. Depois da pandemia, passaram a 500 mil. São números impressionantes: 500 mil invisíveis que entregam comida, mas cujas famílias passam fome ou convivem com ela. São 500 mil. Mais gente, menos lucro.
O estudo “Condições de Trabalho de Entregadores Via Plataforma Digital Durante a Covid-19” identificou as jornadas de trabalho maiores e a queda nos rendimentos de 58,9% dos entregadores. [...] Não se preocupe. O entregador é microempresário, empreendedor. Não é pobreza, é um processo de sucesso individual. Os entregadores não são trabalhadores, são “parceiros” das plataformas. Os jovens que se endividam para comprar uma moto investem no seu futuro. Num país como Brasil, o discurso da meritocracia mata, assim como matam as motos dos entregadores cansados de trabalhar durante mais de dez horas por dia. Entre março e maio deste ano, 87 morreram na capital paulista.
[...]
Mas a exploração tem seus limites. Os explorados também explodem. Os invisíveis se cansam da invisibilidade. As greves de entregadores e a formação dos “Entregadores Antifascistas” são focos de luz nas trevas. Entre as exigências dos trabalhadores estão reajuste de preços, entrega de EPIs para trabalhar com mais segurança durante a pandemia, fim dos bloqueios indevidos, demanda de auxílios ou licenças de saúde e acidente, questionamentos com relação a programas de pontos realizados por algumas plataformas. Dignidade para os que são tratados com indignidade. É a revolta dos de baixo, dos que passavam despercebidos e hoje se tornaram essenciais. Todo o meu respeito, todo o meu apoio.
Fonte: https://www.cartacapital.com.br/artigo/uberismo-e-a-totaldesumanizacao-das-relacoes-trabalhistas/. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).
Leia o texto III a seguir para responder a questão.TEXTO IIIO operário em construçãoVinicius de MoraesEra ele que erguia casasOnde antes só havia chão.Como um pássaro sem asasEle subia com as casasQue lhe brotavam da mão.Mas tudo desconheciaDe sua grande missão:Não sabia, por exemploQue a casa de um homem é um temploUm templo sem religiãoComo tampouco sabiaQue a casa que ele faziaSendo a sua liberdadeEra a sua escravidão.De fato, como podiaUm operário em construçãoCompreender por que um tijoloValia mais do que um pão?[...] Mas ele desconheciaEsse fato extraordinário:Que o operário faz a coisaE a coisa faz o operário.De forma que, certo diaA mesa, ao cortar o pão `O operário foi tomadoDe uma súbita emoçãoAo constatar assombradoQue tudo naquela mesa– Garrafa, prato, facão –Era ele quem os faziaEle, um humilde operário,Um operário em construção.[...] E foi assim que o operárioDo edifício em construçãoQue sempre dizia simComeçou a dizer nãoE aprendeu a notar coisasA que não dava atenção:Notou que sua marmitaEra o prato do patrãoQue sua cerveja pretaEra o uísque do patrãoQue seu macacão de zuarteEra o terno do patrãoQue o casebre onde moravaEra a mansão do patrão[...] Que sua imensa fadigaEra amiga do patrão.E o operário disse: Não!E o operário fez-se forteNa sua resolução.Como era de se esperarAs bocas da delaçãoComeçaram a dizer coisasAos ouvidos do patrão.[...] Dia seguinte, o operárioAo sair da construçãoViu-se súbito cercadoDos homens da delaçãoE sofreu, por destinadoSua primeira agressão.Teve seu rosto cuspidoTeve seu braço quebradoMas quando foi perguntadoO operário disse: Não![...] Sentindo que a violênciaNão dobraria o operárioUm dia tentou o patrãoDobrá-lo de modo vário.De sorte que o foi levandoAo alto da construçãoE num momento de tempoMostrou-lhe toda a regiãoE apontando-a ao operárioFez-lhe esta declaração:— Dar-te-ei todo esse poderE a sua satisfação[...] E o operário disse: Não!— Loucura! – gritou o patrãoNão vês o que te dou eu?— Mentira! – disse o operárioNão podes dar-me o que é meu.[...]Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).Embora os textos I, II e III sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.
Por isso, ao comparar os textos I, II e III, pode-se afirmar que
BA62E454-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto I a seguir, de autoria do jornalista argentino Emiliano Gullo, para responder a questão.TEXTO ICapitalismo com tração SanguíneaEmiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.Por: Emiliano GulloEspero que você seja pego por um feroz.Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta. No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. E a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos. Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]Sem caixa, não há trabalho. [...]As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Se não, fazemos pedidos menores. [...]A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]Fonte: https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.GLOSSÁRIO:Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.Peso: Moeda argentina, como o Real no BrasilTelgopor: Material térmico semelhante a isopor.De acordo com o linguista José Luiz Fiorin (2010, p. 194): “Quando se atenua aquilo que de fato teria uma intensidade maior, ocorre um eufemismo”. Sabendo disso, responda:Em qual trecho do texto foi utilizado um eufemismo com a intenção discursiva de atenuar “o pior do capitalismo: a exploração com cara boa”?ECB489A1-3B Química
Transformações QuímicasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosMuitos livros didáticos representam as espécies químicas (elétrons, núcleos, íons, átomos e moléculas) por meio de círculos. Para diferenciar cada uma delas, os círculos apresentam algumas diferenças, como por exemplo cor, textura e contorno.Na figura apresentada, os círculos estão representando espécies em uma reação química hipotética.
A partir da figura, o modelo atômico que explica a reação química hipotética apresentada é aquele proposto porECB22336-3B Matemática
Geometria PlanaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosDeseja-se construir uma piscina retangular com lados medindo x e y em um terreno. A parte do terreno disponível para a construção da piscina tem o formato de um triângulo retângulo de lados 6, 8 e 10 metros. A piscina deve ser construída de forma que um de seus lados esteja sobre a hipotenusa do triângulo retângulo.
Qual é a área máxima possível do retângulo formado pela piscina?
EC9FE325-3B Biologia
Ecologia e ciências ambientaisUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o excerto a seguir:
Riscos ambientais da PEC das Praias
Essa faixa costeira é fundamental na contenção da erosão
A Proposta de Emenda Constitucional 3/2022, a PEC das Praias, tem sido debatida nos últimos dias, especialmente sob a ótica econômica e social. Gostaríamos de incluir aqui alguns argumentos ambientais a partir de nossa pesquisa em biologia marinha. O objetivo principal dessa PEC é a concessão privada de terrenos de marinha. Há um entendimento de que essa faixa se localize acima de 33 metros da linha d’água, o que exclui as praias. Há outro entendimento que cita que essas áreas vão até onde se faça sentir a influência da maré. Só nessa duplicidade de interpretações já há margem para conflitos.
Essa faixa costeira é fundamental na contenção da erosão litorânea e das mudançãs climáticas. Elas são partes do patrimônio nacional, devendo ser geridas pelo interesse público. Por mais que não privatize praias, a PEC 3/2022 resultará em degradação ambiental, expulsão de pescadores artesanais, dificuldade de acesso à praia e especulação imobiliária.
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/06/6878577- riscos-ambientais-da-pec-das-praias.html Acesso em: 16 de jun. de 2024
Sobre a vegetação litorânea ameaçada pela privatização de áreas à beira-mar, assinale a alternativa CORRETA.
EC99F320-3B Geografia
ClimaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosAnalise as imagens a seguir:
Figura 1

Fonte: https://encurtador.com.br/Z9uWG Acesso em 24 de jun. de 2024.
Figura 2

Fonte: INMET, 2024.
A Figura 1 representa as massas de ar que atuam sobre a América do Sul. Já a Figura 2 representa o acumulado de chuvas em milímetros em 15 dias no Brasil entre 21/04/2024 e 06/05/2024. O elevado nível de chuvas sobre o estado do Rio Grande do Sul pode ser considerado como um evento extremo causado por uma conjunção de fenômenos meteorológicos.
É CORRETO afirmar como uma das causas deste evento extremo que:
252D76E5-3A Química
Interações Atômicas: Geometria Molecular, Polaridade da ligação e da Molécula, Forças Intermoleculares e Número de Oxidação.Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosO oxigênio dissolvido na água, responsável pela manutenção da vida aquática, é de extrema importância no equilíbrio do ecossistema marítimo. Por exemplo, nas águas frias do Atlântico Norte existe maior atividade pesqueira do que nas águas quentes equatoriais, devido á maior abundância de vida marinha, já que as baixas temperaturas favorecem a interação entre as moléculas de oxigênio e as moléculas de água.
Considere as interações intermoleculares abaixo:
I. Interação entre moléculas de O2.
II. Interação entre moléculas de H2O.
III. Interação entre moléculas de O2 e H2O.
Pode-se dizer que nos sistemas I, II e III as interações intermoleculares mais fortes presentes são, respectivamente, do tipo
25200908-3A Química
Grandezas: massa, volume, mol, massa molar, constante de Avogadro e Estequiometria.Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosNos materiais contendo ferro, não é difícil identificar que ocorreu a oxidação. A esponja de aço, por exemplo, ao entrar em contato com o hipoclorito de sódio (NaCℓO), conhecido como água sanitária, reage formando Fe2O3(s). A equação química, não balanceada, que representa a reação entre o ferro e o hipoclorito de sódio está representada a seguir:
Fe(s) + NaCℓO(aq) ⇌ Fe2O3(s) + NaCℓ(aq)
Quantos mols de NaCℓO são necessários para produzir 480 g de Fe2O3?
251D9372-3A Matemática
Aritmética e ProblemasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosO gráfico de colunas abaixo apresenta a distribuição das quantidades de cartões amarelos e cartões vermelhos que os jogadores de um time de futebol receberam nas primeiras dez rodadas de um campeonato.
Represente por M1 a média de cartões amarelos recebidos pelos jogadores desse time, por rodada desse campeonato, e por M2 e M3, respectivamente, a mediana e a moda da distribuição das quantidades de cartões amarelos recebidos pelos jogadores desse time nas dez primeiras rodadas desse campeonato.Ordenando M1, M2 e M3 obtém-se