Questões do ENEM: nível médio
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27.392 questões encontradas. Mostrando a página 515 de 1370.
A889A762-02 Sabendo-se que 2i é raiz do polinômio p(x) = x4 - x3 + 2x2 - 4x - 8, onde i é a unidade imaginária, a soma das raízes desse polinômio éA8864340-02 Matemática
Funções Trigonométricas e Funções Trigonométricas InversasUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosSeja f (x) uma função definida para todos os números reais. Dada a expressão
A8833898-02 Matemática
Geometria EspacialUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosUm porta-canetas tem o formato de um prisma reto de base octogonal, seccionado transversalmente por um plano, conforme indica a Figura 1. A altura maior é 5/4 da altura menor h e a base possui lado medindo a, com altura sendo o dobro do tamanho do lado, conforme a Figura 2.
O volume para esse objeto pode ser descrito pela equação
A87C3D2E-02 Matemática
Geometria PlanaUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosNa figura a seguir, a reta que passa pelos pontos A e B possui equação y = 2x - 1, ao passo que a reta que contém o ponto B e C é y = -2x + 11.
Dessa forma, a altura h na figura é
A86F7B34-02 Matemática
Aritmética e ProblemasUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosRenata está pensando em comprar uma TV, mas no momento ela possui apenas R$ 900,00 e consegue juntar R$ 300,00 por mês a partir do terceiro mês, após a compra. Na primeira loja em que ela entrou ouviu a proposta de pagar à vista o valor de R$ 2.700,00. Na segunda loja a proposta foi de dar uma entrada de R$ 900,00 e parcelar o restante em duas vezes de R$ 1.000,00. Na terceira loja em que pesquisou a proposta foi de R$ 900,00 de entrada e oito prestações de R$ 300,00 a partir do terceiro mês, após a compra. Renata consegue um empréstimo de R$ 2.000,00 pagando juros de 10% sobre esse valor caso compre na segunda loja ou R$ 1.800,00 pagando juros de 15% sobre esse valor caso compre na primeira loja. Para Renata, aA8599A6A-02 Português
Interpretação de TextosUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o poema e observe a imagem a seguir para responder à questão.Um sonhoEu tive um sonho esta noite que não quero esquecer,por isso o escrevo tal qual se deu:era que me arrumava para uma festa onde eu ia falar.O meu cabelo limpo refletia vermelhos,o meu vestido era num tom de azul, cheio de panos, lindo,o meu corpo era jovem, as minhas pernas gostavamdo contato da seda. Falava-se, ria-se, preparava-se.Todo movimento era de espera e aguardos, sendoque depois de vestida, vesti por cima um casacoe colhi do próprio sonho, pois de parte algumaeu a vira brotar, uma sempre-viva amarela,que me encantou por seu miolo azul, um azulde céu limpo sem as reverberações, de um azulsem o ‘z’, que o ‘z’ nesta palavra tisna.Não digo azul, digo bleu, a ideia exatade sua seca maciez. Pus a flor no casacoque só para isto existiu, assim como o sonho inteiro.Eu sonhei uma cor.Agora, sei.
PRADO, Adélia. Bagagem. 26. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 75.
DALÍ, Salvador. Dalí, aos seis anos, quando acreditava que era uma garotinha, levantando a pele da água para ver um cão dormindo na água do mar (1950). Óleo sobre tela. In: PROENÇA, Graça. História da Arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2008. p. 270.
Tanto o poema quanto a pinturaA8569047-02 Português
Coesão e coerênciaUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
Jornal O Popular, p. M7, 09 mar. 2017.Há entre a tirinha de Maurício de Sousa e a conhecida narrativa do Éden, da tradição judaico-cristã, uma relaçãoA852EFA1-02 Português
PontuaçãoUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosLeia com atenção o texto a seguir para responder à questão.
SIBILIA, Paula. O homem pós-orgânico: a alquimia dos corpos e das almas à luz das tecnologias digitais. 2. ed. Rio de Janeiro:Contraponto, 2015. p. 34-36. (Adaptado).
Considere o trecho a seguir.“De maneira crescente, a identificação do consumidor passa pelo seu perfil: uma série de dados sobre sua condição socioeconômica, seus hábitos e suas preferências de consumo” (linhas 16 e 17).No trecho citado, o sinal de dois pontos tem como função introduzirA8466D7B-02 Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
Disponível em: <http://images.ucomics.com/comics/ga/2004/ga040512.gif> Acesso em: 21 fev. 2017.Considerando-se os aspectos linguísticos da charge, percebe-se que
A838666A-02 Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUEG · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosLeia com atenção o texto a seguir para responder à questão.'Post-truth' named word of the year by Oxford DictionariesIn the era of Donald Trump and Brexit, Oxford Dictionaries has declared “post-truth” to be its international word of the year.Defined by the dictionary as an adjective “relating to or denoting circumstances in which objective facts are less influential in shaping public opinion than appeals to emotion and personal belief”, editors said that use of the term “post-truth” had increased by around 2,000% in 2016 compared to last year. The spike in usage, it said, is “in the context of the EU referendum in the United Kingdom and the presidential election in the United States”.Contenders for the title had included the noun “alt-right”, shortened from the fuller form “alternative right” and defined as “an ideological grouping associated with extreme conservative or reactionary viewpoints, characterised by a rejection of mainstream politics and by the use of online media to disseminate deliberately controversial content”. First used in 2008, its use “surged” this spring and summer, said the dictionary, with 30% of usage in August alone.But the increase in usage of post-truth saw the term eventually emerge ahead of the pack. “We first saw the frequency really spike this year in June with buzz over the Brexit vote and Donald Trump securing the Republican presidential nomination. Given that usage of the term hasn’t shown any signs of slowing down, I wouldn’t be surprised if post-truth becomes one of the defining words of our time,” predicted Oxford Dictionaries president Casper Grathwohl.“It’s not surprising that our choice reflects a year dominated by highly-charged political and social discourse. Fuelled by the rise of social media as a news source and a growing distrust of facts offered up by the establishment, post-truth as a concept has been finding its linguistic footing for some time.”Disponível em:<https://www.theguardian.com/books/2016/nov/15/post-truth-named-word-of-the-year-by-oxford-dictionaries>.Acesso em: 21 fev. 2017. (Adaptado).De acordo com o texto, o termo “pós-verdade”6CB50E88-FF Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosAccording to the strip from Question 12, we can conclude that:6CAA4A27-FF Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosIS A VEGAN DIET HEALTHY?
By Mary Lynch
As a registered nutritionist, the question “Is the vegan diet healthy?” is one I get all the time, especially at this time of year.
Frustratingly, the answer is that it depends as much on what you eat as with any other diet. Someone living purely on ready salted crisps or chips, for example, would be technically following a vegan diet, but it would in no way be healthy.
However, research shows that there are potential benefits to a vegan diet. A recent study indicated that the average vegan diet is higher in vitamin C and fibre, and lower in saturated fat than one containing meat. In addition, statistics show that vegans have a lower BMI (height-to-weight ratio) than meat eaters – in other words, they are skinnier.
You see, a diet without any meat or dairy products is likely to contain a lot less saturated fat, which is related to increased cholesterol levels and increased risk of heart disease. We also know that fat contains more calories per gram than other foods, and so vegans may consume fewer calories as a result. Finally, a vegan diet is generally thought to contain more cereals, fruits, vegetables, nuts and seeds than a non¬vegan diet.
Sounds great right? Not quite. In terms of micronutrients, a vegan diet is actually more susceptible to being nutritionally poor. A vegan diet is naturally low in calcium, vitamin D, iron, vitamin B12, zinc and omega-3 fatty acids. Therefore, if you follow a vegan diet it is essential that you get enough of these nutrients through specific vegan food sources – and may even need to take additional supplements. We have many recipes suitable for vegans that can help, just check out our vegan section. In our features we also have this traditional hummus recipe, which contains tahini – a good source of calcium, zinc and iron, which are all micronutrients hard to get a hold of on a vegan diet.
So there you have it: going vegan does not necessarily mean you are going to be healthier. In fact, I think that much of the improvement in diets among vegans is a result of education rather than going meat free. In other words, if someone chooses to go vegan they are more likely to care about what they are eating and therefore are more likely to educate themselves on the types of foods they should and should not be eating.
From: https://goo.gl/AwDYY7. Accessed on 03/22/2017.
According to the text, people who follow a vegan diet:6C9714AB-FF Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosVEGAN VS VEGETARIAN – WHAT’S THE DIFFERENCE?
By Alina Petre
Vegetarian diets have reportedly been around since as early as 700 B.C. Several typesexist and individuals may practice them for a variety of reasons, including health, ethics, environmentalism and religion. Vegan diets are a little more recent, but are getting a good amount of press.
What is a vegetarian diet?
According to the Vegetarian Society, a vegetarian is someone who does not eat any meat, poultry, game, fish, shellfish or by-products of animal slaughter. Vegetarian diets contain various levels of fruits, vegetables, grains, pulses, nuts and seeds. The inclusion of dairy and eggs depends on the type of diet you follow.
The most common types of vegetarians include:
• Lacto-ovo vegetarians: Vegetarians who avoid all animal flesh, but do consume dairy and egg products.
• Lacto vegetarians: Vegetarians who avoid animal flesh and eggs, but do consume dairy products.
• Ovo vegetarians: Vegetarians who avoid all animal products except eggs.
• Vegans: Vegetarians who avoid all animal and animal-derived products.
Those who do not eat meat or poultry but do consume fish are considered pescatarians, whereas part-time vegetarians are often referred to as flexitarians.
Although sometimes considered vegetarians, pescatarians and flexitarians do eat animal flesh. Therefore, they do not technically fall under the definition of vegetarianism.
From: https://goo.gl/n9yEy1. Accessed on 03/22/2017
Why can´t pescatarians and flexitarians be considered vegetarians?6C93E845-FF Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosVEGAN VS VEGETARIAN – WHAT’S THE DIFFERENCE?
By Alina Petre
Vegetarian diets have reportedly been around since as early as 700 B.C. Several typesexist and individuals may practice them for a variety of reasons, including health, ethics, environmentalism and religion. Vegan diets are a little more recent, but are getting a good amount of press.
What is a vegetarian diet?
According to the Vegetarian Society, a vegetarian is someone who does not eat any meat, poultry, game, fish, shellfish or by-products of animal slaughter. Vegetarian diets contain various levels of fruits, vegetables, grains, pulses, nuts and seeds. The inclusion of dairy and eggs depends on the type of diet you follow.
The most common types of vegetarians include:
• Lacto-ovo vegetarians: Vegetarians who avoid all animal flesh, but do consume dairy and egg products.
• Lacto vegetarians: Vegetarians who avoid animal flesh and eggs, but do consume dairy products.
• Ovo vegetarians: Vegetarians who avoid all animal products except eggs.
• Vegans: Vegetarians who avoid all animal and animal-derived products.
Those who do not eat meat or poultry but do consume fish are considered pescatarians, whereas part-time vegetarians are often referred to as flexitarians.
Although sometimes considered vegetarians, pescatarians and flexitarians do eat animal flesh. Therefore, they do not technically fall under the definition of vegetarianism.
From: https://goo.gl/n9yEy1. Accessed on 03/22/2017
The main difference between a vegan and a vegetarian is that:6C8BEB38-FF Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosVEGAN VS VEGETARIAN – WHAT’S THE DIFFERENCE?
By Alina Petre
Vegetarian diets have reportedly been around since as early as 700 B.C. Several typesexist and individuals may practice them for a variety of reasons, including health, ethics, environmentalism and religion. Vegan diets are a little more recent, but are getting a good amount of press.
What is a vegetarian diet?
According to the Vegetarian Society, a vegetarian is someone who does not eat any meat, poultry, game, fish, shellfish or by-products of animal slaughter. Vegetarian diets contain various levels of fruits, vegetables, grains, pulses, nuts and seeds. The inclusion of dairy and eggs depends on the type of diet you follow.
The most common types of vegetarians include:
• Lacto-ovo vegetarians: Vegetarians who avoid all animal flesh, but do consume dairy and egg products.
• Lacto vegetarians: Vegetarians who avoid animal flesh and eggs, but do consume dairy products.
• Ovo vegetarians: Vegetarians who avoid all animal products except eggs.
• Vegans: Vegetarians who avoid all animal and animal-derived products.
Those who do not eat meat or poultry but do consume fish are considered pescatarians, whereas part-time vegetarians are often referred to as flexitarians.
Although sometimes considered vegetarians, pescatarians and flexitarians do eat animal flesh. Therefore, they do not technically fall under the definition of vegetarianism.
From: https://goo.gl/n9yEy1. Accessed on 03/22/2017
According to the text, it is right to say that:6C79DCAC-FF Literatura
Escolas LiteráriasURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosSobre o romance de Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, publicado em 1901, podemos afirmar que:6C700308-FF Português
Orações subordinadas adjetivas: Restritivas, ExplicativasURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosCada pessoa/ que chegava/ se impressionava com o nacionalismo exagerado, /embora não o compreendesse.
Há no fragmento acima, três orações, assim distribuídas: 1. Cada pessoa se impressionava com o nacionalismo exagerado; 2. Que chegava; 3. Embora não o compreendesse. A segunda oração é:
6C6C9D18-FF Português
Análise sintáticaURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosCada pessoa/ que chegava/ se impressionava com o nacionalismo exagerado, /embora não o compreendesse.
Há no fragmento acima, três orações, assim distribuídas: 1. Cada pessoa se impressionava com o nacionalismo exagerado; 2. Que chegava; 3. Embora não o compreendesse. A primeira oração é:
6C693D25-FF Português
Há-aURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosESPINHOS E FLORES
Os subúrbios do Rio de Janeiro são a mais curiosa cousa em matéria de edificação de cidade. A topografia do local, caprichosamente montuosa, influiu decerto para tal aspecto, mais influíram, porém, os azares das construções. Nada mais irregular, mais caprichoso, mais sem plano qualquer, pode ser imaginado. As casas surgiam como se fossem semeadas ao vento e, conforme as casas, as ruas se fizeram. Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com um ódio tenaz e sagrado. Às vezes se sucedem na mesma direção com uma frequência irritante, outras se afastam, e deixam de permeio um longo intervalo coeso e fechado de casas. Num trecho, há casas amontoadas umas sobre outras numa angústia de espaço desoladora, logo adiante um vasto campo abre ao nosso olhar uma ampla perspectiva.
Marcham assim ao acaso as edificações e conseguintemente o arruamento. Há casas de todos os gostos e construídas de todas as formas. Vai-se por uma rua a ver um correr de chalets, de porta e janela, parede de frontal, humildes e acanhados, de repente se nos depara uma casa burguesa, dessas de compoteiras na cimalha rendilhada, a se erguer sobre um porão alto com mezaninos gradeados. Passada essa surpresa, olha-se acolá e dá-se com uma choupana de pau-a-pique, coberta de zinco ou mesmo palha, em torno da qual formiga uma população; adiante, é uma velha casa de roça, com varanda e colunas de estilo pouco classificável, que parece vexada a querer ocultar-se, diante daquela onda de edifícios disparatados e novos. Não há nos nossos subúrbios cousa alguma que nos lembre os famosos das grandes cidades européias, com as suas vilas de ar repousado e satisfeito, as suas estradas e ruas macadamizadas e cuidadas, nem mesmo se encontram aqueles jardins, cuidadinhos, aparadinhos, penteados, porque os nossos, se os há, são em geral pobres, feios e desleixados.
Os cuidados municipais também são variáveis e caprichosos. Às vezes, nas ruas, há passeios em certas partes e outras não; algumas vias de comunicação são calçadas e outras da mesma importância estão ainda em estado de natureza. Encontra-se aqui um pontilhão bem cuidado sobre um rio seco e passos além temos que atravessar um ribeirão sobre uma pinguela de trilhos mal juntos. Há pelas ruas damas elegantes, com sedas e brocados, evitando a custo que a lama ou o pó lhes empane o brilho do vestido; há operário de tamancos; há peralvilhos à última moda; há mulheres de chita; e assim pela tarde, quando essa gente volta do trabalho ou do passeio, a mescla se faz numa mesma rua, num quarteirão, e quase sempre o mais bem posto não é que entra na melhor casa. Além disto, os subúrbios têm mais aspectos interessantes, sem falar no namoro epidêmico e no espiritismo endêmico; as casas de cômodos (quem as suporia lá!) constituem um deles bem inédito. Casas que mal dariam para uma pequena família, são divididas, subdivididas, e os minúsculos aposentos assim obtidos, alugados à população miserável da cidade. Aí, nesses caixotins humanos, é que se encontra a fauna menos observada da nossa vida, sobre a qual a miséria paira com um rigor londrino. Não se podem imaginar profissões mais tristes e mais inopinadas da gente que habita tais caixinhas. Além dos serventes de repartições, contínuos de escritórios, podemos deparar velhas fabricantes de rendas de bilros, compradores de garrafas vazias, castradores de gatos, cães e galos, mandingueiros, catadores de ervas medicinais, enfim, uma variedade de profissões miseráveis que as nossas pequena e grande burguesias não podem adivinhar. Às vezes, num cubículo desses se amontoa uma família, e há ocasiões em que os seus chefes vão a pé para a cidade por falta do níquel do trem. Ricardo Coração dos Outros morava em uma pobre casa de cômodos de um dos subúrbios. Não era das sórdidas, mas era uma casa de cômodos dos subúrbios. Desde anos que ele a habitava e gostava da casa que ficava trepada sobre uma colina, olhando da janela do seu quarto para uma ampla extensão edificada que ia da Piedade a Todos os Santos.
Vistos assim do alto, os subúrbios têm a sua graça. As casas pequeninas, pintadas de azul, de branco, de oca, engastadas nas comas verde-negras das mangueiras, tendo de permeio, aqui e ali, um coqueiro ou uma palmeira, alta e soberba, fazem a vista boa e a falta de percepção do desenho das ruas põe no programa um sabor de confusão democrática, de solidariedade perfeita entre as gentes que as habitavam; e o trem minúsculo, rápido, atravessa tudo aquilo, dobrando à esquerda, inclinando-se para a direita, muito flexível nas suas grandes vértebras de carros, como uma cobra entre pedrouços. Era daquela janela que Ricardo espraiava as suas alegrias, as suas satisfações, os seus triunfos e também os seus sofrimentos e mágoas. Ainda agora estava ele lá, debruçado no peitoril, com a mão em concha no queixo, colhendo com a vista uma grande parte daquela bela, grande e original cidade, capital de um grande país, de que ele a modos que era e se sentia ser, a alma, consubstanciado os seus tênues sonhos e desejos em versos discutíveis, mas que a plangência do violão, se não lhes dava sentido, dava um quê de balbucio, de queixume dorido da pátria criança ainda, ainda na sua formação... Em que pensava ele? Não pensava só, sofria também. Aquele tal preto continuava na sua mania de querer fazer a modinha dizer alguma cousa, e tinha adeptos. Alguns já o citavam como rival dele, Ricardo; outros já afirmavam que o tal rapaz deixava longe o Coração dos Outros, e alguns mais – ingratos! – já esqueciam os trabalhos, o tenaz trabalhar de Ricardo Coração dos Outros em prol do levantamento da modinha e do violão, e nem nomeavam o abnegado obreiro.
(Triste Fim de Policarpo Quaresma, pp.160-165)
Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas que nem vielas. Dadas as proposições abaixo, marque a opção que preenche corretamente as lacunas:
Major Quaresma saiu ____ alguns minutos.
O mapa indica que o subúrbio fica ____ meia hora daqui.
Daqui ____ um ano iremos viajar.
Não vejo Ricardo Coração dos Outros ____ dias.
6C6309DF-FF Português
CraseURCA · 2017MédioEntre para guardar nos favoritosESPINHOS E FLORES
Os subúrbios do Rio de Janeiro são a mais curiosa cousa em matéria de edificação de cidade. A topografia do local, caprichosamente montuosa, influiu decerto para tal aspecto, mais influíram, porém, os azares das construções. Nada mais irregular, mais caprichoso, mais sem plano qualquer, pode ser imaginado. As casas surgiam como se fossem semeadas ao vento e, conforme as casas, as ruas se fizeram. Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com um ódio tenaz e sagrado. Às vezes se sucedem na mesma direção com uma frequência irritante, outras se afastam, e deixam de permeio um longo intervalo coeso e fechado de casas. Num trecho, há casas amontoadas umas sobre outras numa angústia de espaço desoladora, logo adiante um vasto campo abre ao nosso olhar uma ampla perspectiva.
Marcham assim ao acaso as edificações e conseguintemente o arruamento. Há casas de todos os gostos e construídas de todas as formas. Vai-se por uma rua a ver um correr de chalets, de porta e janela, parede de frontal, humildes e acanhados, de repente se nos depara uma casa burguesa, dessas de compoteiras na cimalha rendilhada, a se erguer sobre um porão alto com mezaninos gradeados. Passada essa surpresa, olha-se acolá e dá-se com uma choupana de pau-a-pique, coberta de zinco ou mesmo palha, em torno da qual formiga uma população; adiante, é uma velha casa de roça, com varanda e colunas de estilo pouco classificável, que parece vexada a querer ocultar-se, diante daquela onda de edifícios disparatados e novos. Não há nos nossos subúrbios cousa alguma que nos lembre os famosos das grandes cidades européias, com as suas vilas de ar repousado e satisfeito, as suas estradas e ruas macadamizadas e cuidadas, nem mesmo se encontram aqueles jardins, cuidadinhos, aparadinhos, penteados, porque os nossos, se os há, são em geral pobres, feios e desleixados.
Os cuidados municipais também são variáveis e caprichosos. Às vezes, nas ruas, há passeios em certas partes e outras não; algumas vias de comunicação são calçadas e outras da mesma importância estão ainda em estado de natureza. Encontra-se aqui um pontilhão bem cuidado sobre um rio seco e passos além temos que atravessar um ribeirão sobre uma pinguela de trilhos mal juntos. Há pelas ruas damas elegantes, com sedas e brocados, evitando a custo que a lama ou o pó lhes empane o brilho do vestido; há operário de tamancos; há peralvilhos à última moda; há mulheres de chita; e assim pela tarde, quando essa gente volta do trabalho ou do passeio, a mescla se faz numa mesma rua, num quarteirão, e quase sempre o mais bem posto não é que entra na melhor casa. Além disto, os subúrbios têm mais aspectos interessantes, sem falar no namoro epidêmico e no espiritismo endêmico; as casas de cômodos (quem as suporia lá!) constituem um deles bem inédito. Casas que mal dariam para uma pequena família, são divididas, subdivididas, e os minúsculos aposentos assim obtidos, alugados à população miserável da cidade. Aí, nesses caixotins humanos, é que se encontra a fauna menos observada da nossa vida, sobre a qual a miséria paira com um rigor londrino. Não se podem imaginar profissões mais tristes e mais inopinadas da gente que habita tais caixinhas. Além dos serventes de repartições, contínuos de escritórios, podemos deparar velhas fabricantes de rendas de bilros, compradores de garrafas vazias, castradores de gatos, cães e galos, mandingueiros, catadores de ervas medicinais, enfim, uma variedade de profissões miseráveis que as nossas pequena e grande burguesias não podem adivinhar. Às vezes, num cubículo desses se amontoa uma família, e há ocasiões em que os seus chefes vão a pé para a cidade por falta do níquel do trem. Ricardo Coração dos Outros morava em uma pobre casa de cômodos de um dos subúrbios. Não era das sórdidas, mas era uma casa de cômodos dos subúrbios. Desde anos que ele a habitava e gostava da casa que ficava trepada sobre uma colina, olhando da janela do seu quarto para uma ampla extensão edificada que ia da Piedade a Todos os Santos.
Vistos assim do alto, os subúrbios têm a sua graça. As casas pequeninas, pintadas de azul, de branco, de oca, engastadas nas comas verde-negras das mangueiras, tendo de permeio, aqui e ali, um coqueiro ou uma palmeira, alta e soberba, fazem a vista boa e a falta de percepção do desenho das ruas põe no programa um sabor de confusão democrática, de solidariedade perfeita entre as gentes que as habitavam; e o trem minúsculo, rápido, atravessa tudo aquilo, dobrando à esquerda, inclinando-se para a direita, muito flexível nas suas grandes vértebras de carros, como uma cobra entre pedrouços. Era daquela janela que Ricardo espraiava as suas alegrias, as suas satisfações, os seus triunfos e também os seus sofrimentos e mágoas. Ainda agora estava ele lá, debruçado no peitoril, com a mão em concha no queixo, colhendo com a vista uma grande parte daquela bela, grande e original cidade, capital de um grande país, de que ele a modos que era e se sentia ser, a alma, consubstanciado os seus tênues sonhos e desejos em versos discutíveis, mas que a plangência do violão, se não lhes dava sentido, dava um quê de balbucio, de queixume dorido da pátria criança ainda, ainda na sua formação... Em que pensava ele? Não pensava só, sofria também. Aquele tal preto continuava na sua mania de querer fazer a modinha dizer alguma cousa, e tinha adeptos. Alguns já o citavam como rival dele, Ricardo; outros já afirmavam que o tal rapaz deixava longe o Coração dos Outros, e alguns mais – ingratos! – já esqueciam os trabalhos, o tenaz trabalhar de Ricardo Coração dos Outros em prol do levantamento da modinha e do violão, e nem nomeavam o abnegado obreiro.
(Triste Fim de Policarpo Quaresma, pp.160-165)
Às vezes, nas ruas, há passeios em certas partes e outras não. No termo em destaque temos um caso da utilização do acento grave. A alternativa em que o acento indicativo de crase não procede é: