Questões do ENEM: Universidade Federal de Juiz de Fora - MG
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279 questões encontradas. Mostrando a página 3 de 14.
9606EE86-3F Leia os textos I e II, de autoria dos escritores africanos contemporâneos, Paulina Chiziane e Ngugi wa Thiong'o.TEXTO IDesperta! Lava os olhos no banho da liberdadeBusca as tuas pegadas nas frias cinzas da HistóriaRegressar às raízes é isto: percorrer caminhos sinuososAté descobrir o teu brilho no espelho do mundoAs campanhas coloniais colocaram-te uma venda nos olhosResiste. Não te deixes apagar e luta com oque te ofusca Reconhece-te. Estás presente em todas asmaravilhas do mundo.(...)Procura-teÀ tua música chamam folclore e à arte, artesanatoAo teu religioso, superstição e ao teu sagrado, diabólicoTira as mordaças com que te animalizam. Conhece-te.Fonte: CHIZIANE, Paulina. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018.TEXTO IIOs oprimidos e explorados da terra mantêm seu desafio: liberdade frente ao saque. Porém, a arma mais perigosa que é empunhada e brandida a cada pelo imperialismo contra esse desafio coletivo é a bomba cultural. O efeito de uma bomba cultural é aniquilar as crenças dos povos nos seus nomes, línguas e entorno natural, na sua tradição de luta, sua unidade e capacidades e, por fim, em si mesmos.Fonte: Descolonizar la mente. Barcelona: Editorial Debolsillo, 2010, pp.7-8. [e-book].Marque a alternativa CORRETA sobre a relação dos Textos I e II com o processo de dominação imperialista da África:9604597F-3F Física
Física Térmica - TermologiaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024DifícilEntre para guardar nos favoritosConsidere g = 10, 0 m/s2
Em relação aos processos de propagação do calor, assinale a alternativa CORRETA.
9601AD1F-3F Física
Oscilação e OndasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024DifícilEntre para guardar nos favoritosConsidere g = 10, 0 m/s2
Em relação às ondas sonoras, assinale a alternativa CORRETA.
95FEB52A-3F Física
ÓticaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosConsidere g = 10, 0 m/s2
Em relação ao microscópio óptico e à luneta astronômica, assinale a alternativa CORRETA.
95FBB0D7-3F Química
Equipamentos e Técnicas BásicasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosConsidere g = 10, 0 m/s2Considere um dispositivo que consiste em um tubo de maior área e uma parede central contendo um pequeno orifício que deixa a passagem de fluxo de ar para outro lado somente em um sentido. Sabe-se que o fluxo de ar é incompressível, que a velocidade do som no ar é de aproximadamente 340,0 m/s, que o diâmetro do orifício é de 1,0 mm2 e que a velocidade do fluxo de ar no orifício é o dobro da velocidade do som no ar. O valor da velocidade do fluxo de ar antes do orifício numa área de 10,0 cm2 é de95F94F4A-3F Física
Conteúdos BásicosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosConsidere g = 10, 0 m/s2Sabe-se que a densidade da água do mar é aproximadamente de 1,0 g/cm3 e que uma atmosfera equivale a 1,0 × 105 N/m2 . A profundidade no mar que corresponde a uma pressão de 2,0 atm é de aproximadamente95F6D219-3F Biologia
Identidade dos seres vivosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosOs animais (Metazoa = animais) constituem um grupo com mais de 1,5 milhão de espécies descritas. Os metazoários (Metazoa) são muito diversificados e possuem características morfológicas, fisiológicas e evolutivas muito distintas. Em relação às características presentes nos distintos grupos animais, marque a opção que contém informações CORRETAS.95F46380-3F Biologia
Origem e evolução da vidaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosO fóssil de Archaeopteryx lithographica é reconhecido como o primeiro registro de ave existente na natureza há milhões de anos atrás. No entanto, este organismo ainda apresentava uma mistura de características presentes em dinossauros Theropoda, mas ausentes nas aves atuais.É uma característica de Archaeopteryx lithographica também encontrada nas aves atuais95EF74A2-3F Biologia
Identidade dos seres vivosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosA Dra. Maria Beatriz de Barros Barreto, professora da UFRJ, participou do último Congresso Europeu de Algas, realizado em Brest, na França, em agosto de 2023, e descreveu que os pontos mais discutidos nesse congresso foram as alterações nas comunidades de algas marinhas, devido às mudanças climáticas. Vários pesquisadores no mundo verificaram a substituição de florestas marinhas formadas por algas pardas de grande porte, com mais de 1 metro de comprimento, por algas filamentosas formando tapetes de poucos centímetros de altura. O impacto dessa substituição ainda é incerto, mas pode ocorrer uma perda de espécies de algas pardas, que formam um grupo de organismos com representantes95ED1767-3F Biologia
Identidade dos seres vivosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho da reportagem a seguir.As mudanças climáticas globais estão tornando os fungos patogênicos mais resistentes devido à aceleração de suas mutações genéticas e, no Brasil, a plantação de cacau é fortemente afetada pelo fungo Moniliophtera perniciosa, chamado comumente de vassoura de bruxa, que causa enegrecimento e morte do cacaueiro, causando grandes estragos nas lavouras e encarecendo os processos de controle dessa infestação.Com relação aos organismos considerados como fungos, pode-se afirmar que são um grupo formado por:95EA7EE8-3F Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...] - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.TEXTO VLegiões de mulheres não têm por quinhão senão uma fadiga indefinidamente recomeçada no decorrer de um combate que jamais comporta uma vitória. Mesmo em casos mais privilegiados, essa vitória nunca é definitiva. Há poucas tarefas que se aparentem, mais do que as da dona de casa, ao suplício de Sísifo; dia após dia, é preciso lavar os pratos, espanar os móveis, consertar a roupa, que no dia seguinte já estarão novamente sujos, empoeirados, rasgada.No trecho acima (texto V), Simone de Beauvoir compara o trabalho de uma mulher do lar, dedicada aos afazeres domésticos e à criação dos filhos, ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. Considerando os textos III e V, assinale a alternativa correta:95E7F4AC-3F Literatura
Teoria LiteráriaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.TEXTO IVA questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.95E5121B-3F Literatura
Gêneros LiteráriosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:95E29BE9-3F Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO II
Um Índio
Caetano Veloso
Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do Hemisfério Sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífco
Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito
(...)
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
Fonte: UM ÍNDIO. Caetano Veloso. In: BICHO. Philips Records, 1977. 1 LP, faixa 5.
GLOSSÁRIO:
Muhammad Ali: foi um famoso pugilista estadunidense.
Peri: personagem indígena da obra "O guarani", de José de Alencar.
Bruce Lee: de origem chinesa, foi um conhecedor e praticante de muitas artes marciais, além de ator e diretor de cinema.
Afoxé Filhos de Gandhi: "O Desfile de Afoxés", ou "Cortejo de Afoxés", é uma expressão característica do carnaval baiano, com raízes vinculadas à religiosidade afro-baiana, e reconhecido como patrimônio cultural imaterial no estado" Já o "Afoxé Filhos de Gandhi" é um importante grupo baiano que desfila tradicionalmente no carnaval de Salvador.
Disponível em https://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/17562- afox%C3%A9, Acesso em 07/08/2024.
Sobre a canção "Um índio", de Caetano Veloso, marque a única alternativa que NÃO se apresenta como uma leitura possível:
95DF1CAF-3F Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosTEXTO I
Melro
Carlos Drummond de Andrade
Melro que cantas no morrer da noite,
com estas asas rotas aprende teu voo.
A vida toda
esperaste a hora e a vez de teu voo.
Melro que cantas no morrer da noite,
com estes olhos fundos aprende a ver.
A vida toda
esperaste a hora e a vez de ser livre.
Voa, melro, voa, melro,
para o clarão da escura noite.
Voa, melro, voa, melro,
para o clarão da escura noite.
Melro que cantas no morrer da noite,
com estas asas rotas aprende teu voo
A vida toda
esperaste a hora e a vez de teu voo
esperaste a hora e a vez de teu voo
esperaste a hora e a vez de teu voo.
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Tradução de "Blackbird", canção de Lenon e McCaartney. In: REALIDADE. São Paulo: Editora Abril, ano III, nº 36, mar. 1969, p. 61 (Pesquisado na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional).
GLOSSÁRIO:
Melro: ave de penas pretas, também chamada de açum-preto, graúna, pássaro preto, entre outros nomes.
Em março de 1969, o poeta Carlos Drummond de Andrade traduziu algumas canções da banda inglesa The Beatles, do então recém lançado Álbum Branco. Dentre as canções, escreveu o poema "Melro", uma tradução da composição dos Beatles, cujo título original é "Blackbird" (pássaro preto - outro possível sinônimo de Melro, em língua portuguesa). Essa canção composta pela banda britânica teria como motivação a luta do Movimento dos Direitos Civis dos Negros, nos Estados Unidos.A partir da leitura do poema de Drummond e considerando as informações acima, assinale a alternativa que melhor interprete os versos lidos:99E68F9D-3C Biologia
Ecologia e ciências ambientaisUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos“Uma pesquisa realizada com indígenas do povo Yanomami, do subgrupo Ninam, de nove aldeias localizadas em Roraima, mostrou que todos os participantes estão contaminados por mercúrio. Os maiores níveis de exposição foram detectados em indígenas que vivem nas aldeias localizadas mais próximas aos garimpos ilegais de ouro. [...] Os pesquisadores destacam que indígenas com níveis mais elevados de mercúrio apresentaram déficits cognitivos e danos em nervos nas extremidades, como mãos, braços, pés e pernas, com mais frequência.”FONTE: https://portal.fiocruz.br/noticia/2024/04/yanomamis-de-novealdeias-assediadas-pelo-garimpo-estao-contaminados-por-mercurioAtividades de mineração que despejam mercúrio (uma substância não biodegradável) em corpos d’água podem contaminar comunidades biológicas inteiras através da cadeia alimentar. Sobre o processo conhecido como biomagnificação, sabe-se que99DBE23C-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosConsiderando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:99C86376-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder a questão.
TEXTO III
O operário em construção
Vinicius de Moraes
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
[...] Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
A mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
[...] E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
[...] Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
[...] Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
[...] Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
— Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
[...] E o operário disse: Não!
— Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
— Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
[...]
Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).
Embora os textos sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.Por isso, ao comparar os textos, pode-se afirmar que99BD22D4-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritosCapitalismo com tração SanguíneaEmiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.Por: Emiliano GulloEspero que você seja pego por um feroz.Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta.No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. É a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos.Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]Sem caixa, não há trabalho. [...]As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Senão, faze-mos pedidos menores. [...]A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]Fonte:https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.GLOSSÁRIO:Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.Peso: Moeda argentina, como o Real no BrasilTelgopor: Material térmico semelhante a isopor.Com a afirmação “O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19”, parágrafo 17 , o autor99B6B1EC-3C Português
Interpretação de TextosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosCapitalismo com tração SanguíneaEmiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.Por: Emiliano GulloEspero que você seja pego por um feroz.Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta.No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. É a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos.Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]Sem caixa, não há trabalho. [...]As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Senão, faze-mos pedidos menores. [...]A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]Fonte:https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.GLOSSÁRIO:Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.Peso: Moeda argentina, como o Real no BrasilTelgopor: Material térmico semelhante a isopor.De acordo com o linguista José Luiz Fiorin (2010, p. 194): “Quando se atenua aquilo que de fato teria uma intensidade maior, ocorre um eufemismo”. Sabendo disso, responda:Em qual trecho do texto foi utilizado um eufemismo com a intenção discursiva de atenuar “o pior do capitalismo: a exploração com cara boa”?