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Resultados: 58.062 questões

Página 490 de 2.904

  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    Ao se transpor a frase “Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos.” (1° parágrafo) para a voz passiva analítica, o termo sublinhado assume a seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 751a5f3e-51
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    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    Em “Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos.” (3° parágrafo), a conjunção que poderia unir as duas frases, sem alteração de sentido, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 7512ab12-51
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    “Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que ‘negro não devia ter luxo’.” (1°parágrafo)

    Em relação à frase anterior, a frase sublinhada constitui uma
    Escolha uma alternativa para a questão 750e9c20-51
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    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    De acordo com o texto, os ladrões da época evitavam praticar furtos
    Escolha uma alternativa para a questão 750402e3-51
  • Linguagens

    Literatura

    Os ______ haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os _________, ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas.

    (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)


    As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

    Escolha uma alternativa para a questão 74fcafd6-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    “Se a gente se cansa

    Do mesmo lugar,

    Do mesmo ser

    Por que não se cansar?” (2ª estrofe)


    Os termos sublinhados constituem

    Escolha uma alternativa para a questão 74f92c68-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    O eu lírico inclui o leitor em sua argumentação
    Escolha uma alternativa para a questão 74ed40dd-51
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    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    O eu lírico expressa um desejo em:
    Escolha uma alternativa para a questão 74e8f0a1-51
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    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    A fuga retratada no poema é uma fuga
    Escolha uma alternativa para a questão 74e51806-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.


          A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la?

          Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoa dos. Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar1 a doida, isolada e agreste no seu jardim.

          Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera.

          Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos racontos2 antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família
     se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de irrisão3.

          Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.

          Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis l amentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes, são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem.

                                                                                      (Contos de aprendiz, 2012.)

    1 lapidar: apedrejar.

    2 raconto: relato, narrativa.

    3 irrisão: zombaria.

    Derivação regressiva: formação de palavras novas pela redução de uma palavra já existente. A redução se faz mediante supressão de elementos terminais (sufixos, desinências).

    (Celso Pedro Luft. Gramática resumida, 2004.)


    Constitui exemplo de palavra formada pelo processo de derivação regressiva o termo sublinhado em:

    Escolha uma alternativa para a questão 74dd7a80-51
  • Linguagens

    Português

    Examine a tira de André Dahmer para responder às questões .


                       Imagem da questão de Português, UNIFESP 2018, Pontuação

    Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo
    Escolha uma alternativa para a questão 74c2af85-51
  • Linguagens

    Português

    Examine a tira de André Dahmer para responder às questões .


                       Imagem da questão de Português, UNIFESP 2018, Interpretação de Textos

    A fala “Demora, mas eles aprendem.” (3° quadrinho) sugere que o anjo, a propósito das afirmações do personagem retratado nos dois primeiros quadrinhos,
    Escolha uma alternativa para a questão 74bb4e27-51
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Esta região brasileira possui alto índice pluviométrico (cerca de 2500 mm/ano) devido principalmente à evapotranspiração da Floresta. O clima equatorial da região determina o regime perene dos rios. É uma região ameaçada pelos garimpos que contaminam as águas com mercúrio, e pelas atividades madeireira e pecuária, que envolvem a derrubada de áreas de floresta, acelerando o processo erosivo nas margens e o assoreamento de canais.


    Com base no enunciado, identifique a bacia hidrográfica e mais algumas de suas características:

    Escolha uma alternativa para a questão ff1f3bbb-1b
  • Ciências Humanas

    Geografia

    O objetivo das representações é comunicar um assunto ao leitor. Representações cartográficas que contêm informações temáticas são chamadas de mapas temáticos e trazem informações a respeito da organização do espaço geográfico no passado ou na atualidade. Para que as informações sejam apresentadas de maneira visualmente organizada e clara, os mapas temáticos devem seguir regras como serem confeccionados em diferentes escalas e possuírem um tema. Neste sentido, o mapa apresentado a seguir é do tipo:


    Imagem da questão de Geografia, UNESPAR 2018, Cartografia

    Fonte: IBGE. Disponível em:<https://portaldemapas.ibge.gov. br/portal.php #mapa32> . Acessado em: 21/08/2018.

    Escolha uma alternativa para a questão ff1c03e3-1b
  • Ciências da Natureza

    Física

    O filósofo grego Aristóteles (384 a.C – 322 a.C) desenvolveu muitas teorias no campo da Física, conhecida hoje por física aristotélica que foi totalmente substituída pela física newtoniana. Para Aristóteles, o mundo sublunar era constituído por quatro elementos fundamentais: terra, água, ar e fogo, sendo que cada um, tinha seu lugar natural. Essa teoria poderia explicar que a chama de uma vela fica sempre apontada para cima porque o lugar natural do fogo é acima do ar. Assinale a alternativa que melhor explica o motivo da chama de uma vela ficar sempre de pé de acordo com a física newtoniana.
    Escolha uma alternativa para a questão fee3ce66-1b
  • Ciências da Natureza

    Química

    Nas prateleiras de supermercados é comum encontrarmos alimentos desidratados, isto é, isentos de água em sua composição. Para desidratar alimentos, é utilizado o processo de liofilização que consiste em se congelar o alimento à temperatura de -197°C e depois submeter o alimento congelado a pressões muito baixas. Na temperatura de -197°C, a água do alimento encontrase na fase sólida e, com o abaixamento de pressão, passa diretamente para a fase de vapor, sendo então eliminada.


    Assinale a afirmação CORRETA:

    Escolha uma alternativa para a questão fed6098a-1b
  • Ciências da Natureza

    Química

    Um grupo de alunos do curso de Química, ao entrar no laboratório para uma atividade, deparou-se com alguns recipientes não rotulados, embora todos contivessem uma substância líquida e incolor.


    Considerando as substâncias, os acadêmicos determinaram as seguintes propriedades para reconhecimento: 1) massa, 2) volume, 3) ponto de ebulição, 4) densidade.


    Com base nestas informações, indique quais propriedades possibilitaram aos acadêmicos a identificação das substâncias:

    Escolha uma alternativa para a questão fecbfa60-1b
  • Linguagens

    Literatura

    No início do século XX, foram criadas as primeiras emissoras de rádio e as linhas de transporte público no Brasil, sendo que o contraste entre esse mundo moderno e o mundo natural foi tema de muitos trabalhos artísticos.


    Os artistas modernistas brasileiros manifestavam em suas obras:

    Escolha uma alternativa para a questão fec8a059-1b
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, UNESPAR 2018, Análise sintática


    No contexto deste post, o slogan de campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos (“Faça a América grande de novo!”) e a imagem destacando a etiqueta de procedência de uma peça de gravata de coleção assinada pelo mesmo Donald Trump (“Made in China”/”Hecho en China” = Feito na China) expressam uma relação de:

    Escolha uma alternativa para a questão feaf9a7f-1b
  • Linguagens

    Português

    “D E C Ú B I T O: do latim decumbere, jazer. Uma linguagem jornalística anacrônica, encontrável sobretudo na crônica policial, insiste na substituição de termos mais simples por vocábulos de uso mais raro. Assim, mãe é genitora, hospital é nosocômio, e a vítima de acidente ou morte é encontrada em decúbito, e não deitada. Se estava de bruços, escrevem que estava em decúbito ventral; se estava deitada de lado, dizem que foi encontrada em decúbito lateral. Alguns, mais excêntricos, encontrando a suposta vítima em pé, dizem que a encontraram em posição ortostática. Uma das razões desta prática é o fato de historicamente o analfabetismo ser a maior reserva brasileira e o domínio da escrita servir não para esclarecer o público, mas para ostentar saber e confundir os leitores, em nome de uma suposta precisão de linguagem.”

    (Verbete retirado de SILVA, Deonísio da. A vida íntima das palavras: origens e curiosidades da língua portuguesa. São Paulo: Editora Arx, 2002, pg. 135)


    Em relação ao descrito no verbete acima, está INCORRETO afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão feac0cff-1b