Questões do ENEM 2022

Questões aplicadas na prova de 2022, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

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510 questões encontradas. Mostrando a página 2 de 26.

  • DBBEDD90-8B

    Literatura

    Barroco
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.


    Q9_12.png (252×285)

    (Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)


    1Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os verdadeiros “homens nobres”.
    O soneto de Gregório de Matos constitui um exemplo da sua poesia de teor
    Escolha uma alternativa para a questão dbbedd90-8b
  • DBB9F563-8B

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb9f563-8b
  • DBB76D00-8B

    Português

    Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    Constitui exemplo de neologismo formado pelo processo de sufixação a palavra
    Escolha uma alternativa para a questão dbb76d00-8b
  • DBB52A27-8B

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    A linguagem poética, o emprego de neologismos e as marcas de oralidade, que podem ser identificados no texto de Mia Couto, caracterizam também a prosa do seguinte escritor brasileiro:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb52a27-8b
  • DBB2A65B-8B

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    O narrador recorre a um enunciado aparentemente paradoxal no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb2a65b-8b
  • DBB04011-8B

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
        Além da variedade de discursos diretos e indiretos, a narrativa de ficção, a partir das últimas décadas do século XIX, utiliza um tipo de discurso que consiste na combinação dos já existentes, misturando valores estilísticos de um e de outro: é o discurso indireto livre. O discurso indireto livre não deixa claro quem está com a palavra, se o narrador ou a personagem.

    (Nilce Sant’Anna Martins. Introdução à estilística, 1989. Adaptado.)


    Constitui exemplo de discurso indireto livre o seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb04011-8b
  • DBAE0DA8-8B

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    “E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto.” (3° parágrafo)


    No contexto do conto, “pingo de água” e “pleno deserto” referem-se, metaforicamente,
    Escolha uma alternativa para a questão dbae0da8-8b
  • 72A30243-7B

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
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    Assinale a alternativa correta em relação ao romance Caderno de memórias coloniais, de Isabela Figueiredo.



    I - A narrativa compõe-se de uma mescla de gêneros, entre diário, biografia, crônica e ensaio, ilustrada com fotografias da escritora e da cidade onde nasceu, misturando memórias pessoais e coletivas da colonização portuguesa na África.


    II - A autora faz um acerto de contas com o passado colonial português, colocando em cena a figura do pai, que trabalha para o desenvolvimento da cidade de Lourenço Marques e luta contra a exploração e a falta de direitos da população negra.


    III- Os episódios narrados contrapõem-se às versões oficiais da colonização portuguesa na África, que silenciam a respeito da realidade de violência, segregação e exclusão da população negra local.



    Quais estão corretas? 

    Escolha uma alternativa para a questão 72a30243-7b
  • 72A054B6-7B

    Literatura

    Classificação dos Gêneros Literários
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    Sobre o livro Deixe o quarto como está, de Amilcar Bettega Barbosa, considere as seguintes afirmações.



    I - A maior parte dos contos está narrada em primeira pessoa, em que o narrador masculino expõe suas reações a situações que são descritas com detalhes realistas, embora surjam fatos e comentários que desorganizam o que seria considerado normal.


    II - Os contos em sua maioria expõem os dilemas de um casal envolvido em episódios bizarros em que o ambiente urbano de Porto Alegre assume uma dinâmica lenta e pesada, a revelar um cotidiano pleno de torpeza e agressões sexuais.


    III- O enunciado filosofante e sério dos narradores expõe situações um tanto cômicas em que disputas ferozes por fama e poder alternam com recapitulações da infância no interior do estado, em tom amargo e nostálgico.



    Quais estão corretas? 

    Escolha uma alternativa para a questão 72a054b6-7b
  • 729D7260-7B

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
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    O excerto abaixo é retirado de Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. Considere-o, no contexto do enredo do romance.



    Ponciá Vicêncio gostava de ficar sentada perto da janela olhando o nada. Às vezes, se distraía tanto que até se esquecia da janta e, quando via, o seu homem estava chegando do trabalho. Ela gastava todo o tempo com o pensar, com o recordar. Relembrava a vida passada, pensava no presente, mas não sonhava e nem inventava nada para o futuro. O amanhã de Ponciá era feito de esquecimento. Em tempos outros, havia sonhado tanto! Quando mais nova, sonhara até um novo nome para si. Não gostava daquele que lhe deram. Menina, tinha o hábito de ir para a beira do rio e lá, se mirando nas águas, gritava o seu próprio nome. Ponciá Vicêncio! Ponciá Vicêncio! Sentia-se como se estivesse chamando outra pessoa. Não ouvia seu nome responder dentro de si. Inventava outros. Pandá, Malenga, Quieti; nenhum lhe pertencia também. Ela, inominada, tremendo de medo, temia a brincadeira, mas insistia. A cabeça rodava no vazio, ela vazia se sentia sem nome. Sentia-se ninguém. Tinha então vontades de choros e risos.



    Assinale a alternativa correta sobre o excerto.

    Escolha uma alternativa para a questão 729d7260-7b
  • 729A06AC-7B

    Literatura

    Gêneros Literários
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    No bloco superior abaixo, estão listados títulos de romances; no inferior, aspectos do enredo a eles relacionados.


    Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.



    1- Cadernos de memórias coloniais


    2- Ponciá Vicêncio


    3- Úrsula



    ( ) A personagem trabalha muito bem o barro, produzindo objetos que contam a história das origens ancestrais de sua família e dos descendentes de escravizados da comunidade rural onde nasceu.


    ( ) O relato é centralizado na figura do pai, personificação da lógica de dominação patriarcal que estrutura o processo colonizador.


    ( ) Tulio, Suzana e Antero são personagens representados em sua identidade negra, no contexto da sociedade escravocrata brasileira.


    ( ) A colonização portuguesa em Moçambique é narrada, evidenciando episódios de violência física, verbal e sexual, sofrida por negras e negros, testemunhados pela autora quando criança.



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 

    Escolha uma alternativa para a questão 729a06ac-7b
  • 72974BD3-7B

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
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    Considere os fragmentos do romance Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva.



        I.


    Subi numa pedra e gritei:


    — Aí, Gregor, vou descobrir o tesouro que você escondeu aqui embaixo, seu milionário disfarçado. Pulei com a pose do Tio Patinhas, bati a cabeça no chão e foi aí que ouvi a melodia: biiiiiiin.



        II.


    (...) não foi o único “desaparecido”. Há centenas de famílias na mesma situação: filhos que não sabem se são órfãos, mulheres que não sabem se são viúvas. Provavelmente, o homem que me ensinou a nadar está enterrado como indigente em algum cemitério do Rio. O que posso fazer? A justiça neste país é uma palavra sem muita importância.



    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre os fragmentos acima.



    ( ) Os fragmentos referem-se a traumas vividos pelo autor: em I, o acidente que o deixa tetraplégico; em II, o desaparecimento de seu pai, no período da ditadura civil militar brasileira.


    ( ) O uso de linguagem carregada de humor, observado na cena I, é aspecto que não se mantém ao longo da narrativa, à medida que episódios trágicos vão tomando conta do relato, mergulhando o protagonista em profundo sofrimento.


    ( ) O protagonista, durante o tempo em que está internado no hospital, passa a meditar sobre as fragilidades humanas e a morte, dedicando-se a experiências místicas que o ajudam a superar suas dores e perdas.


    ( ) Os episódios referidos nos fragmentos I e II estão ambientados no contexto da cultura jovem dos anos 1980, que o narrador classifica em três correntes: “o caretismo, o desbunde e a revolução”.



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 

    Escolha uma alternativa para a questão 72974bd3-7b
  • 72945F33-7B

    Literatura

    Estilística
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    Considere o poema de Adélia Prado, do livro Bagagem.



    GRANDE DESEJO



    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2022



    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre o poema.



    ( ) A semelhança entre as figuras femininas nomeadas no primeiro e no segundo versos é reforçada pela rima.


    ( ) Os versos 2 e 16 representam imagens díspares e inconciliáveis do eu lírico.


    ( ) A voz poética representa a luta das mulheres para se afirmarem como escritoras, em um campo literário predominantemente masculino.


    ( ) O eu lírico se reconhece como mulher do povo e poeta, vivendo com a mesma intensidade o cotidiano e a criação.



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 

    Escolha uma alternativa para a questão 72945f33-7b
  • 72918A45-7B

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
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    Considere as seguintes afirmações sobre o romance As meninas, de Lygia Fagundes Teles.



    I - Lia, estudante interna no Pensionato Nossa Senhora de Fátima, lê à Madre Alix uma cena de tortura extraída do depoimento de um militante político, preso por distribuir panfletos em uma fábrica.


    II - A voz narrativa em terceira pessoa articula e alterna, de maneira quase imperceptível, as falas em primeira pessoa das protagonistas Ana Clara, Lia e Lorena, que comunicam seu universo subjetivo por meio do fluxo de consciência.


    III- Temas como liberdade, casamento, sexo e aborto estão ausentes na representação da experiência feminina das protagonistas, tendo em vista a moral repressora da sociedade e a censura vigente no Brasil no início dos anos 1970, época da publicação do romance.



    Quais estão corretas?

    Escolha uma alternativa para a questão 72918a45-7b
  • 728EAA3A-7B

    Literatura

    Escolas Literárias
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    Considere as seguintes afirmações sobre Construção, álbum de Chico Buarque.



    I - A canção “Construção” vale-se de proparoxítonas no fim dos versos para narrar um dia na vida de um trabalhador que tem um desfecho trágico; a sequência da narrativa é reconstruída em três estrofes muito elaboradas que aludem à exploração desse trabalhador.


    II - “Deus lhe pague”, um agradecimento sarcástico ao autoritarismo; “Construção”, com seu trabalhador embrutecido e explorado; e “Samba de Orly”, que pede perdão pela omissão forçada de quem está fora do Brasil, formam um conjunto que remete à experiência do país sob a ditadura civil militar.


    III- “Desalento” e “Valsinha” são canções amorosas em que o eu lírico apela à amada para que aceite retomar a relação interrompida pelo ciúme e pelas acusações mútuas; em “Desalento”, porém, as investidas resultam em fracasso emocional de quem fala, enquanto em “Valsinha”, o casal retoma a vida suburbana e estável.



    Quais estão corretas? 

    Escolha uma alternativa para a questão 728eaa3a-7b
  • 728BE719-7B

    Literatura

    Gênero Dramático
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    Entre os anos 1940 e 1960, veio à luz um conjunto de dramas que renovou a cena teatral brasileira; entre os mais famosos encontram-se Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, e O pagador de promessas, de Dias Gomes.


    No bloco da esquerda abaixo, estão listadas peças teatrais; no da direita, nomes de protagonistas.


    Associe adequadamente os dois blocos.



    ( ) Vestido de noiva


    ( ) Auto da Compadecida


    ( ) Eles não usam black-tie


    ( ) O pagador de promessas



    1- João Grilo


    2- Alaíde


    3- Tião


    4- Zé do Burro 



    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 

    Escolha uma alternativa para a questão 728be719-7b
  • 72893697-7B

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UFRGS · 2022Entre para guardar nos favoritos
    Sobre São Bernardo, de Graciliano Ramos, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 72893697-7b
  • 7286971D-7B

    Literatura

    Escolas Literárias
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    Assinale a alternativa correta em relação à Semana de Arte Moderna, de 1922.
    Escolha uma alternativa para a questão 7286971d-7b
  • 7283F006-7B

    Literatura

    Estilística
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    Leia o soneto abaixo, de Florbela Espanca.



    Fumo*



    Longe de ti são ermos os caminhos,


    Longe de ti não há luar nem rosas;


    Longe de ti há noites silenciosas,


    Há dias sem calor, beirais sem ninhos!



    Meus olhos são dois velhos pobrezinhos


    Perdidos pelas noites invernosas...


    Abertos, sonham mãos cariciosas,


    Tuas mãos doces plenas de carinhos!


    Os dias são Outonos: choram... choram...


    Há crisântemos roxos que descoram...


    Há murmúrios dolentes de segredos...


    Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!


    E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,


    Fumo leve que foge entre os meus dedos...


    * Fumo: fumaça, vapor.



    Assinale a alternativa correta sobre “Fumo”

    Escolha uma alternativa para a questão 7283f006-7b
  • 728170A1-7B

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UFRGS · 2022Entre para guardar nos favoritos

    Considere as seguintes afirmações sobre os romances brasileiros mencionados.



    I - Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, o narrador Bento Santiago rememora seu namoro e casamento com Capitu, a quem acusa de tê-lo traído com Escobar, seu melhor amigo, embora se reconcilie com a esposa e perdoe o amigo.


    II - Em O cortiço, de Aluísio Azevedo, reconstrói-se o cotidiano de uma habitação coletiva na cidade do Rio de Janeiro, cujo proprietário, João Romão, explora os moradores, gente pobre que se aglomera e luta para sobreviver como pode.


    III- Em O Ateneu, de Raul Pompeia, o narrador Sergio, já maduro, repassa sua experiência de interno no colégio, sob o domínio do vaidoso e autoritário diretor Aristarco; as ambivalências sexuais e a sensibilidade infantojuvenil são cruciais no livro.



    Quais estão corretas?

    Escolha uma alternativa para a questão 728170a1-7b