Linguagens
Literatura
- Escolas Literárias
- Prova de 2025
- Qualin - Faculdade de Saúde
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: EBDFB988-CD
“Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça,
juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Ato
contínuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e os
amigos lhe disseram que ficasse, que estava perfeitamente são e
equilibrado: nem rogos nem sugestões nem lágrimas o detiveram
um só instante.
— A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina
nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a
teoria e a prática.
— Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o rosto
lavado em lágrimas.
Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção
científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e
brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde,
entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas
que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em
que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao
ponto de conjeturar que nunca houve outro louco, além dele, em
Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu
desde que o alienista expirou, não tem outra prova, senão o
boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que
com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja
como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara
solenidade”.
ASSIS, Machado de. O alienista. In: ASSIS, Machado de. Papéis Avulsos. Belo Horizonte:
Itatiaia,1882.
O trecho supracitado pertence ao conto “O alienista”, de
Machado de Assis, publicado no livro Papéis avulsos (1882),
acerca do qual é correto afirmar que