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Prova

Prova de 2023: Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo — questões com gabarito

126 questões da prova de 2023 de Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em Química, Matemática, Física, Português. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 126 questões

Resultados: 126 questões

Página 3 de 7

  • Ciências da Natureza

    Química

    No processo de vinificação, a fermentação dos açúcares da uva dá origem ao etanol e a demais substâncias responsáveis pelos aromas e sabor do vinho. Após a armazenagem, o contato de oxigênio com o vinho pode transformar o etanol em ácido acético, resultando em uma solução de vinagre. Essa reação é representada na equação a seguir:


    Imagem da questão de Química, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Química Orgânica



    Essa reação é classificada como reação de
    Escolha uma alternativa para a questão 4b2c67a6-75
  • Ciências da Natureza

    Química

    Para a segurança na aquisição, armazenagem e utilização de produtos químicos em ambientes domésticos, é muito importante conhecer os perigos e riscos que essas substâncias apresentam. Alguns produtos químicos empregados para uso doméstico estão descritos no quadro.



    Imagem da questão de Química, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Estudo da matéria: substâncias, misturas, processos de separação.




    Considerando as informações do quadro, os pictogramas A e B referem-se, respectivamente, aos riscos relacionados às substâncias
    Escolha uma alternativa para a questão 4b2ed9ec-75
  • Matemática

    Matemática

    Nas medidas de precipitação, cada mm de chuva corresponde a uma precipitação de um litro de água em cada m2 . Considerando que, em determinado dia, a precipitação na região da Vila Buarque, na cidade de São Paulo, foi de 3,0 mm e que o terreno no qual se localiza o complexo da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo tem área de aproximadamente 26000 m2 , a quantidade de água que precipitou nesse terreno foi de
    Escolha uma alternativa para a questão 4b31499e-75
  • Ciências da Natureza

    Física

    Para festejar o 20o aniversário da missão espacial não tripulada Mars Express, a Agência Espacial Europeia (ESA) fez, no dia 02.06.2023, a primeira transmissão ao vivo de Marte para a Terra. Mas não foi exatamente uma transmissão ao vivo de fato. “Não existem notícias ‘ao vivo’ no espaço, pois somos limitados pela velocidade da luz que atravessa grandes distâncias”, pontuou a ESA.

    Na transmissão, o intervalo de tempo entre as imagens serem captadas na órbita de Marte e aparecerem em tela na Terra estava previsto em cerca de 18 minutos. Conforme a ESA, foram 17 minutos para a luz viajar de Marte à Terra e cerca de 1 minuto para seu processamento pelos fios e servidores no solo.

    (www.jornaldocomercio.com. Adaptado.)


    Considerando que a luz se propaga no vácuo com velocidade de 1,8 × 107 km/min, a distância entre Marte e a Terra no dia da transmissão era, aproximadamente, de
    Escolha uma alternativa para a questão 4b33d010-75
  • Ciências da Natureza

    Física

    A figura mostra um bule em repouso sobre uma mesa.


    Imagem da questão de Física, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Dinâmica



    Nessa situação,

    Escolha uma alternativa para a questão 4b36962b-75
  • Ciências da Natureza

    Física

    Analise o gráfico que mostra a variação da pressão atmosférica terrestre em função da altitude.


    Imagem da questão de Física, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Estática e Hidrostática



    De acordo com o gráfico,
    Escolha uma alternativa para a questão 4b3920d1-75
  • Ciências da Natureza

    Física

    A figura mostra um espelho plano E, quatro fontes de luz puntiformes, X, Y, Z e W, colocadas na frente desse espelho, e quatro possíveis imagens dessas fontes, X’, Y’, Z’ e W’.


    Imagem da questão de Física, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Espelhos Planos




    Entre os pares de pontos XX’, YY’, ZZ’ e WW’, os que representam a fonte de luz e sua respectiva imagem são 
    Escolha uma alternativa para a questão 4b3e665f-75
  • Linguagens

    Português

    A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é um exame que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas, enquanto o paciente realiza suas atividades habituais, e também durante o sono. O exame consiste na instalação de um aparelho no paciente, cujo objetivo é monitorar a pressão arterial a cada 20 minutos durante 24 horas seguidas.

    (https://altadiagnosticos.com.br. Adaptado.)

    Nesse exame, a frequência com que a pressão arterial é monitorada é
    Escolha uma alternativa para a questão 4b410b4f-75
  • Ciências da Natureza

    Física

    O consumo de energia elétrica de um aparelho é comumente medido em kWh, que é resultado da multiplicação da potência do aparelho, em kW, pelo tempo que ele permanece funcionando, em horas. A energia elétrica consumida diariamente por um chuveiro elétrico de potência 6,0 kW, que é utilizado durante 15 min a cada dia, é 
    Escolha uma alternativa para a questão 4b43a201-75
  • Matemática

    Matemática

    Quatro amigas dividiram o pagamento de uma conta de um restaurante em partes diferentes. Do valor total, Antonia pagou 1/5, Belinda pagou 2/7, Camila pagou 1/3 e Daiane pagou os R$ 38,00 restantes. A diferença entre os valores pagos por Antonia e Daiane foi de 
    Escolha uma alternativa para a questão 4b465c1d-75
  • Matemática

    Matemática

    Em determinada loja, há 8 camisetas amarelas numeradas de 1 a 8; 7 camisetas vermelhas numeradas de 1 a 7; e 6 camisetas brancas numeradas de 1 a 6. O número de pares de camisetas de cores distintas que podem ser formados com essas camisetas é 
    Escolha uma alternativa para a questão 4b4963a2-75
  • Matemática

    Matemática

    No plano cartesiano, a reta   r   passa pelos pontos de coordedas (–1,0) e (2,5), e a reta s tem equação dada por y = - 2/3 x + 8/3, como na figura.



    Imagem da questão de Matemática, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Estudo da Reta



    O ponto de interseção das retas r e s tem abscissa 
    Escolha uma alternativa para a questão 4b4eba36-75
  • Matemática

    Matemática

    No triângulo ABC, na figura, o ponto P foi tomado sobre o lado AC de modo que a razão entre a área do triângulo APB e a área do triângulo PBC seja 3/5


    Imagem da questão de Matemática, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Geometria Plana



    A razão entre a medida do segmento PC e a medida do segmento AC é
    Escolha uma alternativa para a questão 4b51631b-75
  • Matemática

    Matemática

    Um reservatório de água em formato de prisma reto de base quadrada, de lado 50 cm e altura de 60 cm, como ilustrado na figura, estava cheio de água.


    Imagem da questão de Matemática, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Aritmética e Problemas



    Parte dessa água foi retirada para encher garrafões de 10 litros. Após a retirada da água, a coluna de água no reservatório media 4 cm de altura. O número de garrafões enchidos com água do reservatório foi
    Escolha uma alternativa para a questão 4b540582-75
  • Linguagens

    Português

    Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí, publicado em sua conta do Instagram em 13.05.2023.


    Imagem da questão de Português, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Figuras de Linguagem



    Para obter seu efeito de humor, o cartum explora o seguinte recurso expressivo:
    Escolha uma alternativa para a questão ca034cc6-75
  • Linguagens

    Português

    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    De acordo com o cronista,
    Escolha uma alternativa para a questão ca06aaa0-75
  • Linguagens

    Português

    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Entendendo-se a intertextualidade como a superposição de um texto literário a outro, tal procedimento está bem exemplificado
    Escolha uma alternativa para a questão ca0a02af-75
  • Linguagens

    Português

    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Para evitar a sua repetição, garantindo assim uma maior coesão textual, verifica-se no primeiro parágrafo da crônica a omissão do substantivo
    Escolha uma alternativa para a questão ca0cedcc-75
  • Linguagens

    Português

    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Em “Importante, contudo, foi a sentença.” (3o parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão ca0f75e9-75
  • Linguagens

    Português

    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão ca1206d4-75