Questões do ENEM: Universidade Estadual do Maranhão

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329 questões encontradas. Mostrando a página 9 de 17.

  • 6459609C-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    A Escrava, de Maria Firmina dos Reis, é um exemplar de conto do movimento abolicionista brasileiro, que projeta, no contexto de 1887, uma autora negra, pobre, maranhense, em texto publicado na Revista Maranhense nº. 3. Você vai ler a primeira cena dessa narrativa curta.

         Em um salão onde se achavam reunidas muitas pessoas distintas, e bem colocadas na sociedade, e depois de versar a conversação sobre diversos assuntos mais ou menos interessantes, recaiu sobre o elemento servil.

        O assunto era por sem dúvida de alta importância. A conversação era geral; as opiniões, porém, divergiam. Começou a discussão.

         — Admira-me, — disse uma senhora, de sentimentos sinceramente abolicionistas; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira!

         Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:

         — Para que se deu em sacrifício o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro atento? Ah!

         Então não era verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não verdes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?

    Reis, Maria Firmina dos, 1825-1917. Úrsula e outras obras [recurso eletrônico] / Maria Firmina dos Reis. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2018. – (Série prazer de ler; n. 11 e-book)


    A fala da senhora, ao se contrapor aos escravocratas, apresenta argumentação, ancorada na perspectiva da (do)

    Escolha uma alternativa para a questão 6459609c-b0
  • 6456A2C0-B0

    Português

    Sintaxe
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022DifícilEntre para guardar nos favoritos

    [...] E os dois imigrantes, no silêncio dos caminhos, unidos enfim numa mesma comunhão de esperança e admiração, puseram-se a louvar a Terra de Canaã.

    Eles disseram que ela era formosa com os seus trajes magníficos, vestida de sol, coberta com o manto do voluptuoso e infinito azul; que era amimada pelas coisas; sobre o seu colo águas dos rios fazem voltas e outras enlaçam-lhe a cintura desejada; [...]

    Eles disseram que ela era opulenta, porque no seu bojo fantástico guarda a riqueza inumerável, o ouro puro e a pedra iluminada; porque os seus rebanhos fartam as suas nações e o fruto das suas árvores consola o amargor da existência; porque um só grão das suas areias fecundas fertilizaria o mundo inteiro e apagaria para sempre a miséria e a fome entre os homens. Oh! poderosa!...

    Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol com as suas sombras; para o orvalho da noite fria tem o calor da pele aquecida, e os homens encontram nela, tão meiga e consoladora, o esquecimento instantâneo da agonia eterna...

    Eles disseram que ela era feliz entre as outras, porque era a mãe abastada, a casa de ouro, a providência dos filhos despreocupados, que a não enjeitam por outra, não deixam as suas vestes protetoras e a recompensam com o gesto perpetuamente infantil e carinhoso, e cantam-lhe hinos saídos de um peito alegre...

    Eles disseram que ela era generosa, porque distribui os seus dons preciosos aos que deles têm desejo; a sua porta não se fecha, as suas riquezas não têm dono; não é perturbada pela ambição e pelo orgulho; os seus olhos suaves e divinos não distinguem as separações miseráveis; o seu seio maternal se abre a todos como um farto e tépido agasalho... Oh! esperança nossa!

    Eles disseram esses e outros louvores e caminharam dentro da luz...


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    No trecho “Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol e as suas sombras”, o termo "amorosa" possibilita duas funções sintáticas distintas. Considerando a anáfora predominante no fragmento, a função sintática prevalente é 
    Escolha uma alternativa para a questão 6456a2c0-b0
  • 64540388-B0

    Português

    Figuras de Linguagem
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022FácilEntre para guardar nos favoritos

    [...] E os dois imigrantes, no silêncio dos caminhos, unidos enfim numa mesma comunhão de esperança e admiração, puseram-se a louvar a Terra de Canaã.

    Eles disseram que ela era formosa com os seus trajes magníficos, vestida de sol, coberta com o manto do voluptuoso e infinito azul; que era amimada pelas coisas; sobre o seu colo águas dos rios fazem voltas e outras enlaçam-lhe a cintura desejada; [...]

    Eles disseram que ela era opulenta, porque no seu bojo fantástico guarda a riqueza inumerável, o ouro puro e a pedra iluminada; porque os seus rebanhos fartam as suas nações e o fruto das suas árvores consola o amargor da existência; porque um só grão das suas areias fecundas fertilizaria o mundo inteiro e apagaria para sempre a miséria e a fome entre os homens. Oh! poderosa!...

    Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol com as suas sombras; para o orvalho da noite fria tem o calor da pele aquecida, e os homens encontram nela, tão meiga e consoladora, o esquecimento instantâneo da agonia eterna...

    Eles disseram que ela era feliz entre as outras, porque era a mãe abastada, a casa de ouro, a providência dos filhos despreocupados, que a não enjeitam por outra, não deixam as suas vestes protetoras e a recompensam com o gesto perpetuamente infantil e carinhoso, e cantam-lhe hinos saídos de um peito alegre...

    Eles disseram que ela era generosa, porque distribui os seus dons preciosos aos que deles têm desejo; a sua porta não se fecha, as suas riquezas não têm dono; não é perturbada pela ambição e pelo orgulho; os seus olhos suaves e divinos não distinguem as separações miseráveis; o seu seio maternal se abre a todos como um farto e tépido agasalho... Oh! esperança nossa!

    Eles disseram esses e outros louvores e caminharam dentro da luz...


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    A presença constante da repetição de termos e de expressões no início do parágrafo é conhecida como anáfora.

    O uso da anáfora – Eles disseram – , no contexto, expressa tom 

    Escolha uma alternativa para a questão 64540388-b0
  • 645156A6-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022Muito difícilEntre para guardar nos favoritos

    LENTZ — Até agora não vejo probabilidade da raça negra atingir a civilização dos brancos. Jamais a África ...


    MILKAU — O tempo da África chegará. As raças civilizam-se pela fusão; é no encontro das raças adiantadas com as raças virgens, selvagens, que está o repouso conservador, o milagre do rejuvenescimento da civilização. O papel dos povos superiores é o instintivo impulso do desdobramento da cultura, transfundindo de corpo a corpo o produto dessa fusão que, passada a treva da gestação, leva mais longe o capital acumulado nas infinitas gerações. Foi assim que a Gália se tornou França e a Germânia, Alemanha.


    LENTZ — Não acredito que da fusão com espécies radicalmente incapazes resulte uma raça sobre que se possa desenvolver a civilização. Será sempre uma cultura inferior, civilização de mulatos, eternos escravos em revoltas e quedas. Enquanto não se eliminar a raça que é o produto de tal fusão, a civilização será sempre um misterioso artifício, todos os minutos rotos pelo sensualismo, pela bestialidade e pelo servilismo inato do negro. O problema social para o progresso de uma região como o Brasil está na substituição de uma raça híbrida, como a dos mulatos, por europeus. A imigração não é simplesmente para o futuro da região do País um caso de simples estética, é antes de tudo uma questão complexa, que interessa o futuro humano.


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    O pré-modernismo não é considerado um estilo de época, pois apresenta uma multiplicidade de temáticas. É entendido como um período literário brasileiro que faz a transição entre o simbolismo e o modernismo. Por isso, é possível encontrar, nas obras dessa época, características de estilos passados, como parnasianismo, realismo, naturalismo e simbolismo. 

    O fragmento de Canaã em que há predomínio de traços característicos do movimento simbolista é  
    Escolha uma alternativa para a questão 645156a6-b0
  • 644E9A86-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022DifícilEntre para guardar nos favoritos

    LENTZ — Até agora não vejo probabilidade da raça negra atingir a civilização dos brancos. Jamais a África ...


    MILKAU — O tempo da África chegará. As raças civilizam-se pela fusão; é no encontro das raças adiantadas com as raças virgens, selvagens, que está o repouso conservador, o milagre do rejuvenescimento da civilização. O papel dos povos superiores é o instintivo impulso do desdobramento da cultura, transfundindo de corpo a corpo o produto dessa fusão que, passada a treva da gestação, leva mais longe o capital acumulado nas infinitas gerações. Foi assim que a Gália se tornou França e a Germânia, Alemanha.


    LENTZ — Não acredito que da fusão com espécies radicalmente incapazes resulte uma raça sobre que se possa desenvolver a civilização. Será sempre uma cultura inferior, civilização de mulatos, eternos escravos em revoltas e quedas. Enquanto não se eliminar a raça que é o produto de tal fusão, a civilização será sempre um misterioso artifício, todos os minutos rotos pelo sensualismo, pela bestialidade e pelo servilismo inato do negro. O problema social para o progresso de uma região como o Brasil está na substituição de uma raça híbrida, como a dos mulatos, por europeus. A imigração não é simplesmente para o futuro da região do País um caso de simples estética, é antes de tudo uma questão complexa, que interessa o futuro humano.


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    O contexto sociohistórico da época do Romance Canaã, ainda que seu valor como obra literária seja posto em dúvida, retrata algumas teses de realidades vitais. Pode-se afirmar que o enredo do romance 
    Escolha uma alternativa para a questão 644e9a86-b0
  • 644C0238-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    O fragmento a seguir é um dos diálogos entre os dois estrangeiros que protagonizam Canaã.

    — Parece que já vi este quadro em algum lugar — disse Milkau, cismando, — Mas não, este ar, este conjunto suave, este torpor instantâneo, e que se percebe vai passar daqui a pouco, é seguramente a primeira vez que conheço.

    — E por quanto tempo aqui ficaremos? — disse o outro num bocejo de desalento; e o seu olhar pairava preguiçosamente sobre a paisagem.

    — Não meço o tempo — respondeu Milkau —, porque não sei até quando viverei, e agora espero que este seja o quadro definitivo da minha existência. Sou um imigrado, e tenho a alma do repouso; este será o meu último movimento na terra...

    — Mas nada o agita? Nada o impelirá para fora daqui, fora desta paz dolorosa, que é uma sepultura para nós?...

    — Aqui fico. E se aqui está a paz, é a paz que procuro exatamente...Eu me conservarei na humildade; em torno de mim desejarei uma harmonia infinita.

    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.


    A relação discurso/personagem está representada, corretamente, na seguinte associação:

    Escolha uma alternativa para a questão 644c0238-b0
  • 64493B31-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    O estrangeiro apertou a mão calosa e áspera do velho, que abriu os lábios numa rude expressão de riso, mostrando as gengivas roxas e desdentadas. A cafuza não se mexeu; apenas, mudando vagarosamente o olhar, descansou-o, cheio de preguiça e desalento, no rosto do viajante. A criança acolheu-se a ela, boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.

    [...]

    — Mora aqui há muito tempo? perguntou Milkau.

    — Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço... Ali perto do Mangaraí.

    — E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio. — Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do Capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

    O estrangeiro, acompanhando o gesto, apenas divisava ao longe um amontoado de ruínas que interrompia a verdura da mata.

    E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos.

    [...]

    — Ah, tudo isto, meu sinhô moço, se acabou... Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras do seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda!

    [...]

    — Mas, meu amigo — disse Milkau

    —, você aqui ao menos está no que é seu, tem sua casa, sua terra, é dono de si mesmo.

    — Qual terra, qual nada... Rancho é do marido de minha filha, que está aí sentada, terra é de seu coronel, arrendada por dez mil-réis por ano. Hoje em dia tudo aqui é de estrangeiro, Governo não faz nada por brasileiro, só pune por alemão... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    Nos fragmentos, observa-se um procedimento descritivo, típico do Naturalismo Literário: detalhismo por meio de elementos sensoriais. Releia-os.


    “A criança acolheu-se a ela boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.”

    “— E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio.”


    Nas expressões “beiços túmidos” e “tateando o espaço”, destacam-se, respectivamente, os seguintes elementos sensoriais: 

    Escolha uma alternativa para a questão 64493b31-b0
  • 6446913E-B0

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022FácilEntre para guardar nos favoritos

    O estrangeiro apertou a mão calosa e áspera do velho, que abriu os lábios numa rude expressão de riso, mostrando as gengivas roxas e desdentadas. A cafuza não se mexeu; apenas, mudando vagarosamente o olhar, descansou-o, cheio de preguiça e desalento, no rosto do viajante. A criança acolheu-se a ela, boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.

    [...]

    — Mora aqui há muito tempo? perguntou Milkau.

    — Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço... Ali perto do Mangaraí.

    — E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio. — Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do Capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

    O estrangeiro, acompanhando o gesto, apenas divisava ao longe um amontoado de ruínas que interrompia a verdura da mata.

    E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos.

    [...]

    — Ah, tudo isto, meu sinhô moço, se acabou... Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras do seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda!

    [...]

    — Mas, meu amigo — disse Milkau

    —, você aqui ao menos está no que é seu, tem sua casa, sua terra, é dono de si mesmo.

    — Qual terra, qual nada... Rancho é do marido de minha filha, que está aí sentada, terra é de seu coronel, arrendada por dez mil-réis por ano. Hoje em dia tudo aqui é de estrangeiro, Governo não faz nada por brasileiro, só pune por alemão... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    Dentre os trechos extraídos do diálogo dos personagens, indique aquele em que predomina a intenção crítica do autor acerca da política da época. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6446913e-b0
  • 6443EC0B-B0

    Português

    Denotação e Conotação
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    A fluidez do texto é perceptível e garante ao leitor interesse por sua leitura pelo fato de serem inseridas expressões coloquiais, descontraídas, gerando atração muito mais pelo conteúdo do que pela forma.


    Essa assertiva é comprovada no seguinte exemplo: 

    Escolha uma alternativa para a questão 6443ec0b-b0
  • 6440FD64-B0

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022FácilEntre para guardar nos favoritos

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja relação morfossintática difere das demais é
    Escolha uma alternativa para a questão 6440fd64-b0
  • 643DC68B-B0

    Português

    Gêneros Textuais
    Universidade Estadual do Maranhão · 2022MédioEntre para guardar nos favoritos

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    Considerando o contexto de circulação de um artigo de opinião e o propósito discursivo do produtor do texto acima, os recursos argumentativos utilizados têm a função de 
    Escolha uma alternativa para a questão 643dc68b-b0
  • 047AB189-B3

    Química

    Cadeias Carbônicas: Características e Classificações do Átomo do Carbono, Tipos de Ligação e Hibridação. Tipos de Cadeias Carbônicas e Fórmulas. Séries: Homóloga, Isóloga e Heteróloga.
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Toda história começa com o carbono
    Juntando todas as estruturas em cadeias
    Nada que pudesse tirar mais o sono
    Mesmo tudo ainda se juntando como teias”. [...]

    Soneto da Família Nobre. Autor desconhecido. http://www.quimica.ufc.br/?q=node/126.

    Neste trecho de Soneto da Família Nobre, é possível ser identificada uma propriedade do elemento químico carbono. Trata-se de
    Escolha uma alternativa para a questão 047ab189-b3
  • 047829B3-B3

    Química

    Cadeias Carbônicas: Características e Classificações do Átomo do Carbono, Tipos de Ligação e Hibridação. Tipos de Cadeias Carbônicas e Fórmulas. Séries: Homóloga, Isóloga e Heteróloga.
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Ácidos dicarboxílicos são compostos orgânicos que apresentam em sua estrutura dois grupos funcionais carboxila. Em geral, sua nomenclatura oficial (IUPAC) segue as mesmas regras usadas para nominar os ácidos monocarboxílicos, apenas com o acréscimo do prefixo di em sua estrutura. Um exemplo é o ácido propanodioico - empregado na indústria eletrônica -, em solventes especiais, e no tratamento de superfícies metálicas. 

    https://www.todini.com/br/produtos-quimicos/outros/acido-malonico

    Substituindo cada um dos grupos carboxílicos, no exemplo dado acima, por um grupo hidroxila, obtém-se um novo composto, conhecido como
    Escolha uma alternativa para a questão 047829b3-b3
  • 0475B3AA-B3

    Química

    Propriedades Físicas dos Compostos Orgânicos: Polaridade das Ligações e Moléculas, Forças Intermoleculares, Ponto de Fusão e Ponto de Ebulição, Solubilização das Substâncias Orgânicas.
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO I

    O ponto de ebulição representa a temperatura em que uma substância atinge e muda do estado líquido para o estado gasoso. Variáveis, tais como pressão atmosférica, altitude, composição e massa da substância influenciam no processo de mudança de estado físico.

    Para responder à questão, você deve considerar as variáveis destacadas no texto I e o fato de uma pessoa preparar seu café, somente, quando a água atinge a temperatura de ebulição.

    TEXTO II

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    Considerando os textos I e II, analise a seguinte situação.

    Uma pessoa que mora em Santos mudou-se recentemente para a cidade de La Paz – Peru. Ela decidiu medir o tempo que gasta para passar a mesma quantidade de café quando morava em Santos, usando a mesma quantidade de calor. 

    Nessa situação, o tempo gasto para passar o café será

    Escolha uma alternativa para a questão 0475b3aa-b3
  • 04732C17-B3

    Química

    Estudo da matéria: substâncias, misturas, processos de separação.
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021FácilEntre para guardar nos favoritos
    O fenômeno da alotropia ocorre para boa parte dos elementos químicos, a exemplo de carbono, de fósforo, de oxigênio e de enxofre. Esse - o enxofre - é o que apresenta uma maior variedade que pode ser encontrada na natureza. Como se sabe, as formas mais conhecidas para o enxofre são S2, S4, S6 e S8.

    A variedade alotrópica do S ocorre quando são apresentadas substâncias de 
    Escolha uma alternativa para a questão 04732c17-b3
  • 0470ACBD-B3

    Biologia

    Ciclos biogeoquímicos
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    O nitrogênio é um elemento químico fundamental para o ser vivo, pois entra na constituição das proteínas e dos ácidos nucleicos. Apesar de 78% da atmosfera ser constituída por nitrogênio, a maioria dos seres vivos não pode utilizar diretamente essa imensa reserva porque o nitrogênio do ar encontra-se na forma de N2, com pouca tendência a reagir com outros elementos.

    Analise o ciclo a seguir.

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    LINHARES, Sérgio; GEWANDSZNAJDER, Fernando. Biologia. V. 3. São Paulo: Ática, 2014.

    Durante as etapas do ciclo do nitrogênio ocorre
    Escolha uma alternativa para a questão 0470acbd-b3
  • 046DB2F4-B3

    Biologia

    Classificação biológica
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Os insetos reúnem o maior número de espécies animais conhecidas. Assim, é o grupo mais diversificado de artrópodes, e consequentemente, entre todos os animais. O grande sucesso desse grupo no meio terrestre é atribuído especialmente a seu exoesqueleto quitinoso e à evolução do voo, características que permitiram deslocamento eficiente e rápido, fuga de predadores e busca de novas formas de alimento. Além disso, os insetos têm sexos separados, sua fecundação é interna e são ovíparos. 

    LOPES, Sônia; ROSSO, Sérgio. BIO: volume único. 2.ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

    Pode-se afirmar que os insetos têm desenvolvimento

    I. ametábolo, direto, sem metamorfose. Do ovo eclode um indivíduo jovem semelhante ao adulto. Exemplo: traça-dos-livros.
    II. hemimetábulo, indireto, com metamorfose incompleta. Do ovo eclode uma ninfa semelhante ao adulto, mas não tem asas desenvolvidas. A ninfa origina o adulto. Exemplo: percevejo.
    III. holometábulo, indireto, com metamorfose completa. Do ovo eclode uma larva distinta do adulto, passa por uma fase de pupa, podendo formar casulo. Daí ocorre a metamorfose onde a larva se transforma no jovem que emerge completamente formado e origina o adulto. Exemplo: moscas.

    Estão corretas as seguintes afirmativas:

    Escolha uma alternativa para a questão 046db2f4-b3
  • 046B4464-B3

    Biologia

    Principais doenças endêmicas no Brasil
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Especialistas temem que doença erradicada volte a circular por conta de cobertura vacinal.

    A proteção vacinal da poliomielite, no Brasil, está sofrendo queda brusca. De janeiro a julho de 2020, a cobertura atingiu 60% do público-alvo, muito abaixo dos 95% preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O distanciamento social e o medo causado pela pandemia da Covid-19 são listados como as causas do declínio. Os números preocupam médicos que temem um novo surto da doença já erradicada no país. A integrante do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que, atualmente, há mais de 1 milhão de crianças inadequadamente vacinadas. A poliomielite é uma doença grave que pode causar paralisia e atrofia dos membros e sua evolução pode levar à morte. Apesar de ser predominante entre as crianças com até 5 anos de idade, ela também pode afetar adultos.

    https://www.metropoles.com/saude/poliomielite-volta-a-preocupar-em-cenario-de-queda-na-vacinacao

    Em relação à poliomielite, é correto afirmar que se trata de uma patologia 
    Escolha uma alternativa para a questão 046b4464-b3
  • 0468C2C0-B3

    Biologia

    Meiose
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    A meiose é o processo de divisão celular responsável pela formação dos gametas, ou seja, sem ela não existiriam ovócitos, espermatozoides nem fecundação. Animais, fungos, protozoários, algas e plantas realizam esse tipo de divisão celular. Na meiose, uma célula sofre duas divisões contínuas, gerando, ao final do processo, quatro células-filhas geneticamente diferentes e com metade do número de cromossomos da célula que as originou. 

    Analise os esquemas que representam diferentes fases da divisão celular por meiose. 

    37_.png (412×145) 

    https://www.infoescola.com/citologia/meiose

    Os esquemas A, B e C correspondem, respectivamente, às fases de
    Escolha uma alternativa para a questão 0468c2c0-b3
  • 0463CEA5-B3

    Matemática

    Geometria Espacial
    Universidade Estadual do Maranhão · 2021MédioEntre para guardar nos favoritos
    Suponha que um carrinho de mão possui as dimensões de um tronco de pirâmide, conforme a figura a seguir. 

    35_.png (282×192) 

    Quantos volumes desse carrinho de mão, completamente cheios de terra, serão necessários para transportar 1,90 m³ de areia?
    Escolha uma alternativa para a questão 0463cea5-b3